| Arlete Moreira dos Reis
VIOLÊNCIA
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Em tempos tão difíceis pelos quais estamos passando, onde as pessoas
não têm o mínimo de tranqüilidade para ir e vir a qualquer lugar sem
carregar o medo de serem molestadas, tem-se notícias de que uma Guarda
Municipal ao multar o carro de um estudante de direito, cujo pai é um
desembargador dos mais conhecidos no meio jurídico, é intimada a
retirar a multa e, corajosamente, negou-se a fazê-lo. Por isso,
recebeu do desembargador voz de prisão por desrespeito a autoridade,
quando devia receber mérito por sua coragem e caráter.
Com tantas passeatas semanais clamando por PAZ, pedindo JUSTIÇA pela
morte de tantos TIM LOPES, será que fazemos jus a esta paz? Será que a
sociedade tem consciência do que seja um estado de paz ? A sociedade a
que me refiro, não são os pobres coitados, os excluídos que moram nas
favelas e que são taxados de marginais. Não são esses, eles vivem
coagidos, vivem sob a lei do silêncio porque não têm proteção, não têm
quem os socorra nas mínimas necessidades. Ainda é o poder paralelo que
os ajuda pela total omissão do Estado.
Me refiro a camada letrada deste País, levando a julgamento uma
valorosa guarda municipal que estava cumprindo o seu dever. Como a
Sociedade pode ir para a televisão, para as ruas, clamar por PAZ e
JUSTIÇA, se quando seus interesses são contrariados, desrespeitam
qualquer norma de conduta?
Que exemplo damos às classes pobres, os excluídos, quando PODEMOS TUDO
e eles não podem nada, nem o direito de viver dignamente? Será que
podemos clamar por PAZ, por JUSTIÇA, tendo pelas ruas adultos e
crianças descalças, dormindo pelas marquises nestas noites tão frias?
Levando para as prisões pobres que cometem pequenos delitos para que
saiam bacharelandos em crimes e deixando os filhos da classe alta
impunes pelos crimes que cometem?
Isso também é VIOLÊNCIA. A Constituição brasileira diz que todos são
iguais perante a Lei, mas a realidade do país é outra. Quem tem poder,
tudo pode, não há o que respeitar. Ao trabalhador e excluídos, a força
da Lei.
Passeatas não mudarão o quadro em que vivemos, temos de arregaçar as
mangas e fazer alguma coisa para ajudar os menos favorecidos, dar-lhes
o direito de serem cidadãos na concepção da palavra. Mudar
radicalmente o modo de agir e pensar, dando exemplo de cidadania, se
preocupando em oferecer uma política pública com lazer, cultura e
educação para todos.
(13 de
julho/2002)
CooJornal no 267
Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa
arletemr@ig.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm