CooJornal - Revista Rio Total


13/07/2002
Número - 267




Arlete Moreira dos Reis


 VIOLÊNCIA

Em tempos tão difíceis pelos quais estamos passando, onde as pessoas não têm o mínimo de tranqüilidade para ir e vir a qualquer lugar sem carregar o medo de serem molestadas, tem-se notícias de que uma Guarda Municipal ao multar o carro de um estudante de direito, cujo pai é um desembargador dos mais conhecidos no meio jurídico, é intimada a retirar a multa e, corajosamente, negou-se a fazê-lo. Por isso, recebeu do desembargador voz de prisão por desrespeito a autoridade, quando devia receber mérito por sua coragem e caráter.

Com tantas passeatas semanais clamando por PAZ, pedindo JUSTIÇA pela morte de tantos TIM LOPES, será que fazemos jus a esta paz? Será que a sociedade tem consciência do que seja um estado de paz ? A sociedade a que me refiro, não são os pobres coitados, os excluídos que moram nas favelas e que são taxados de marginais. Não são esses, eles vivem coagidos, vivem sob a lei do silêncio porque não têm proteção, não têm quem os socorra nas mínimas necessidades. Ainda é o poder paralelo que os ajuda pela total omissão do Estado.

Me refiro a camada letrada deste País, levando a julgamento uma valorosa guarda municipal que estava cumprindo o seu dever. Como a Sociedade pode ir para a televisão, para as ruas, clamar por PAZ e JUSTIÇA, se quando seus interesses são contrariados, desrespeitam qualquer norma de conduta?

Que exemplo damos às classes pobres, os excluídos, quando PODEMOS TUDO e eles não podem nada, nem o direito de viver dignamente? Será que podemos clamar por PAZ, por JUSTIÇA, tendo pelas ruas adultos e crianças descalças, dormindo pelas marquises nestas noites tão frias? Levando para as prisões pobres que cometem pequenos delitos para que saiam bacharelandos em crimes e deixando os filhos da classe alta impunes pelos crimes que cometem?

Isso também é VIOLÊNCIA. A Constituição brasileira diz que todos são iguais perante a Lei, mas a realidade do país é outra. Quem tem poder, tudo pode, não há o que respeitar. Ao trabalhador e excluídos, a força da Lei.

Passeatas não mudarão o quadro em que vivemos, temos de arregaçar as mangas e fazer alguma coisa para ajudar os menos favorecidos, dar-lhes o direito de serem cidadãos na concepção da palavra. Mudar radicalmente o modo de agir e pensar, dando exemplo de cidadania, se preocupando em oferecer uma política pública com lazer, cultura e educação para todos.


(13 de julho/2002)
CooJornal no 267


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm