| Arlete Moreira dos Reis
DIA DAS MÃES
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Mês de Maio, mês das flores, mês das
noivas, mês das mães. Que mês bonito este!
O segundo Domingo do mês de maio é especial, se homenageia as mães. Neste dia tenho um
compromisso inadiável, levar flores para mamãe no Jardim da Saudade, rezar ali no seu
túmulo, conversar um pouco com ela, contar da vida, pedir-lhe abenção e que olhe sempre
por mim.
Na semana que antecede à data, as ruas ficam cheias, o movimento do comércio é
esfusiante. Caminho pelas ruas da cidade e lá estão as lojas com suas vitrines
enfeitadas com grandes corações: Não esqueçam da mamãe, levem o seu presente para
ela! incentivando os passantes a entrar e comprar seu presente .
Olho ao redor e vejo uma senhora maltrapilha, sentada na calçada, rodeada de filhos,
estendendo a mão à caridade pública e ninguém pára, ninguém a enxerga, nem um olhar
lançam para ela.
Fico pensativa. Em que mundo vivemos. O Dia das Mães é a festa dos comerciantes, a
alegria de quem pode meter a mão no bolso e saciar o seu desejo de consumo. - mas aquela
senhora? Como deve se sentir? - Ela também pariu, sofreu as dores do parto, chorou pelos
filhos doentes, passou noites na calçada, sem dormir porque choravam de fome.
Continuei a observar aquelas pessoas cheias de sacolas, escolhendo roupas, bijuterias,
eletrodomésticos, quase atropelando a pedinte que continuava na calçada e senti o
coração apertar.
As pessoas falam tanto em violência, se sentem ameaçadas diuturnamente, mas não será
isto uma grande violência contra aquela pobre mãe e tantas outras? A insensibilidade do
ser humano é terrível. Fere fundo, violenta o ser, que muitas vezes, de tão revoltado
com as gritantes diferenças sociais, se rebela e se volta contra essa sociedade
consumista, chegando muitas vezes ao crime.
O Dia da Mamãe é todo o dia! Levados pela propaganda de massa, muitos filhos compram o
presente sem nenhum sentimento, apenas devem aparecer na família, com o seu presente na
mão. Há muitos filhos, mais do que o leitor possa imaginar, que dentro do seu lar não
enxergam sua mãe para dar-lhe apenas um Até logo, um Bom-dia.
Ao invés dos lojistas fazerem grandes corações para lembrar que um presente deve ser
comprado, deveriam mudar o marketing e escrever dentro desses corações:
DÊ UM BEIJO E UM ABRAÇO EM SUA MÃE! NÃO ESQUEÇA!
DIGA-LHE: TE AMO, VOCÊ É MUITO IMPORTANTE PARA MIM!
Estes gestos e palavras seriam o presente que alegraria o
coração de todas elas.
(11 de maio/2002)
CooJornal no 258
Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa
arletemr@ig.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm