CooJornal - Revista Rio Total




Arlete Moreira dos Reis


SUPLETIVO DA DENGUE

Finalmente o Conselho de Medicina, diante do caos que o mosquito instalou nas unidades médicas, principalmente nas do Rio de Janeiro, resolveu instituir um curso para os médicos, de todas as especializações, sem exceção. Não é obrigatório, mas os que têm responsabilidade deveriam se inscrever para melhor avaliar os pacientes que os procuram e poderem diagnosticar com precisão o quadro da Dengue.

A população está acertando mais no diagnóstico da Dengue do que os próprios médicos. Eles estão perdidos, sem saber lidar com a doença, nem sequer identificá-la, a estão tratando como se fosse gripe. Essa história de dizer que se você tem a Dengue uma vez poderá ter a hemorrágica da segunda, isso é um mito. Várias pessoas tiveram Dengue hemorrágica na primeira vez que contraíram a doença. Aquelas pintinhas vermelhas que aparecem no corpo é hemorragia. São quatro tipos de hemorragia: branda, leve, forte e fatal, que leva ao óbito em 24 horas.

A filha da vizinha começou se sentindo mal, com febre branda, dor na barriga e no estômago, muita dor por baixo da costela e achou que estava gripada. Não ligou muito. Tomou uma aspirina para a gripe, continuou sentindo-se mal. Mesmo assim, resolveu ir para o trabalho. Continuou nos afazeres do escritório, até que, não agüentou mais, quase desfaleceu. Levada para o hospital, o médico ficou sem saber diagnosticar o seu quadro. A febre altíssima, nada no estômago parava, nem água, a dor insuportável , pálida, uma cor esquisita que ia do amarelo ao esverdeado. Dizia que sentia como se estivesse com um paralelepípedo no estômago, ele mandou fazer o teste da gravidez, talvez estivesse grávida. Negativo, não estava. Fez também uma endoscopia, constatou que estava com uma gastrite leve. A medicou e mandou para casa. No dia seguinte, a paciente volta ao hospital, fraca, mal podia ficar em pé. Por insistência do marido, foi internada. O soro foi aplicado para hidratá-la e suprir o corpo, já que não mais se alimentava.

Graças a Deus, resolveu fazer o exame de sangue para tentar saber qual era a doença da paciente, chegando o resultado, as plaquetas estavam lá embaixo. Mesmo assim, o médico dizia que ainda não sabia o que diagnosticar, precisava fazer mais exames. E foram tantos os exames que ainda não conseguiu dizer o que realmente a paciente teve, embora todos que iam visitá-la, ao contar os sintomas, eram unânimes em dizer: você está com dengue.
Após quatro dias, de volta para casa, parecia que tinha engordado uns cinco quilos, estava muito inchada, os vizinhos diziam que talvez tenha sido o resultado de tanto soro, mas logo ficaria no peso normal, os rins se encarregariam de eliminar o líquido retido. Essa explicação deveria ser dada pelo médico, mas nada lhe disseram. Como cada um de nós tem um pouco de médico e de louco, cada um arriscava o seu palpite.

Ao encontrar com um velho médico, amigo da família, relatei o ocorrido, ele coçou a cabeça e me disse: - esse mosquito também transmite a febre amarela e a malária, tem hábitos diurnos, voa na altura da cintura. O importante é você dizer aos vizinhos doentes para tomarem bastante água, comerem sopa passada no liquidificador e, informar a todos que conhece , que ao sentir dor de cabeça, enjôo, dor nas articulações, nos músculos, olhos, estômago e febre alta, não tome remédio algum em casa, corra para um hospital ou posto de saúde.

A verdade minha gente, é que as campanhas contra o Dengue estão muito tímidas. As autoridades mascaram os dados, estão morrendo mais pessoas por dia do que o anunciado. Os hospitais não estão dando conta de tantos doentes. O problema é muito maior do que se apresenta. Vai do casebre em Irajá à cobertura na Vieira Souto. Ataca do contínuo ao presidente da FIRJAN.

A Prefeitura deveria incentivar aos catadores de papel e latinhas a também recolherem os recipientes plásticos e garrafas de vidro. Assim acabaríamos com tanta garrafa e plásticos cheios de água acumulada quando chove. E a cada um de nós cabe a responsabilidade de bem cuidar do seu espaço, monitorando os vasos de plantas, as caixas d'água se estão bem tampadas, as piscinas, os jardins.

(março 2002)


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

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