30/10/2004
Número - 392

ARQUIVO
Opinião Acadêmica


DO MESMO AUTOR

- A lição de Orpheu

- A lousa, a magia, o significado e o real

- O centenário e a atualidade de Lacan

- Identificação imaginaria e razão cínica

- Portugal, Camões e o Brasil

- Imunidade / Impunidade: eis o lema do "Frankstein" pós-moderno

- A universitarização da psicanálise em questão

- Tributo a Álvaro de Sá e/ou foi preciso espantar pela radicalidade

- A psicanálise e suas novas vicissitudes

- Por que ainda se deve falar da agressividade egóica?

- Sob o signo da "Reencarnação" da Penúria

- As identificações em Jacques Lacan: uma abordagem histórico-conceitual

- Vocabulário de termos psicanalíticos
Lacan e o(s) nome(s) do pai


- Vocabulário de termos psicanalíticos
Genealogia do conceito de psicose no pensamento de Lacan


- Vocabulário de termos psicanalíticos
Sublimação


- Vocabulário de termos psicanalíticos
a psicanálise, o mal-estar e a religião


- D'outros escritos: de Roma ao real

- O Objeto a e a instância da letra

Opinião Acadêmica

PSICANÁLISE E/OU PSICOTERAPIA (?)

Prof. Dr. Antônio Sergio Mendonça


         1º) O Termo Psicoterapia deriva-se do vocábulo TERAPIA;

         2º) Este, por sua vez, tem o seu sentido dicionarizado regularmente, tanto no sentido etimológico, quanto no sentido corrente, expandindo-se nas suas acepções denotativa e conceitual. Será assim designado nos Dicionários: Novo Dicionário Aurélio, Enciclopédia e Dicionário Ilustrado Koogan/ Houaïss, e, sobretudo no Dicionário Houaïss de Língua Portuguesa. Assim sendo, nos dois primeiros, tal termo é apresentado como sinônimo de terapêutica e vice-versa (cf. pp. 1368 [Aurélio] e 824 [Koogan/ Houaïss]). Esta palavra, contudo, tem etimologicamente, ou seja, diacronicamente, origem inequívoca greco-latina: THERAPEUÕ ou THERAPEUTIKÉ, THERAPEUTICA, respectivamente. Dessa forma, com origem regular, ática e latino-clássica, respeitando, pois, as regras desinenciais (morfo-sintáticas) da deriva da língua portuguesa, irá significar (inicialmente no sentido médico e posteriormente no psíquico): “a parte da medicina que estuda e põe em prática os meios adequados para aliviar ou curar”. Por esta razão, no Koogan/ Houaïss também estará escrito: “parte da medicina que ensina a maneira de tratar as doenças” (cf. pp. 1367 [Aurélio] e 824 [Koogan/ Houaïss]);

         3º) Mas, sem dúvida, será apenas no Dicionário Houaïss que iremos encontrar o seu mais amplo e corrente sentido. Ali está dito: “qualquer técnica de tratamento de doenças e problemas”. Ou então: “tratamento de doentes”, ou ainda: “intervenção que visa tratar problemas somáticos, psíquicos ou psicossomáticos (causas e sintomas) com vistas ao estabelecimento da saúde e do bem-estar” (cf. p. 2699).

         Continuando, veremos que, em língua portuguesa, o vocábulo foi incorporado através de contexto e/ ou discurso científico-médico em 1881 (data de sua mais antiga referência encontrada).

         Tem origem regular que nos reenvia a sua clássica origem ática: THERAPÉIA e mantém, diacronicamente, sua originária acepção etimológica, onde significava: “cuidar, tratar e curar”. A isto se acrescentaria uma variante etimólogica derivada, que é ligada ao campo semântico da persuasão (que se mantém em seu sentido conceitual) e foi instalado no quinhentismo pela ação tridentina, onde se torna “cuidar, persuadir, converter”;

         4º) Porém, surgirá como uma formação prefixal (PSIQUÊ à PSICO) que se adicionará ao termo terapia, daí o termo: PSICOTERAPIA. Mas, este termo, apesar da “nobreza” prefixal, é incorporado, via estrangeirismo (galicismo e/ ou anglicismo) a um registro linguístico-conceitual, de natureza científica, em língua portuguesa. O que se explicava, principalmente, no Século XIX, quando os termos de qualquer língua corrente (alemã, no caso de Freud) passam a incorporar equivalentes latinos, vide a relação Strachey, Jones e Freud. Entretanto, o encontraremos (cf. p. 2337) no Dicionário Houaïss quando significará: “qualquer técnica de tratamento de doenças e... problemas psíquicos”;

         5º) Logo, levando-se em consideração sua clássica origem técnico-científica neste registro lingüístico de norma culta, necessitaremos buscar não apenas em dicionários, mas também em vocabulários científicos a precisão de sua acepção técnico-conceitual. Assim sendo, o vocabulário de Psicanálise de Laplanche & Pontallis nos irá mostrar que: “Num sentido mais estrito a psicanálise é muitas vezes contraposta às diversas formas de ‘psicoterapia’” e, embora, ali se reconheça que no sentido lato, ou seja, quando se confunde com sugestão, hipnose e persuasão a psicanálise possa, inclusive, ser vista como uma forma (específica) de psicoterapia, os autores terminam por estabelecer que: “sob o nome de ‘psicoterapia analítica’ entende-se uma forma de psicoterapia que se apoie nos princípios teóricos e técnicos da psicanálise, sem, todavia, realizar as condições de um tratamento psicanalítico rigoroso” (cf. p. 506 [Vocabulário]).

         Por esta razão, mesmo em sentido técnico, tanto esse termo, quanto a disciplina por ele designada não fugiriam aos limites semânticos do termo francês “Guérison” (“cura médica”) a que Lacan contrapõe “Direção da Cura” como resultante de uma “Direção de Análise”. Isto para que fique bem claro a equivalência do termo psicoterapia, quando dita psicanalítica, assim como a do vocábulo terapia, com indissociáveis acepções médicas e psicológicas. Então, parece aplicar-se a insistente suposição de a psicoterapia incluir a psicanálise a freudiana advertência de: “A Análise Leiga” (1926): “Eu quis apresentar um terceiro interesse – o da ciência. Pois não consideramos absolutamente conveniente para a psicanálise ser devorada pela medicina (e aí, a nosso juízo, se acrescentaria: pelas psicoterapias) e encontrar seu derradeiro lugar de repouso num livro de texto de Psiquiatria (ou de Psicoterapia) sob a epígrafe: “Métodos de Tratamento” ... Merece melhor destino e, pode-se esperar, o terá. Como... uma teoria do inconsciente, pode tornar-se indispensável a todas as ciências que se interessam pela evolução da civilização humana... Mas essas são apenas pequenas contribuições em confronto com o que poderia ser alcançado se historiadores da civilização, psicólogos da religião, filólogos... concordassem em manejar o novo instrumento de pesquisa a seu serviço” (cf. pp. 280/ 281 da versão portuguesa, Ed. Imago).

         E, apesar de Freud, no sentido estrito de técnica psicanalítica, ter-se também utilizado do termo Psicoterapia, por exemplo, em 1904, o ponto de vista de Laplanche & Pontallis parece ter sido literalmente apoiado, por exemplo, pelo Dicionário de Psicanálise incluído na Enciclopédia Universal da editora Albin Michel apresentada por Philippe Sollers. Assim, (Freud) no “Über Psychoterapie”, vertido literalmente, na tradução francesa da obra de Freud, apenas significa: “De la Psychoterapie” e conceitualmente: “De la Téchnique Psychanalytique”.

         Freud, sem dúvida, adota o termo, mas não como um campo que incluísse a psicanálise, nem tampouco, como sinônimo desta, e sim no sentido estrito já assinalado: o de técnica de tratamento.

         Mas, voltando-se ao Dicionário francês, é ali dito que: “Define-se habitualmente psicoterapia como um tratamento realizado por procedimentos psicológicos... que se reserva (a designar) os efeitos da relação que se estabeleceu entre o paciente e o terapeuta”; Ou ainda: “A Psicoterapia se caracteriza não por seu objeto, mas por sua técnica, e ela, efetivamente, não se aplica ao tratamento de ‘doenças mentais’...; e sim a determinadas dificuldades de adaptação que não possuam um estatuto psicológico bem definido, porém inversamente, as ‘doenças mentais’ não lhe são accessíveis” (cf. p. 695).

         E, para concluir essa parte, reproduziremos um trecho de um debate ocorrido após uma sessão clínica na Escola Freudiana de Paris entre Jacques Alain-Miller e Jacques Lacan (cf. publicação na revista Dizer nº 13 da Escola Lacaniana de Psicanálise/  p. 14). “-Jacques Alain-Miller: Tenho ainda algo a lhe perguntar, que diz respeito à prática da psicoterapia, de que deveremos falar nesta sessão clínica. Você há pouco soltou esta fórmula com toda franqueza: “a psicoterapia leva ao pior”:.“As psicoterapias valem a pena?”

         “-Jacques Lacan: É certo, não vale a pena “terapiar” o psiquismo. Freud também achava isto. Ele achava que não era preciso se apressar em curar. Não se trata de sugerir, nem de convencer. A clínica psicanalítica deve consistir não só em interrogar a psicanálise, mas em interrogar os analistas... (o) que justifica Freud ter existido!”

         Em suma, nas suas acepções comuns e/ ou conceituais dicionarizadas, bem como nas indicações dos Dicionários e Vocabulários de Psicanálise consultados, o termo Psicoterapia não só não se afasta das acepções: técnicas de tratamento, sugestão, persuasão (convencimento), mas também de suas íntimas relações com a psicologia. Ali, também, se acentua a incompatibilidade com o Inconsciente, isto por não considerar neste a pré-condição da linguagem (Freud) e muito menos a questão do Inconsciente-Real de Lacan. Logo, se Psicoterapia é uma técnica de tratamento, tomar a psicanálise como tal, revoga completamente o dito freudiano em: “A Análise Leiga”, pois, terapêutico (ali, médico) é gênero e psicoterapêutico (aqui, psicólogico) é espécie. Com isto percebe-se que até o imaginário linguístico já distingue a Psicoterapia da Psicanálise, até porque se fossem equivalentes, o que não é o caso, valeriam, também, para ela as objeções conceituais existentes contra a regulamentação da Psicanálise e já exaustivamente apontadas pela ARTICULAÇÃO DAS ENTIDADES PSICANALÍTICAS BRASILEIRAS.

         E tal fato irá gerar um “sintoma social” na acepção que lhe empresta SLAVOJ ZIZEK. E como Lacan assinalou, no Centro Cultural Francês em 1974, a Psicanálise também é um sintoma, resta saber de quê (?) No seu caso destacar-se-á a evidência do mal-estar na cultura, contudo, nesta “terra de ninguém” em que transformaram a psicanálise por força de sua “pretendida regulamentação”, o que será sintomatizado, ainda que imaginariamente, será a exigência da “reserva de mercado” por suposição de com isto se suprir os efeitos da retração econômica. Embora, sem súvida, se dissimule tal evidência com argumentações “bom mocistas” dirigidas, no melhor estilo da “razão cínica” destacada por Zizek, ao dito “interesse público”, mas que, de fato, remetem-nos aos imperativos próprios de um ideologismo sindical. E eis-nos diante, novamente, do “advogar” privilégios como se fossem direitos...

         Todavia, antes de nos determos na indicação dos catastróficos efeitos deste equívoco, presentes em seu desdobramento universitário-sindicalizante, quanto à questão da formação em psicanálise, gostaríamos, fazendo, de certa forma, a afirmação do óbvio, de que fosse lembrado o fato de há muito ser do conhecimento de Jacques Lacan a equivalência conceitual entre VERSAGUNG e renúncia.

         Porém, a questão nos parece algo mais complexa. Lacan, também, por isto, não confundirá VERSAGUNG com FRUSTRAÇÃO. Bastará, para tal, uma consulta ao texto de seu Seminário, dos anos 50, intitulado: “A Relação de Objeto”. Lá a FRUSTRAÇÃO será hiperdeterminada à Inibição, incluindo, assim, em seu ensino, a lição freudiana de 1926 sobre: “Inibição, Sintoma e Angústia”. Desse modo, Lacan irá incorporar a seu texto esta importante, a juízo de Freud, variante sintomática da Castração, onde, no âmbito neurótico da “punição do incesto”, isto é, no “dano imaginário”, articulará Castração, Neurose e Obsessão. Já a Versagung tem mantido, noutro texto, o seu literal e lingüístico sentido de renúncia, só que, conceitualmente, que é o que nos importa, implicará, do ponto de vista do estudo da Resistência em Psicanálise, na observação do risco contra-transferencial (do analista) caso não haja (da parte deste) seja a suspensão dos efeitos, seja a renúncia aos efeitos  do que de angústia o relato do analisando portar e suscitar (como afetação do analista).

         Logo, não se trata apenas de encontrar um literal equivalente lingüístico (em português) para o termo traduzido, mas também de ser mantida a precisão conceitual que o termo tinha no pensamento e na língua originais. Sabe-se, pois, que, enquanto variante da castração que, por sua vez, se sobredeterminava ao sintoma, e, inclusive, por diferença da privação (hiperdeterminada à Angústia), a Frustração, por ser efeito Sintomático e Imaginário da Castração, combinará falta imaginária e objeto-real; e, será, como já foi anteriormente destacado, incorporante da Inibição, sendo, também, o palco do “mito individual do neurótico”. Por isto, não há como negar que verter em língua portuguesa VERSAGUNG como FRUSTRAÇÃO é um imperdoável erro lingüístico, contudo, apenas dizê-la renúncia é um óbvio erro conceitual. Logo, eis a “blague”: para não nos frustrarmos deveríamos, em nome da Psicanálise ser tomada enquanto ciência da linguagem, renunciar a sua inclusão no âmbito da psicoterapia.

         Entretanto, voltando a enfatizar o oportunismo mercadológico que visa a, paradoxalmente, dar uma “egóica aparência científica” à questão da formação em psicanálise, nós iremos, novamente, nos deparar com a “sintomática” da reserva de mercado”, que não passa de um fruto retardatário de um mal disfarçado ideologismo sindical. E, sabe-se que, determinadas instituições “soi disant” psicanalíticas (que ainda por cima se intitulam “Centro de Estudos”; e, por isto, são e/ ou deveriam ser também “Centro de Pesquisa(s)”) limitam o acesso à formação em Psicanálise ao bacharelismo (tão condenado por Lacan ao lançar Scilicet no âmbito da Escola Freudiana de Paris) burocrático da diplomação, no caso de médicos e psicólogos, pouco lhes importando que,  com isso, desautorizem, por exemplo, as obras de Sigmund Freud e Jacques Lacan, pois não só “rasgam” a “Análise Leiga” freudiana, bem como fazem “ouvido mouco de mercador” às recomendações lacaneanas de 1967. Por esta razão, tal exigência soa como uma afronta conceitual à obra de ambos.

         Freud, como já foi indicado neste trabalhado, não abonava e, mais do que isto, condenava, repudiava a vinculação e/ ou a subordinação da Psicanálise à Medicina. Fazia isso em nome da Ciência e deplorava que ela viesse a se tornar um capítulo da Psiquiatria. Por isso nos advertiu: “ninguém deve praticar a psicanálise se não tiver adquirido o direito de fazê-lo através de uma formação específica. Ser ou não médico, me parece sem importância” (cf. p. 265 da edição em língua portuguesa da Ed. Imago, RJ).

         E é de conhecimento de todos, sem dúvida, que o próprio Freud jamais abriu mão, na constituição do universo conceitual teórico-clínico da psicanálise, da influência genealógica do discurso literário, fosse esta explícita (cf. suas leituras de Jensen e Doistoievski, por exemplo), e/ou implícita, a convite de HUGO HELLER (na escolha e leitura de Anatole France e Émile Zola, por exemplo), conforme destacou o trabalho de SÉRGIO PAULO ROUANET.

         Já em relação ao não-privilégio de bacharéis em medicina e psicologia, o que não significa jamais exclusão, pois seus defensores e que querem excluir os leigos (no sentido freudiano do termo), trazemos à cena as considerações lacaneanas proferidas na Proposição de 9 de Outubro de 1967 e no Discurso na Escola Freudiana de Paris a seus Psicanalistas (na mesma data). Ali, também, se destavaca, ao lado de Freud, a importância do discurso artístico para a formação em Psicanálise e isto em detrimento da Psicologia, e é sabida a ligação de Lacan com o Círculo Epistemológico da Escola Normal Superior em cuja publicação (“Cahiers pour L’Analyse”) Canguilhem refutou qualquer pretensão científica deste campo discursivo.

         Diz-nos Jacques Lacan: “A Psicanálise adquire consistência pelos textos de Freud, esse é um fato irrefutável. Sabemos que, de Shakespeare a Lewis Caroll, os textos (artísticos) contribuem para seu pensamento e para seus praticantes”; bem como: “...quando alguém demanda uma análise para proceder, sem dúvida, no que há de confuso em seu “desejo de ser analista” (que se distingue do transferencial Desejo do Psicanalista), será esta mesma procissão que irá sucumbir de fato, por de direito já ter sucumbido, ao golpe da  unidade [objetal] da psicologia”. Isto porque também nos disse: “Ce que préserve la praxis psychanalytique, ce qu’elle comporte de nature a changer les foundements de ce qui est mis ao titre de l’universel, c’est l’inconscient. Ce qu’il (Freud) convient d’en articuler comme étant sa structure, c’est le langage, c’est l’ouvre littéraire …” (cf. C’est à la lecture de Freud. In: Cahiers Cistre, n.3, Lausanne, Edition L’Age d’Homme, 1977, pp.9/16)

         Resta-nos imaginar, como se fora um “circo dos horrores”, uma situação absurda que seria plausível e revogaria toda a lição, já demonstrada, de Freud e Lacan a este respeito. E isto piora, se ainda for levado em conta a este propósito o repúdio freudiano ao caráter repressivo deste tipo de Proibição. Imaginem, “por boutade”, que, nestas instituições, não se teriam podido inscrever, na formação em Psicanálise, se quer como candidatos, nomes como os de: Theodor Reik ei-lo, novamente (novamente, e Freud não estaria mais vivo para defendê-lo...); Melanie Klein (educadora, pedagoga e a psicanálise teria perdido uma de suas maiores consolidadoras); Octave Mannoni (antropólogo);  Slavoj Zizek (Cientista Social), Jean-Claude Milner e Jacques Alain-Miller (originariamente do Círculo Epistemológico da Escola Normal Superior), Jacques Derrida e Robert-Dufour (filósofos e pensadores), Sérgio Paulo Rouanet (Doutor em Política) e Peter Gay (pensador e biógrafo de Freud). Logo, não seriam sequer “alunos” dos supostos “geniais professores” que, sem dúvida, tanto no âmbito científico-conceitual, quanto teórico-clínico, contribuíram, possivelmente, bem mais do que eles para a consolidação do pensamento e da prática da psicanálise... É óbvio que nem todos são analistas, como também é óbvio que a maioria dos citados o são, e não se trata de fazê-los analistas sem que participem da transmissão da formação em psicanálise, trata-se sim, de lhes ser vedado, por expedientes burocráticos de fundo sindical, o acesso à formação em Psicanálise. E, além do que, uma das instituições que assim procede homenageou recentemente a Elizabeth Roudinesco (historiadora de formação), sem comentário...

         Por estas e outras, e não pelo ideologismo comportamental, egóico, sexual e social sempre alegados, é que a Psicanálise é dita “em crise”...


Prof. Dr. Antônio Sérgio de Lima Mendonça;
Prof. Titular de Fundamento da Comunicação e da Arte da Universidade Federal Fluminense, (1978);
Mestre em Letras (Lingüística) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, (1973);
Doutor em Poética (Estética) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, (1977);
Docente-Livre (Pós-Doutor/ 1989) em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro;
Diretor de Ensino do Centro de Estudos Lacaneanos/ Instituição Psicanalítica (Porto Alegre) (desde de 1990), (celacan@celacan.com.br ).