05/02/2011
Ano 14 - Número 721

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ANTONIO  NAHUD JÚNIOR



Antonio Nahud Júnior



SEAN CONNERY NO MUNDO DE JAMES BOND


Antonio Nahud Júnior - CooJornal


A trajetória de SEAN CONNERY é quase um conto de fadas. Começou como leiteiro em sua terra natal, a Escócia, e hoje leva o título de Sir e o reconhecimento como um dos maiores astros do cinema. Até sua primeira oportunidade na vida artística, serviu na Marinha Real e trabalhou como motorista de caminhão, operário, padeiro, salva-vidas, fisiculturista e modelo vivo para artistas. Por insistência de um amigo, em 1953, aos 23 anos, fez testes para uma peça musical. Aprovado – mais pela estampa, ele reconhece -, dois anos depois estrearia no cinema. Após trabalhos menores no cinema inglês, o sucesso surgiu em 1962, quando os produtores Harry Saltzman e Robert Broccoli o contrataram para viver James Bond, o agente inglês com licença para matar. Com “007 Contra o Satânico Dr” estava lançada uma das mais bem sucedidas séries cinematográficas, que resiste há quase 50 anos, e da qual Connery fez seis filmes oficiais e um independente, marcando o personagem de maneira definitiva. Afinal, quem não recorda a frase emblemática: “Meu nome é Bond. James Bond”?

O ator escocês foi o mais espetacular 007 que o cinema já viu. Sexy, valente, atrevido, destemido e elegante espião a serviço de sua majestade britânica, tornou-se um dos nomes fundamentais da cultura pop dos anos 1960. Frio na hora de matar e galanteador com as mulheres, o ícone nunca foi uma unanimidade, acusado de violento e machista, mas se beneficiou de um fã célebre – o presidente dos EUA, John Kennedy, notório mulherengo, que declarou não haver filme melhor para desanuviar as pressões do cargo. Depois da estréia, SEAN CONNERY repetiu o herói em “Moscou Contra 007”, “007 Contra Goldfinger”, “007 Contra a Chantagem Atômica”, “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” e “007 - 0s Diamantes São Eternos”. Em 1971, deixou o personagem para investir numa carreira diversificada. Mais de dez anos depois, no entanto, atendeu aos apelos dos produtores e do público, voltando a participar de uma nova aventura do espião em “007 - Nunca Mais Outra Vez”. Produção de menor qualidade, com um Connery envelhecido, se revelou um fracasso de crítica e de bilheteria. Só que o ator nunca ficou restrito ao papel e, antes mesmo de abandoná-lo, usou a popularidade que a série lhe proporcionava para participar de projetos artisticamente mais ambiciosos, filmando com Alfred Hitchcock, Richard Brooks, Fred Zinnemann, Sidney Lumet, Martin Ritt e John Huston.

Alto e charmoso, sua presença na tela é marcante, fixando a personalidade, os gestos e o inconfundível modo de falar de James Bond, numa combinação de charme e virilidade exigida pelo papel. Hoje é considerado o melhor intérprete do herói literário criado por Ian Fleming em 1953. “Admito que me pagam muito bem, mas eu mereço. Afinal, nem as prostitutas, rodando bolsinha, foram mais abusadas do que eu na tela dos cinemas”, disse na época. Conquistador nato, na vida real Lana Turner não resistiu aos seus encantos em “Vítima de uma Paixão” (1958), assim como Tippi Hedren em “Marnie - Confissões de uma Ladra" (1964) e Lorraine Bracco em "Medicine Man - O Curandeiro da Selva" (1992). Das bond-girls nem se fala. Quase todas acabaram na sua cama. Ele tirou do sério beldades como Ursula Andress, Claudine Auger e Jill St. John. Bond foi também a principal inspiração para que os diretores George Lucas e Steven Spielberg criassem o herói Indiana Jones. Em sua homenagem, escolheram o ator para viver o pai do herói em “Indiana Jones e a Última Cruzada” (1989).

Com grande versatilidade e uma presença que define a palavra carisma, SEAN CONNERY vem se destacando há décadas. Em 1999, aos 69 anos e careca (sua calvície começou aos 21 anos, usando peruca nos filmes de 007), a revista “People” elegeu-o com o homem mais sexy do século. Levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Os Intocáveis” (1987). Na vida pessoal, casou-se com a atriz Diane Cilento (de 1962 a 73) e, após a separação, ela escreveu um livro contando como ele foi péssimo marido. Desde 1975, vive com outra atriz, Michelline Roquebrune. Aos 81 anos, com mais de 60 filmes no currículo e sem exibir sinais aparentes de cansaço, continua muito charmoso. Nos últimos anos, decepcionado com o sistema de Hollywood, parou com o cinema. Anda escrevendo um livro sobre sua vida, onde promete contar tudo.


CONNERY COMO JAMES BOND

007 – CONTRA O SATÂNICO DR. NO (1962),
de Terence Young.
James Bond investiga o desaparecimento de um agente britânico. Durante as investigações descobre o esconderijo do cientista Dr. No (Joseph Wiseman), um louco que pretende desviar o rumo dos foguetes norte-americanos.
Bond-girl: Ursula Andress.

MOSCOU CONTRA OO7 (1963),
de Terence Young
James Bond é incumbido de ajudar uma agente soviética a fugir de seus país, para então tentar recuperar um leitor de códigos na embaixada russa, em Londres. Porém, não sabe que a terrível organização criminosa Spectre planejou esta armadilha no intuito de executá-lo.
Bond-girl: Daniela Bianchi.

007 – CONTRA GOLDFINGER (1964),
de Guy Hamilton
James Bond desta vez é encarregado de espionar o poderoso milionário Goldfinger (Gert Frobe), pois as remessas de ouro que ele possui em vários países podem esconder ações criminosas. Após ser capturado, Bond descobre que Goldfinger tem planos muito maiores, ele pretende roubar as reservas americanas guardadas no Fort Knox.
Bond-girl: Honor Blackman.

007 – CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA (1965),
de Terence Young
O espião James Bond tenta evitar que a Spectre destrua Miami por meio de uma bomba. A organização criminosa exige um pagamento de 100 milhões de dólares em diamantes para não explodir a cidade e Bond tentará impedir a ação sem o cumprimento das exigências.
Bond-girl: Claudine Auger.

COM 007 SÓ SE VIVE DUAS VEZES (1967),
de Lewis Gilbert
Durante uma missão no espaço, uma nave americana desaparece da sua órbita. James Bond é designado para investigar o caso, sua situação se complica quando uma espaçonave soviética some nas mesmas circunstâncias. Bond é obrigado a resolver a situação em poucos dias para evitar que ocorra a Terceira Guerra Mundial.
Bond-girl: Karin Dor.

007 – OS DIAMANTES SÃO ETERNOS (1971),
de Guy Hamilton
Bond vai a Las Vegas investigar o desaparecimento de diamantes e descobre o envolvimento de seu arquiinimigo, Blofeld (Charles Gray).
Bond-girl: Jill St. John

OO7 – NUNCA MAIS OUTRA VEZ (1983),
de Irvin Kershner
James Bond é convocado para reaver bombas nucleares roubadas pela Spectre, uma terrível organização criminosa que pretende lançá-las em cidades norte-americanas. Mas terá que enfrentar uma sexy assassina profissional, contratada especialmente para eliminá-lo.
Bond-girl: Kim Basinger

 

(05 de fevereiro/2011)
CooJornal no 721


Antonio Júnior, 
escritor, poeta,  jornalista e fotógrafo. 
RN
Autor de “Se um Viajante numa Espanha de Lorca” e "SUAVE É O CORAÇÃO ENAMORADO", entre outros.
antonio_junior2@yahoo.com 
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-012.htm
www.elgitano.blig.ig.com.br
www.cinzasdiamantes.blogspot.com 


  
 

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