CooJornal - Revista Rio Total


11/05/2002
Número - 258




Arlete Moreira dos Reis


DIA DAS MÃES

Mês de Maio, mês das flores, mês das noivas, mês das mães. Que mês bonito este!
O segundo Domingo do mês de maio é especial, se homenageia as mães. Neste dia tenho um compromisso inadiável, levar flores para mamãe no Jardim da Saudade, rezar ali no seu túmulo, conversar um pouco com ela, contar da vida, pedir-lhe abenção e que olhe sempre por mim.

Na semana que antecede à data, as ruas ficam cheias, o movimento do comércio é esfusiante. Caminho pelas ruas da cidade e lá estão as lojas com suas vitrines enfeitadas com grandes corações: Não esqueçam da mamãe, levem o seu presente para ela! incentivando os passantes a entrar e comprar seu presente .
Olho ao redor e vejo uma senhora maltrapilha, sentada na calçada, rodeada de filhos, estendendo a mão à caridade pública e ninguém pára, ninguém a enxerga, nem um olhar lançam para ela.

Fico pensativa. Em que mundo vivemos. O Dia das Mães é a festa dos comerciantes, a alegria de quem pode meter a mão no bolso e saciar o seu desejo de consumo. - mas aquela senhora? Como deve se sentir? - Ela também pariu, sofreu as dores do parto, chorou pelos filhos doentes, passou noites na calçada, sem dormir porque choravam de fome.

Continuei a observar aquelas pessoas cheias de sacolas, escolhendo roupas, bijuterias, eletrodomésticos, quase atropelando a pedinte que continuava na calçada e senti o coração apertar.

As pessoas falam tanto em violência, se sentem ameaçadas diuturnamente, mas não será isto uma grande violência contra aquela pobre mãe e tantas outras? A insensibilidade do ser humano é terrível. Fere fundo, violenta o ser, que muitas vezes, de tão revoltado com as gritantes diferenças sociais, se rebela e se volta contra essa sociedade consumista, chegando muitas vezes ao crime.

O Dia da Mamãe é todo o dia! Levados pela propaganda de massa, muitos filhos compram o presente sem nenhum sentimento, apenas devem aparecer na família, com o seu presente na mão. Há muitos filhos, mais do que o leitor possa imaginar, que dentro do seu lar não enxergam sua mãe para dar-lhe apenas um Até logo, um Bom-dia.

Ao invés dos lojistas fazerem grandes corações para lembrar que um presente deve ser comprado, deveriam mudar o marketing e escrever dentro desses corações:

DÊ UM BEIJO E UM ABRAÇO EM SUA MÃE! NÃO ESQUEÇA!
DIGA-LHE: TE AMO, VOCÊ É MUITO IMPORTANTE PARA MIM!

Estes gestos e palavras seriam o presente que alegraria o coração de todas elas.


(11 de maio/2002)
CooJornal no 258


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

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