CooJornal - Revista Rio Total


17/08/2002
Número - 272

-


Arlete Moreira dos Reis


AS ELEIÇÕES E OS CANDIDATOS

Olá Brasil! Faz muito tempo que não conversamos. Prometi falar sobre o burburinho das eleições, mas estava tão atarefada com as atividades de vovó, que só agora consegui um tempo. Pensas que é fácil ser vovó pela primeira vez? Não é não! O primeiro espirro do netinho, o coração pula, a primeira dor de barriga é um Deus nos acuda e os pais de primeira viagem esquecem que também sou avó nas mesmas circunstâncias, mas, cuidados à parte, vale à pena.

Voltando ao assunto eleições, queria te dizer que não está fácil escolher candidato para te governar. Eu que já vivi algumas eleições, vejo que nada mudou. As promessas enganosas e o cinismo continuam os mesmos de quarenta anos. As propostas de governo são tímidas e uns pegam carona nas propostas dos outros. Sobre o controle da natalidade, nenhum deles falou. E àquele que disse com todas as letras que o “Brasil está quebrado”? – Será que ele tem varinha de condão para desfazer todos os acordos assinados e te livrar das dívidas interna e externa, iniciando uma política econômica que melhore o patamar de vida do povo brasileiro?

Sabes, como eu, que são falácias para impressionar os inocentes úteis. As coligações feitas pelos partidos dos candidatos é de arrepiar, tem gente de toda a espécie. Há bem pouco tempo, apedrejavam-se uns aos outros, hoje aparecem na mídia elogiando seus antigos algozes, beijando a mão, tornaram-se “mui amigos” O que não faz uma eleição?

Uma coisa que não consegui descobrir: - se estás quebrado, agonizas no CTI, por que querem tanto te governar? Patriotismo não é. Aí tem! Já sabes o que é? - Ah! me conta para ver se estamos em sintonia, porque, se é o que penso, valei-nos Deus!

O que mais me espanta, Brasil, é que pensam que somos alienados. É bem verdade que muitos o são, mas daí, generalizar, é demais. Lembra as reformas tributária e previdenciária que o FHC queria fazer e que estes mesmos candidatos que hoje as pregam votaram contra? Se votaram contra, porque agora que são candidatos falam nelas como se nunca tivesse existido essa idéia? Há muita vaidade, o bem estar do país não é levado em consideração, o importante é que sejam eles os autores do feito.

E a violência? E o emprego? - Quero saber como irão criar tantos empregos anunciados e com que dinheiro pagarão o mirabolante aumento do efetivo das polícias Federal, Civil e Militar, quando dizem que não há recursos. Tem coerência? Investir maciçamente no social, tentando diminuir o número de excluídos, seria a meu ver, a melhor solução.

Hoje, pela manhã, me alegrou a fala de um executivo da Siderurgia, o presidente do Grupo Gerdau, Dr. Jorge Gerdau. Ele disse que há por parte dos que aspiram o poder, um estado psicológico de derrotismo, e que não estás quebrado. O mercado primário vai bem, as exportações também, o Brasil se destaca com o projeto Genoma e tantos outros. NÃO É COM BRAVATA QUE SE GOVERNA UM PAÍS, finalizou. Assim, Brasil, não fique triste, ainda há pessoas sérias que acreditam no teu potencial, infelizmente, não são os políticos, estes só pregam o derrotismo. Quanto pior, melhor.


(17 de AGOSTO/2002)
CooJornal no 272


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm