05/04/2013
Ano 16 - Número 834

 

ARQUIVO
Angela Maieski

 


 

  Follow RevistaRIOTOTAL on Twitter

Angela Maieski


Escolas reprovando e alunos abandonando –
um jogo sem vencedores? (I)
 

Angela Maieski - CooJornal, Rio Total

São os alunos que reprovam e abandonam a escola ou são elas que estão abandonadas e são reprovadas?

Assistindo o Globo Repórter do dia 29/03 foi possível perceber como algumas igrejas estão obtendo sucesso em atrair jovens. Tornaram-se atraentes e contagiam as massas, especialmente com músicas, que utilizam diferentes ritmos, mas tocam o coração das pessoas que se sentem carentes de um amor maior, mais solidário e bondoso. Um amor divino, mas também humano, na confraternização.

Utilizam também os meios de comunicação para atingir um número maior de adeptos. Os programas religiosos estão presentes nas grades da maioria dos canais da televisão aberta e de rádios; assim como na internet, na qual é possível encontrar inúmeras páginas e blogs de comunidades religiosas.

As modernas tecnologias e as velhas ou novas melodias atraem e sensibilizam, cativando um público de todas as idades e classes sociais.

Atrair e contagiar, duas palavras que se transformam em fórmula para o primeiro sucesso, seja da igreja ou do grupo musical. A fórmula resulta perfeita quando se agrega a ação de fidelizar. Os fiéis perpetuam o sucesso.

Essa fórmula passa longe de outro segmento, que precisaria mais do que qualquer outro, atrair e contagiar, mas que tem se mantido de tal forma imerso em si mesmo, mantendo sua ancestral configuração, que acaba obtendo uma polaridade inversa, repelindo e afugentando milhares de adolescentes.

A velha sala de aula não atrai nem contagia, não torna cativo o seu público, pois ainda se configura antiga e ultrapassada, afora poucas exceções. As mesmas velhas classes, com suas cadeiras desconfortáveis, de tamanho inadequado para tantas alturas desiguais. Seu velho quadro negro ou verde, agora também na cor branca, com giz ou sua substituta moderna, uma caneta “apagável” estão em praticamente 100% das salas de aulas das escolas públicas. O design manteve-se inalterado através dos séculos.

As horas de desconforto proporcionadas por cadeiras inadequadas são dribladas por caminhadas na sala de aula e as consequentes reclamações de professores. Os livros didáticos, mapas, cadernos e outros itens tão antigos quanto a própria instituição escolar sobrevivem, mas não são atrativos nem contagiantes, se bem que necessários, mas deveriam ser meros coadjuvantes e não mais atores principais.

O século XXI adentrou trazendo um arsenal tecnológico não apenas atrativo e contagiante para todas as idades, mas especialmente facilitador. Com um simples toque na tela, um professor pode levar seus alunos ao Museu do Louvre ou visitar os pontos turísticos da Grécia. Pode mostrar tabelas, gráficos, células, embriões, escritores, verbos, enfim, praticamente qualquer tema a ser trabalho pode ser encontrado ao simples clique do “camundongo”.

Escolas reprovadas por falta de investimento em estrutura física, em tecnologia e em pessoas, escolas que repelem, quando deveriam atrair. Quem sabe não é essa a hora de atrair a sociedade para uma causa que pode gerar riqueza, não apenas aquela sonhada pelos apostadores de loterias, mas aquela intrínseca ao ser humano, de tomar consciência e obter a verdadeira cidadania.



(05 de abril/2013)
CooJornal nº 834


Ângela Maieski é professora graduada em Ciências Sociais
RS
www.amaieski.wordpress.com
 
amaieski@sinos.net

Direitos Reservados