| Arlete Moreira dos Reis
AS ELEIÇÕES E OS CANDIDATOS
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Olá Brasil! Faz muito tempo que não conversamos. Prometi falar sobre o
burburinho das eleições, mas estava tão atarefada com as atividades de
vovó, que só agora consegui um tempo. Pensas que é fácil ser vovó pela
primeira vez? Não é não! O primeiro espirro do netinho, o coração
pula, a primeira dor de barriga é um Deus nos acuda e os pais de
primeira viagem esquecem que também sou avó nas mesmas circunstâncias,
mas, cuidados à parte, vale à pena.
Voltando ao assunto eleições, queria te dizer que não está fácil
escolher candidato para te governar. Eu que já vivi algumas eleições,
vejo que nada mudou. As promessas enganosas e o cinismo continuam os
mesmos de quarenta anos. As propostas de governo são tímidas e uns
pegam carona nas propostas dos outros. Sobre o controle da natalidade,
nenhum deles falou. E àquele que disse com todas as letras que o
“Brasil está quebrado”? – Será que ele tem varinha de condão para
desfazer todos os acordos assinados e te livrar das dívidas interna e
externa, iniciando uma política econômica que melhore o patamar de
vida do povo brasileiro?
Sabes, como eu, que são falácias para impressionar os inocentes úteis.
As coligações feitas pelos partidos dos candidatos é de arrepiar, tem
gente de toda a espécie. Há bem pouco tempo, apedrejavam-se uns aos
outros, hoje aparecem na mídia elogiando seus antigos algozes,
beijando a mão, tornaram-se “mui amigos” O que não faz uma eleição?
Uma coisa que não consegui descobrir: - se estás quebrado, agonizas no
CTI, por que querem tanto te governar? Patriotismo não é. Aí tem! Já
sabes o que é? - Ah! me conta para ver se estamos em sintonia, porque,
se é o que penso, valei-nos Deus!
O que mais me espanta, Brasil, é que pensam que somos alienados. É bem
verdade que muitos o são, mas daí, generalizar, é demais. Lembra as
reformas tributária e previdenciária que o FHC queria fazer e que
estes mesmos candidatos que hoje as pregam votaram contra? Se votaram
contra, porque agora que são candidatos falam nelas como se nunca
tivesse existido essa idéia? Há muita vaidade, o bem estar do país não
é levado em consideração, o importante é que sejam eles os autores do
feito.
E a violência? E o emprego? - Quero saber como irão criar tantos
empregos anunciados e com que dinheiro pagarão o mirabolante aumento
do efetivo das polícias Federal, Civil e Militar, quando dizem que não
há recursos. Tem coerência? Investir maciçamente no social, tentando
diminuir o número de excluídos, seria a meu ver, a melhor solução.
Hoje, pela manhã, me alegrou a fala de um executivo da Siderurgia, o
presidente do Grupo Gerdau, Dr. Jorge Gerdau. Ele disse que há por
parte dos que aspiram o poder, um estado psicológico de derrotismo, e
que não estás quebrado. O mercado primário vai bem, as exportações
também, o Brasil se destaca com o projeto Genoma e tantos outros. NÃO
É COM BRAVATA QUE SE GOVERNA UM PAÍS, finalizou. Assim, Brasil, não
fique triste, ainda há pessoas sérias que acreditam no teu potencial,
infelizmente, não são os políticos, estes só pregam o derrotismo.
Quanto pior, melhor.
(17 de
AGOSTO/2002)
CooJornal no 272
Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa
arletemr@ig.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm