07/04/2007
Ano 10 - Número 523



ARQUIVO
ANDERSON FABIANO

 

Anderson Fabiano


 

Outono ou nada
 

Preciso descobrir, se possível, com alguma urgência, pois meu prazo de validade está quase vencendo, o porquê desse meu fascínio por chãos acarpetados com folhas outonais.

Por mais que dezenas de outonos já tenham desfilado bem diante desses olhos que a terra há de comer, sinto que existe um significado para essa estranha paixão, cuja ficha, confesso, ainda não caiu.

Não sei se tem algo a ver com sentimentos, sensações ou pessoas. Ou se existe algum resgate idílico, onírico ou lúdico no ar. Tudo que sei, se é que sei, é que posso ficar horas olhando para esses chãos forrados de múltiplos tons de amarelos, castanhos e marrons, sem me cansar. Se puder ser num lugar sossegado, tipo estradinha vicinal de filme europeu, tanto melhor. Mas, ainda assim, não saberia explicar esse estranho prazer de aprender com mais esse mágico lado da vida.

Às vezes, penso que talvez esteja diante de ocasos da soberba humana que, após experimentar o esplendor de suas primaveras floridas e a onipotência de suas sombras verânicas, jazem impotentes, no chão simples dos homens simples que, distraidamente, apenas pisam em folhas mortas.

Não sei... preciso pensar mais sobre isso.




(07 de abril/2007)
CooJornal no 523


Anderson Fabiano,
escritor, publicitário, jornalista
andersonfabiano137@hotmail.com
RJ