Setembro mês tão querido,
florido, sol quentinho amornando a vida. A primavera inspira aos poetas,
inclusive a mim. Setembro triste se foi, chegou outubro, a tristeza continua,
teima em ficar. O tempo está adverso, chove bastante, faz muito frio, o céu
muito cinzento, parece que estão solidários comigo. A tristeza martiriza. Não
adianta disfarçar, fingir que nada aconteceu, que a vida continua e que
devemos seguir em frente.
Se eu pudesse voltar no tempo, não teria trabalhado tanto, não teria me
incomodado com tantos problemas do dia-a-dia. Não ligaria para as notícias
nada agradáveis que nos chegam pelos meios de comunicação. Não, nada mais me
aborreceria, eu não ligaria para as picuinhas da vida e não deixaria passar
nenhuma oportunidade de estar junto ao meu mano.
A saudade me maltrata, me fere fundo, me faz chorar, me leva a ouvir baixinho
os CDs que dele ganhei sobre os Anos Dourados, tempo de nossa juventude. É
impossível reter as lágrimas. Nestes momentos não podemos fazer nada a não ser
chorar por perdas irreparáveis que fizeram parte de nossas vidas e chegaram ao
fim de sua caminhada aqui na terra.
Eu sempre confortei os amigos que perderam seus entes queridos, estendi a mão
nos momento dolorosos, mas não consigo esta força para mim. É como mamãe
dizia: temos solução para amenizar o sofrimento dos outros, mas quando chega a
nossa vez, somos incapazes de dominar o sentimento de dor que nos assola.
O tempo, inimigo dos amantes, é um aliado dos que sofrem pela perda de alguém.
Com o passar do tempo os amantes já não se amam tanto, mas os que sofrem com a
perda, aos poucos vão compreendendo que tudo na vida nasce, cresce e morre um
dia. Assim, as lembranças já não são tão sofridas. O carinho, a ternura dos
momentos vividos junto àquele que se foi nos enche de recordações amadas,
saudosas, sem as lágrimas e com um leve sorriso labial.
Agradeço aos amigos que me confortaram com suas palavras carinhosas. Peço a
Deus que me ajude a resistir à tristeza e que meus olhos revejam somente os
momentos alegres que juntos passamos. Numa graça especial, que me faça sonhar
com ele na sala do cinema, rindo muito, assistindo ao Gordo e o Magro,
Oscarito e Grande Otelo, momentos que ao relembrarmos nos dava muita alegria.
(10 de outubro/2008)
CooJornal
no 602