CooJornal - Revista Rio Total



   
Arlete Moreira dos Reis



O ADOLESCENTE E A FAMÍLIA


O
adolescente é um ser em transição. Seu corpo passa por modificações externas e internas. O metabolismo trabalha intensamente com o funcionamento das glândulas gônodas nos meninos, e os ovários nas meninas. Em face do trabalho hormonal, o adolescente torna-se inquieto, há o desequilíbrio emocional. Se irrita com tudo, sente-se inseguro, precisa afirmar-se. Ele ainda não é adulto, mas, também, não é criança. Esta passagem o deixa nervoso. Muitas vezes não sabe como comportar-se diante de certas situações. Uma hora, brigam com ele dizendo que não é mais criança, outra, repelem-no porque não é ainda um homem e, nessa situação, vive em constante insegurança.

O adolescente sente a necessidade de afirmação. Por essa instabilidade emocional, exagera nos seus atos, na maneira de falar (alguns criam até vocabulário próprio entre si e que só eles entendem), na maneira de vestir, é agressivo com os pais, com os irmãos, com os avós, mas, tudo isso deve ser encarado de modo natural e compreendido pelos que o cercam. É uma idade de incertezas de rumos, de definição dentro da sociedade em que vive. Ora é agressivo, ora é tímido, ora é brincalhão. Esta é uma fase transitória, passará logo se o adolescente encontrar apoio, paciência, diálogo, liberdade vigiada.

É  preciso que pais e professores participem ativamente com ele. Os educandários devem preocupar-se com a prática de esportes dentro de seus colégios. Nos esportes o adolescente pode extravasar emoções às vezes reprimidas, como xingar, gritar, pular, tudo dentro de um contexto salutar.

Em casa, os pais devem tomar cuidado na maneira de tratar os seus filhos. Os adolescentes precisam ser compreendidos sem exageros, sem tirania. Meçam as palavras quando chamar a atenção de seus filhos. Lembrem-se de que uma ofensa machuca mais do que alguns tapas. Uma palavra ofensiva, dependendo do estado de espírito do adolescente o revoltará bastante. Todas às vezes que ele se lembrar dela, não verá os seus pais como amigos e sim inimigos dos quais ele quer se vingar.

Começa aí o sofrimento das famílias que vêem seus filhos acompanhados de maus amigos, deixando-se influenciar por eles. Sentem o desprezo dos filhos que ficam surdos aos seus conselhos e se transportam inteiramente para aqueles que como eles são também carentes de compreensão, são também uns revoltados. E, como semelhante atrai semelhante, o que se pode esperar é a total infelicidade daqueles adolescentes, levados pelas más companhias para um mundo totalmente errado, o que poderia ter sido evitado, se seus pais tivessem o cuidado de orientá-los com amor, compreensão, dando-lhes uma liberdade vigiada, trazendo seus colegas para dentro de casa, sabendo mostrar-lhes o caminho certo da vida, sem ferir a sua frágil sensibilidade. É importantíssimo que os pais imponham limites aos filhos. Não se pode dizer sim, sempre. Eles não podem ter total liberdade de ação. Precisam dar satisfação aos pais, dizer para onde vão, com quem vão e reconhecer que nem sempre um não, é sinal de intolerância dos pais, e sim, demonstração de cuidado, carinho e amor.

Outro fator muitíssimo importante é que os pais dêem aos adolescentes um clima de harmonia dentro do lar. As divergências entre o casal devem ser discutidas entre eles, dentro do maior respeito mútuo. Jamais um dos cônjuges deve manifestar, perante seus filhos, a permanência no lar, somente por causa deles. Isto tornaria um ambiente pesado que, certamente, seria logo captado pelos adolescentes.

A família é o grande sustentáculo da sociedade. Todo o dia você deve querer estar casado com aquele homem, com aquela mulher. A cada dia o casamento deve ser renovado. As mágoas tratadas para serem curadas. É como uma plantinha no vaso, ela deve ser regada e cuidada todos os dias para crescer viçosa e enfeitar o ambiente em que está. Não há casamento perfeito, nem casamento seguro, se não cuidar dele todo dia, ele acaba. Se nada disso acontecer, o relacionamento desses adolescentes com o mundo exterior será sensivelmente prejudicado.  Eles se tornarão rebeldes e procurarão nas más companhias uma forma de vingar-se da situação que os desola.

Se o adolescente for tratado com atenção e carinho dentro de um lar harmonioso, logo superará a fase inquietante e se tornará um adulto responsável, cumpridor de suas obrigações, amável com sua família e com a coletividade. Certamente, procurará de forma racional, soluções para seus problemas e as encontrará sem a necessidade de ferir para se auto-afirmar.


(junho 2001)


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

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