Arlete Moreira dos Reis



DE QUE É FEITO O CARINHO?


Nosso mundo está só materialização. Os valores espirituais e morais estão sucumbindo, sucumbindo, como se estivessem na areia movediça.

As poucas pessoas que ainda sofrem com a infelicidade de um amigo, estão tentando agarrar-se, desesperadamente, em alguma coisa de bom que ainda reste, para não matar dentro delas a sensibilidade de amar ao seu próximo, de ver e sentir mais longe.

Se você não se deixar levar de roldão pelas incoerências dos outros, se você uma vez sequer pretende mostrar a sua forma de ver o problema, as pessoas não aceitam e agridem como se fôssemos robôs, automatizados, querendo impor a sua força maléfica contra nós.

Até as nossas idéias estão tolhidas. Você não pode exprimi-las livremente. Deve-se ter o cuidado de dizer somente palavras que não vão de encontro a do grupo dominante, esmagando dentro de nós a espontaneidade de expressar nossos sentimentos.

Na minha juventude pobre, cheia de obstáculos quase intransponíveis, muito sentimental, acreditando demais nas pessoas, sofri muitas injustiças e decepções e com elas construí uma longa estrada que só eu passeio nas minhas recordações, procurando entender aqueles que me feriram, sem saber o que estavam fazendo.

O nosso espírito é como uma pedra preciosa no estado bruto. Vai se lapidando aos poucos com as boas ações que praticamos, com o perdão e a compreensão que devemos dar àqueles que nos magoam, muitas vezes por total ignorância da vida.

Digo a vocês que, embora tenhamos chagas que jamais se fecharão, decepções com aqueles que justamente acreditávamos e tínhamos até como símbolo, penso que:

O CARINHO É FEITO DE:
-sinceridade
-um abraço amigo
- um sorriso acolhedor
-uma mão que se estende em socorro
-um olhar que nos diz tudo
-uma lágrima por alguém que partiu
-compreensão de um erro cometido
-uma palavra de ânimo na hora do infortúnio


Arlete M. dos Reis é escritora
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