13/05/2011
Ano 14 - Número 735

Festival de Cannes

MICROCOSMOS DE ESTRELAS

Antonio Naud Jr


A imagem de uma jovem Faye Dunaway ("Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas", "Rede de Intrigas" etc.), fotografada pelo cineasta Jerry Schatzberg, ilustra o cartaz oficial da 64a edição do FESTIVAL DE CANNES, de 11 a 22 de maio, no sul da França, na luxuosa Riviera Francesa. Palma de Ouro em 1973 por "Espantalho/Scarecrow", Schatzberg iniciou sua carreira como fotógrafo antes de começar a dirigir filmes e este ano terá seu filme de estréia - "Entre a Fama e a Loucura/Puzzle of a Downfall Child" (1970) - exibido durante o festival, em versão remasterizada e com sua presença. É apenas uma das muitas atrações deste evento iniciado em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, com a intenção de rivalizar com a Mostra de Cinema de Veneza e encorajar o desenvolvimento de todas as formas de arte cinematográfica, bem como criar e manter um espírito de colaboração entre todos os países produtores de filmes. Embora as primeiras edições tenham passado discretamente, rapidamente captou fama internacional graças à presença de centenas de celebridades, de Kirk Douglas a Gina Lollobrigida. Hoje é um dos mais prestigiados e famosos festivais de cinema do mundo. Estive lá algumas vezes e fiquei fascinado com todo o burburinho cinéfilo.

Sophia Loren chegando ao Festival, nos anos 50

O prêmio mais cobiçado é a Palma de Ouro (Palme d’Or), que recompensa o melhor longa. Entregue pela primeira vez em 1955 a “Marty/idem”, de Delbert Mann, sucedeu ao Grand Prix, até aí dado ao melhor filme em competição. Nos anos 60, à margem da Seleção Oficial, nasceram outras seleções paralelas importantes: a “Semaine Internationale de La Critique”, em 1962, e a “Quinzaine des Réalisateurs”, em 1969. Projetadas no âmbito de retrospectivas temáticas até 2004, as obras do patrimônio são, a partir desta data, apresentadas em “Cannes Classics”, uma seleção que reúne as cópias restauradas, as homenagens às cinematografias e os documentários sobre cinema. Além de todas essas virtudes, o FESTIVAL DE CANNES movimenta um verdadeiro negócio de compra e venda de filmes, com cerca de 10 mil compradores e vendedores de todo o mundo dirigindo-se todos os anos ao evento, que se tornou o número 1 no mercado profissional cinematográfico mundial.

Embora cada edição possua o seu charme, está claro que a deste ano será muito mais excitante que a dos últimos anos: o ator francês Jean-Paul Belmondo e o cineasta italiano Bernardo Bertolucci receberão a Palma de Ouro de Honra; a competição conta com nomes excelentes, de Terrence Malick a Pedro Almodóvar (David Cronenberg e Wong Kar-Wai ficaram de fora no último instante); “Meia-Noite em Paris/Midnight in Paris”, de Woody Allen, abrirá o Festival, e “Les Bien-Aimés”, do excelente Christophe Honoré, o encerrará; fora de competição serão exibidas as novas realizações de Gus Van Sant, Bruno Dumont e Jodie Foster; Robert De Niro é o presidente do júri, que também conta com o diretor Oliver Assayas e os atores Jude Law e Uma Thurman, entre outros; pelo tapete vermelho passarão estrelas como Sean Penn, Catherine Deneuve, Johnny Depp e Brad Pitt. Serão centenas de projeções para milhares de amantes do cinema. O brasileiro “Trabalhar Cansa”, de Marco Dutra e Juliana Rojas, será exibido na mostra paralela “Um Certo Olhar” (Un Certain Regard), concorrendo ao troféu Câmera de Ouro (Caméra d’Or), que premia diretores estreantes. Além de “Trabalhar Cansa”, o longa “Abismo Prateado”, de Karim Aïnouz integra a “Quinzaine des Réalisateurs”, seleção criada por Truffaut e Godard para reforçar a presença de um cinema mais inovador e audacioso, que esse ano presta homenagem à Jafar Panahi, diretor irariano que venceu a Camera D’Or em 1995 com “O Balão Branco”. Como bem disse o cineasta Jean Cocteau, “O Festival é um microcosmos do que seria o mundo se os homens falassem a mesma língua”.


FILMES EM COMPETIÇÃO

BIRZAMANLAR ANADOLU’DA (Turquia) de Nuri Bilge Ceylan;
DRIVE (EUA) de Nicolas Winding Refn;
HABEMUS PAPAM (Itália) de Nanni Moretti;
HANEZU NO TSUKI (Japão) de Naomi Kawase;
HEARAT SHULAYIM (Israel de Joseph Cedar;
ICHIMEI (Japão)de Takashi Miike;
L’APOLLONIDE – SOUVENIRS DE LA MAISON CLOSE (França) de Bertrand Bonello;
LA PIEL QUE HABITO (Espanha) de Pedro Almodóvar;
LA SOURCE DES FEMMES (Romênia) de Radu Mihaileanu;
LA HAVRE (Finlândia) de Aki Kaurismaki;
LE GAMIN AU VÉLO (Bélgica) de Jean-Pierre e Luc Dardenne;
MELANCHOLIA (Dinamarca) de Lars Von Trier;
MICHAEL (Áustria) de Markus Schleinzer;
PATER (França) de Alain Cavalier;
POLISSE (França) de Maiwenn;
SPLEEPING BEAUTY (Austrália) de Julia Leigh;
THE ARTIST (França) de Michel Hazanavicius;
A ÁRVORE DA VIDA/The Tree of Life (EUA) de Terrence Malick;
THIS MUST BE THE PLACE (Itália) de Paolo Sorrentino;
WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN (Inglaterra) de Lynne Ramsay.


CANNES CLÁSSICO
(Filmes restaurados digitalmente)

LARANJA MECÂNICA/A Clockwork Orange (1971) de Stanley Kubrick;
CHRONIQUE D’UN ETE (1960) de Jean Rouch e Edgar Morin;
DESPAIR – UMA VIAGEM PARA A LUZ/Despair (1978) de Rainer Werner Fassbinder;
HUDUTLARIN KANUNU (1966) de Lufti Akad;
O CONFORMISTA/Il Conformista (1970) de Bernardo Bertolucci;
LA MACCHINA AMMAZZACATTIVI (1952) de Roberto Rossellini;
O ASSASSINO/L’Assassino (1961) de Elio Petri;
O SELVAGEM/Le Sauvage (1975) de Jean-Paul Rappeneau;
VIAGEM À LUA/Le Voyage dans La Lune (1902) de Georges Mélies;
O BOULEVARD DO CRIME/Les Enfants Du Paradis (1945) de Marcel Carné;
NIEMANDSLAND (1931) de Victor Trivas;
RUE CASES-NEGRES (1983) de Euzhan Palcy