25/03/2006
Número - 469

ARQUIVO
ARLETE REIS

 
Arlete Moreira Reis



O VALOR DA MULHER

 

No dia 8 de março comemoramos o Dia Internacional da Mulher. A mídia escrita e falada enaltece a mulher e a homenageia de diversas formas. Será que já refletimos sobre a responsabilidade da mulher no contexto social?

Temos conquistado espaço na sociedade, nas fábricas, nos escritórios das grandes empresas, sempre lutando por melhores condições de vida e assim, galgamos empregos outrora só destinados aos homens, mas muita coisa ainda precisamos conquistar nessa batalha diária em busca do lugar ao sol.

Para chegarmos vitoriosas a essa jornada, precisamos nos preparar muito bem. Necessitamos realmente saber o que desejamos. Qual a nossa meta? – Quando a mulher fala em direitos iguais para ambos os sexos, não quer dizer que saia por aí a paquerar os homens que encontre, tornando-se uma caçadora em contrapartida aos chamados do sexo forte, os machões.

Devemos reconhecer que o homem desde pequenino é condicionado a ser bígamo, a ter muitas garotas na adolescência para se afirmar como homem e, mesmo assim, muitos deles chegam aos sessenta sem conseguir, sonhando com garotas que podiam ser suas netas.

A mulher tem uma educação diferente. Desde pequenina já semeamos no seu coração o sentimento de amor pelos filhos, o cuidado pela casa, as responsabilidades do lar, quando a presenteamos com bonecas, casinha, panelinhas e fogão.

Queremos, quando lutamos por direitos iguais, conseguir salários dignos, equiparados aos dos homens. Todas sabemos que numa mesma função, o homem ganha mais do que a mulher. Isso é inadmissível. Desejamos a ocupação de cargos importantes dentro das empresas se a mulher tem real capacidade para assumi-los.

A mulher, além de responsável pelo lar deve participar da vida ativa do país e do mundo. É figura atuante se levarmos em conta o número de mulheres que deixam seus lares em busca do trabalho. Não podemos aceitar o adjetivo “frágil” para alguém incansável, enfrentando todos os dias o sufoco da condução, permanecendo oito horas ou mais dentro do escritório ou da fábrica, correndo de volta para casa para passar em revista o uniforme dos filhos para a escola, o dever de casa e, algumas delas, deixar preparado o almoço para o outro dia. Depois de tudo isto, ainda estar disposta para o maridinho que nem sempre a compreende quando diz um pouco sem jeito: estou cansada!

Neste dia, não poderia deixar de dizer às amigas mulheres que nada conseguiremos se não formos unidas. E assim me expresso porque há uma triste verdade a ser dita, precisamos meditar sobre ela: o maior inimigo da mulher é a própria mulher. Não se espante, é muito fácil explicar às leitoras: - não perdoamos a vizinha ou a nossa colega de trabalho se ela tenta mudar sua vida, tenta o direito de se encontrar, de ser feliz. Somos as primeiras a deturpar o fato, tornando-o maior, só para denegrir a imagem da outra que, não agüentando mais a violência doméstica, seja física ou moral, tem a coragem de procurar seus direitos e deixar o companheiro, seu torturador. Ao invés de apoiar a colega, estender a mão em solidariedade, não perdemos a chance de levar aos quatro ventos de forma maldosa o ocorrido. Já os homens, não. Ajudam-se reciprocamente, encobertam os chifres que recebemos, emprestam seus apartamentos para os amigos pularem a cerca e, quando chegam em nossas casas, sem o menor remorso, nos dão beijinhos, fazem a maior festa.

Outro item importante é a competição no trabalho. Devemos encarar com seriedade o convívio dentro do ambiente de trabalho. No mundo atual, a competição está sempre presente. Faz parte da vida. Podemos competir de forma honesta, com nosso trabalho árduo e responsável, com dedicação pela qual conduzimos nossas tarefas, mas nunca escondendo informações necessárias ao bom desempenho da colega, usando meios ilícitos e de fofocas até, para eliminar aquela que você, na sua mente doentia, encaixou como uma terrível adversária, substituta do seu lugar.

Só a união faz a força, o admirável seria que todas nós mulheres, nas mais diversas profissões, fôssemos unidas, tivéssemos a sensibilidade de ajudar-se mutuamente, fazendo a equipe funcionar como se fosse uma corrente e cada uma de nós um elo dessa corrente tão bem soldado que nada o faria desprender dos demais.

Vamos nos orgulhar de todas as conquistas , continuar lutando para outras alcançarmos e despertar dentro de nós a amizade, o querer bem e a união para formarmos um todo admirado e respeitado. PARABÉNS MULHER BRASILEIRA!!!!


(25 de março/2006)
CooJornal no 469


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm