20/05/2011
Ano 14 - Número  736

 

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ÂNGELA MAIESKI


 
Ângela Maieski

  

Vivendo e aprendendo.
Bah tchê, o vivente veve e não vai ve tudo!

 

Agora nóis não precisa mais usa a forma culta de escreve, o uso popular ta bom. Uma nova reforma ortográfica vem bem nessa hora, facilitando a vida de milhares de estudantes com menas regra .

Logo, nós professores que acreditávamos até então que o uso correto da língua portuguesa deveria fazer parte do aprendizado, seremos acusados de preconceituosos linguísticos. Parece que o pessoal não anda fazendo o tema de casa. Livros com esse tipo de pensar pedagógico deixam antever os descaminhos da educação. Assim como já havia acontecido com livros “didáticos” que apresentavam erros até no mapa da América do Sul. Educação deveria ser tratada com a devida seriedade e se no quesito investimento deixa a desejar, pelo menos os livros deveriam ser de qualidade indiscutível, já que eles servem de apoio até mesmo para professores que nem sempre possuem uma boa formação.

Utilizar a língua portuguesa de “forma incorreta” no dia a dia é praxe, a maioria usa “tá” no lugar de “está” assim como outros tantos deslizes gramaticais, porém essa incorporação usual não deve ser estimulada no texto escrito. Lembrar aos alunos que existem diferenças entre o português cotidianamente utilizado e o escrito é função do professor. Permitir que se continue perpetuando o “inadequado” mas não incorreto, é temerário. Sabendo-se que as escolas, em geral, preparam mal para o mercado de trabalho, incentivar o uso inadequado, mesmo que na forma oral, pode levar a pessoa a cometer a heresia de dizer para o diretor da empresa: – os pedido já tão pronto.

Nossa educação precisa de incentivos, investimentos e qualidade.

Bons livros, com a Nova História crítica de Mario Schmidt, foram banidos da lista do MEC por uma pretensa apologia ao comunismo, continua sendo utilizado por escolas particulares, enquanto outro, repleto de elogios a Lula e criticas a FHC faz parte da mesma. Um dos autores, Cláudio Piletti, assumiu que o livro é tendencioso. Ele disse que seu irmão, Nelson Piletti, autor desta parte da obra, tem tendência pró-Lula. Nada contra Lula ou FHC, já que em ambos governos ocorreram avanços importantes para o país, entretanto a escolha dos livros didáticos ou não, deveriam ser criteriosos, partindo de uma análise ampla e com a colaboração de professores de escolas públicas de norte a sul do país, antes de serem aprovados pelo MEC.

A qualidade – ou não – da educação é uma escolha política. Sem política pública eficaz e eficiente, não há professor que resolva o problema.


(20 de maio/2011)
CooJornal no 736


Ângela Maieski é socióloga e professora graduada em Ciências Sociais
RS
www.amaieski.wordpress.com
 
amaieski@sinos.net