CooJornal - Revista Rio Total


20/07/2002
Número - 268



Arlete Moreira dos Reis


O FENOMENAL EXEMPLO

Em meio a toda euforia pela conquista do Brasil na copa do mundo conseguindo tornar-se pentacampeão, assistimos há muitas demonstrações de carinho, admiração e entusiasmo pela equipe que foi tão longe nos representar e trouxe mais uma taça, dando aos brasileiros uma motivação para suportarem os dias tão difíceis pelos quais passamos.

Nossa moeda sofrendo desvalorização a cada dia, os preços dos gêneros de primeira necessidade subindo nas prateleiras dos supermercados, a gasolina tem mais um reajuste e o brasileiro nem sentiu. No momento, o mais importante era ver os campeões desembarcando em solo pátrio e adquirir as novas camisas com cinco estrelas, com quatro, já não servia.

Muita alegria, trio elétrico com a propaganda de uma famosa marca de cerveja, já que no carro dos bombeiros não pegaria bem, e segue o trio elétrico pela cidade. Multidões acotovelavam-se nas calçadas e passarelas da Av. Presidente Vargas para esperar os craques. De repente, sem qualquer aviso, mudam o rumo dos campeões, viriam pela Av.Rodrigues Alves, Cais do Porto.
O povo humilde, vindo das favelas que circundam o lugar, como o Morro da Providência, Morro da Mineira e outras, lá estavam com sua população carente, sem nenhum tipo de lazer oferecido pelo Estado, aproveitando a ocasião para se distrair um pouco e ter novidades para contar no morro. Que falta de respeito aos cidadãos, ficariam lá a ver navios.

Já em Botafogo, os jogadores passam para o ônibus da CBF e voltam para o Aeroporto seguindo para São Paulo. Não continuaram porque já não agüentavam mais. Total desorganização, depois de tantas horas de vôo, já vindos de Brasília, o lógico seria marcar o dia seguinte para comemoração no Rio e em São Paulo. Os jogadores estavam exaustos, mas não queriam passar para o povo essa imagem. Os mais exaltados esqueceram os heróis que aplaudiam e passaram a uma triste agressão. Apedrejaram, literalmente, o ônibus com os jogadores no seu interior. Ninguém saiu ferido, dizem eles, mas o ônibus foi para a oficina. Em Copacabana, gritavam os descontentes pela ausência dos jogadores: :Argentina, Argentina!

A alegria de poucas horas transformou-se em decepção e muita raiva. De aplaudidos e esperados, passam os jogadores a serem hostilizados. Um prato cheio para o antipático Maradona e os Argentinos que, com dores de cotovelo acharam os jogos medíocres e, invejosos, estamparam em seus jornais: por que eles e não nós?

Com toda essa decepção, um fato novo aconteceu. Creio ter deixado a população brasileira orgulhosa e os maus políticos envergonhados. O fenômeno Ronaldo abriu mão dos cento e cinqüenta mil dólares que recebeu e divide este valor com diversas entidades assistenciais, destinando grande parte para o Instituto Nacional do Câncer, para possibilitar ao INCA melhor atender as crianças portadoras de câncer. Que gesto nobre!

Esse jovem é mesmo um fenômeno, seria ótimo que outros seguissem este exemplo, tivessem esse mesmo desprendimento. Que Deus abençõe o FENÔMENO e lhe dê muitas vitórias pela vida afora, ele merece!


(20 de julho/2002)
CooJornal no 268


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

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