10/04/2010
Ano 13 - Número  679

ARQUIVO
ÂNGELA MAIESKI


 
Ângela Maieski

  

Faltou professor? Proibido dispensar alunos...

 

Faltam professores, mas não assessores para parlamentares e nem CCs… Triste realidade num país no qual a educação não é nem nunca foi prioridade, basta comparar os salários e condições de trabalho dos anteriormente citados aos dos professores da rede pública. Salvo exceções, quem ganha mais?

É de conhecimento geral que, a cada início de ano letivo, faltam professores nas escolas públicas e ocasionalmente, também no decorrer do ano letivo. Os motivos são vários: aposentadorias, exonerações, licença saúde… Em outras ocasiões, há falhas eventuais, motivadas por fatores que não permitem comparecer ao trabalho em determinado dia. Nesse último caso, as escolas utilizam os planos emergenciais deixados pelo professor e a direção ou supervisão se encarrega de passar para os alunos, ou um professor se desdobra para atender duas turmas ao mesmo tempo, dependendo da disponibilidade e da realidade de cada escola. Os alunos, sempre que possível, são atendidos (ou deveriam ser) e não dispensados.

As ausências sistemáticas e prolongadas de um ou vários professores estão ligadas a indisponibilidade desses profissionais nas escolas, uma vez que os mesmos devem ser enviados pela respectiva Secretaria ou Coordenadoria de Educação. Nesse aspecto é falha a Lei 2357/07 aprovada pela Câmara dos Deputados (24/03) obrigando as escolas públicas de ensino básico a manter os alunos em suas dependências, recebendo atividades complementares, organizadas segundo a faixa etária e a grade curricular de cada série.

Quantas escolas possuem professor substituto para atender várias turmas? Quantas escolas possuem quadras poliesportivas para atender esses alunos? Quantas escolas possuem bibliotecas com espaço suficiente para atender 30 ou mais alunos, sem falar em bibliotecários? Quantas escolas possuem laboratórios de informática com monitores para atender duas turmas ao mesmo tempo?

Exigir a implementação dessa medida sem prever os meios adequados e a quem cabe a responsabilidade de disponibilizá-los, acaba por empurrar a responsabilidade para as escolas, que não convivem com a falta de professores por uma opção própria.

O texto, do deputado Ayrton Xerez (DEM-RJ), já havia sido aprovado pela Comissão de Educação da Câmara. Ele deve seguir para o Senado, caso não haja recursos para que seja votado pelo Plenário. Entretanto, a lei está sujeita a pedidos de análise conclusiva de outras comissões.

O autor, em entrevista à Agência Câmara diz que, muitas vezes, quando faltam professores, os estudantes saem da escola sem o conhecimento dos pais e que nas ruas, as crianças estão mais vulneráveis à ação da marginalidade, além do risco ainda maior de acidentes, justamente pela ausência de supervisão adequada.

Os argumentos do autor são válidos, porém válidos talvez sejam também os demais, aqui apresentados.



(10 de abril/2010)
CooJornal no 679


Ângela Maieski é socióloga e professora
RS
www.amaieski.wordpress.com
 
amaieski@sinos.net