22/05/2010
Ano 13 - Número 685

ARQUIVO
ANTONIO  NAHUD JÚNIOR


Antonio Nahud Júnior


 
SOBRE O FIM DO MUNDO

 


Antonio Nahud Júnior


O homem é um ser estranho. Vive na vertigem do desconhecido, resultando até em profecias de fim do mundo. Escrevo isto a propósito da especulada profecia Maia e de outros presságios. Basicamente a antiga civilização Maia - cujo império teve seu apogeu entre 250 e 900 d.C. onde hoje é o México e a América Central -, tinha um calendário preciso, complexo e holístico, prevendo com exatidão vários acontecimentos - como a chegada do homem branco, o sanguinário espanhol Hernan Cortez, a 8 de Novembro de 1519. Este mesmo calendário anuncia que algo de muito grave se passará no solstício de inverno de 21 de dezembro de 2012. Tão grave que o mundo tal como o conhecemos desaparecerá. Fala-se também dos profetas medievais, que garantiram que neste século o aquecimento global provocará uma mudança do campo magnético terrestre, levando a um desastre global. Em termos históricos, em todas as eras existiram previsões de um fim próximo. Sempre foi assim e, possivelmente, sempre será. Mas será que a humanidade encontrará o seu fenecimento desencadeado por enchentes apocalípticas, chuvas de asteróides de impacto mortal ou fulminada por terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas e outros desastres? Os cientistas descartam cenários tão drásticos, apenas alguns têm explorado um drama inevitável que teria origem no derretimento das calotas polares. Portanto, o propagado aquecimento global é fator de destruição gradativa e progressiva do planeta em que vivemos. Basta lembrarmos as ocorrências recentes de diversas situações de desequilíbrio climático em diferentes pontos da Terra. Foram registrados no ano passado, 245 desastres naturais em todo o mundo, causando cerca de 7.000 mortes. A administração dos recursos naturais tem se mostrado, de modo geral, a pior possível. O lixo produzido por um modelo de vida consumista e descartável polui todos os mananciais de água, inclusive os mais profundos. A emissão de gases poluentes é uma realidade em uma sociedade na qual se consome, cada vez mais, máquinas movidas a fontes combustíveis. A falta de reposição equilibrada do que é velozmente sugado (árvores, água etc.) se transformou em um hábito irresponsável em dimensões inimagináveis, justificando uma comiseração pessimista. Há movimentos ecológicos e políticos tentando a redução de tal comportamento, mas são ínfimas as mudanças significativas. Sendo assim, o fim do mundo é inevitável? Os Maias estavam corretos? Com a palavra, o leitor.


(22 de
maio/2010)
CooJornal no 685


Antonio Júnior, 
escritor, poeta,  jornalista e fotógrafo. 
RN
Autor de “Se um Viajante numa Espanha de Lorca” e "SUAVE É O CORAÇÃO ENAMORADO", entre outros.
antonio_junior2@yahoo.com 
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-012.htm
www.elgitano.blig.ig.com.br
www.cinzasdiamantes.blogspot.com