O telefone toca.
- Amiga, como vai você? Está melhor?
Era Vanda Piauí, contemporânea dos bancos escolares, preocupada com meu estado
de saúde. Há poucas semanas sofri uma cirurgia não programada que preocupou a
todos os amigos. Passado o susto, quase recuperada, começamos a conversar e
quis saber do estado de saúde do marido dela .
A amiga desenrolou sua angústia, seu desânimo, pois, mesmo com toda a
dedicação não consegue notar melhoras no estado de saúde dele. Disse-me estar
muito deprimida e isso piorou em muito seu grau de diabetes tendo ficado uma
noite no Hospital Marcílio Dias com glicemia altíssima. Estava desencantada da
vida. Pobre amiga, sempre tão alegre, brincalhona, precisava de apoio. Prometi
visitá-la no outro dia, aproveitando minha ida ao Rio para consulta médica.
Assim o fiz.
A porta do apartamento já se encontrava aberta, esperando-me, pois, havia
ligado dizendo-lhe que estava chegando. – Oi, estou entrando! Logo aparece
Vanda, me dá um abraço tão apertado e diz: - como é bom te ver! Conversamos,
foi-me servido um suco de maracujá, mostrei-lhe meus exames, o resultado da
biópsia. Ela contou-me da sua decepção com a vida, e eu lhe disse que não
ficasse assim, era a sua missão. Esses altos e baixos são provações pelas
quais temos de passar e pedir a Deus que nos segure pelas mãos e nos dê forças
para continuar na caminhada. Ela sorriu, não consegui convencê-la, mas me
pareceu menos ansiosa.
Me despeço e pego o ônibus de volta ao centro, em direção ao Terminal Menezes
Cortes, rumo a Maricá. Aperto a campainha para que o ônibus pare na Av. Rio
Branco esquina com Assembléia. Mais duas pessoas estão à minha frente. Quando
estou prestes a desembarcar, o guarda municipal apita para o motorista e este,
sem prestar atenção nos passageiros que estavam saltando, fecha a porta e
arranca com o ônibus. Eu estava com um pé suspenso em direção ao asfalto, a
porta me jogou para fora do ônibus e caí de costas, bati primeiro com o cóccix
e depois com a cabeça.
Um homem de aproximadamente 40 anos levantou-me, perguntou se estava bem, se
queria que ligasse para alguém da família, atravessou comigo a avenida
segurando meu braço, levou-me à lanchonete para tomar um copo de água mineral
e não parava de perguntar se eu estava me sentindo bem. Eu afirmava que estava
tudo bem, com um pouco de dor, que era muita, e que iria pegar o ônibus para
Maricá. Ele me deu seu cartão e disse-me : - Se precisar de alguma coisa, pode
ligar. Era um jovem homem, bonito, bem vestido, passava confiança, e pensando
nele, impressionada com a atenção que me prestou, já dentro do ônibus para
Maricá, tirei o cartão da bolsa e li: Estebam Kowalicezer, Promotor de
Justiça, parecia um anjo protetor, parecia um filho. Obrigada Doutor, pela
solidariedade.
(11 de fevereiro/2006)
CooJornal
no 463