| Arlete Moreira dos Reis
O FENOMENAL EXEMPLO
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Em meio a toda euforia pela conquista do Brasil na copa do mundo
conseguindo tornar-se pentacampeão, assistimos há muitas demonstrações
de carinho, admiração e entusiasmo pela equipe que foi tão longe nos
representar e trouxe mais uma taça, dando aos brasileiros uma
motivação para suportarem os dias tão difíceis pelos quais passamos.
Nossa moeda sofrendo desvalorização a cada dia, os preços dos gêneros
de primeira necessidade subindo nas prateleiras dos supermercados, a
gasolina tem mais um reajuste e o brasileiro nem sentiu. No momento, o
mais importante era ver os campeões desembarcando em solo pátrio e
adquirir as novas camisas com cinco estrelas, com quatro, já não
servia.
Muita alegria, trio elétrico com a propaganda de uma famosa marca de
cerveja, já que no carro dos bombeiros não pegaria bem, e segue o trio
elétrico pela cidade. Multidões acotovelavam-se nas calçadas e
passarelas da Av. Presidente Vargas para esperar os craques. De
repente, sem qualquer aviso, mudam o rumo dos campeões, viriam pela
Av.Rodrigues Alves, Cais do Porto.
O povo humilde, vindo das favelas que circundam o lugar, como o Morro
da Providência, Morro da Mineira e outras, lá estavam com sua
população carente, sem nenhum tipo de lazer oferecido pelo Estado,
aproveitando a ocasião para se distrair um pouco e ter novidades para
contar no morro. Que falta de respeito aos cidadãos, ficariam lá a ver
navios.
Já em Botafogo, os jogadores passam para o ônibus da CBF e voltam para
o Aeroporto seguindo para São Paulo. Não continuaram porque já não
agüentavam mais. Total desorganização, depois de tantas horas de vôo,
já vindos de Brasília, o lógico seria marcar o dia seguinte para
comemoração no Rio e em São Paulo. Os jogadores estavam exaustos, mas
não queriam passar para o povo essa imagem. Os mais exaltados
esqueceram os heróis que aplaudiam e passaram a uma triste agressão.
Apedrejaram, literalmente, o ônibus com os jogadores no seu interior.
Ninguém saiu ferido, dizem eles, mas o ônibus foi para a oficina. Em
Copacabana, gritavam os descontentes pela ausência dos jogadores:
:Argentina, Argentina!
A alegria de poucas horas transformou-se em decepção e muita raiva. De
aplaudidos e esperados, passam os jogadores a serem hostilizados. Um
prato cheio para o antipático Maradona e os Argentinos que, com dores
de cotovelo acharam os jogos medíocres e, invejosos, estamparam em
seus jornais: por que eles e não nós?
Com toda essa decepção, um fato novo aconteceu. Creio ter deixado a
população brasileira orgulhosa e os maus políticos envergonhados. O
fenômeno Ronaldo abriu mão dos cento e cinqüenta mil dólares que
recebeu e divide este valor com diversas entidades assistenciais,
destinando grande parte para o Instituto Nacional do Câncer, para
possibilitar ao INCA melhor atender as crianças portadoras de câncer.
Que gesto nobre!
Esse jovem é mesmo um fenômeno, seria ótimo que outros seguissem este
exemplo, tivessem esse mesmo desprendimento. Que Deus abençõe o
FENÔMENO e lhe dê muitas vitórias pela vida afora, ele merece!
(20 de
julho/2002)
CooJornal no 268
Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa
arletemr@ig.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm