30/04/2011
Ano 14 - Número 733

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ANTONIO  NAHUD JÚNIOR



Antonio Nahud Júnior



BILLY WILDER: MELHOR É IMPOSSÍVEL


Antonio Nahud Júnior - CooJornal




BILLY WILDER (1906-2002) é um dos diretores que mais admiro. Realizou dramas e policiais noir fabulosos, satisfazendo o público sem deixar de apostar na inteligência e sem perder a qualidade. Entretanto, lembrarei aqui apenas suas miraculosas comédias. Quem não se recorda de “Quanto Mais Quente Melhor/Some Like it Hot” (1959)? Sem dúvida nenhuma uma das melhores farsas da história do cinema, destacando-se também por um final irreverente que beira a perfeição. Fazer rir não é nada fácil e o diretor austríaco sabia fazê-lo como poucos. Títulos como “O Pecado Mora ao Lado/The Seven Year Itch” (1955), “Se Meu Apartamento Falasse/The Apartment” (1960) e “Uma Louca por um Milhão/The Fortune Cookie” (1966), entre outros, definem os seus filmes popularmente conhecidos como “comédias ácidas”: uma série que resume as melhores virtudes do realizador, no sentido de fazer humor com uma espécie de sentimento amargo, ou seja, com críticas sociais cáusticas ou, no mínimo, com fábulas a respeito do comportamento urbano, não abrindo mão de subverter os valores e provocar o público com sabedoria. Ele também dirigia com magia comédias românticas e algumas delas se tornaram clássicas: "Sabrina/idem" (1954), focada no triângulo amoroso entre a filha (Audrey Hepburn) do motorista de uma família rica, o filho playboy (William Holden) e seu irmão mais velho (Humphrey Bogart); e “Amor na Tarde/Love in the Afternoon” (1957), estrelada por um trio de ouro (a mesma Audrey, Gary Cooper e Maurice Chevalier). Já suas comédias “perversas”, fascinantes em seu agudo retrato das chamadas obsessões do norte-americano médio, são um bom exemplo da maestria do realizador, que balança entre a dissimulação e a denúncia, com um conjunto de personagens multidimensionais e uma sátira cruel que, ainda nos dias de hoje, mantêm toda a sua frescura e atualidade.

Indicado ao Oscar vinte e uma vezes, tendo conquistado seis estatuetas, duas delas como diretor, BILLY WILDER só estreou como cineasta em Hollywood depois de escrever muitos roteiros inteligentes para gente do primeiro time, dentre eles o seu mestre Ernst Lubitsch, Mitchell Leisen e Howard Hawks. O seu primeiro filme norte-americano, a hilária comédia de enganos “A Incrível Suzana/The Major and the Minor” (1942), tem como estrelas uma inacreditável Ginger Rogers e Ray Milland. Nos anos 50 dirigiu a sex-symbol Marilyn Monroe duas vezes: "O Pecado Mora ao Lado" (1955) e "Quanto Mais Quente Melhor" (1959). Em 1960, causou sensação com "Se Meu Apartamento Falasse", que ganhou os Oscars de melhor filme, direção e roteiro. Ainda na mesma década, realizou "Cupido não tem Bandeira/One, Two, Three" (1961), estrelada pelo magnífico James Cagney, que faz um diretor da empresa Coca-Cola na Alemanha, retratando as diferenças entre o lado comunista e o capitalista, antes da queda do Muro de Berlim; a engraçadíssima e amoral "Irma La Douce/idem" (1963), repetindo Shirley MacLaine e Jack Lemmon, e três anos depois, "Uma Loira por um Milhão". Nos 70 fez "A Primeira Página/The Front Page" (1974), entre outros, fracassando com “Avanti... Amantes à Italiana/Avanti” (1972). Decepcionou também com sua última comédia, "Amigos, Amigos, Negócios à Parte/Buddy, Buddy" (1981), onde um assassino de aluguel (Walter Matthau) precisa ajudar um suicida (Jack Lemmon) a reatar com sua ex-mulher.

Fabuloso diretor, mestre da ambivalência, da complexidade e da profundidade, BILLY WILDER parecia não se preocupar com a típica definição cinematográfica de mocinhos e vilões, expondo personagens apenas como seres humanos com imperfeições, muitas vezes atrapalhados numa avidez sexual disfarçada de enganos e falsas promessas. E é justamente da imperfeição humana que o diretor sempre tirou material dramático para dar vida a figuras engraçadas ou trágicas que aparecem nos filmes que escreveu, produziu e dirigiu..

 

(30 de abril/2011)
CooJornal no 733


Antonio Júnior, 
escritor, poeta,  jornalista e fotógrafo. 
RN
Autor de “Se um Viajante numa Espanha de Lorca” e "SUAVE É O CORAÇÃO ENAMORADO", entre outros.
antonio_junior2@yahoo.com 
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-012.htm
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