22/04/2006
Número - 473

ARQUIVO
ARLETE REIS

 
Arlete Moreira Reis



OUTONO EM ABRIL

 

O calor no início do outono deixava os cariocas felizes. Carioca adora praia, academia, cerveja ao ar livre, caminhar pelas praças e ruas, exercitando os músculos, deixando em forma seu corpo e mente. Depois, ler o jornal, saber sobre o futebol, violência na cidade e até informar-se das pesquisas eleitorais. Assim ia o outono em abril, cada dia mais ensolarado e alguns dias, bem abafado.

Suzete já estava programando viagem ao Nordeste para curtir suas merecidas férias depois de um ano de trabalho ininterrupto na indústria de moda íntima e sonhava chegar em Maceió, pegar uma jangada e se maravilhar com aquele mar verde turquesa. Em Fortaleza iria ao mercado popular, compraria lembranças para todos da família e pela manhã, caminharia pela Praia de Iracema. Tudo acertado, mala quase pronta e Suzete contava os dias. Tereza e Raquel, duas amigas de muitos anos a acompanhariam nessa viagem.

No sábado o serviço de metereologia anunciava que uma frente fria chegaria em todo o Brasil e muita chuva refrescaria o país.

Suzete não gostou da notícia e as amigas, preocupadas, lhe perguntavam se iria desistir ou se viajaria assim mesmo. Suzete passou a mão pelos longos cabelos e um pouco desapontada com o tempo que se anunciava afirmou que, se não esfriasse muito, iriam, do contrário, melhor seria curtir frio aqui mesmo e deixar para mais tarde a tão esperada viagem.

Chegou o domingo, à noite o tempo já se mostrava estranho aos cariocas. Um vento forte começou a soprar, as nuvens se aglomeraram e formaram uma massa cinzenta enorme e daqui a pouco os primeiros pingos começam a cair. A temperatura se modifica, a chuva se torna torrencial e a paisagem se transforma. O cinza toma conta do ambiente, o frio começa a chegar e as pessoas a se recolherem dentro de casa, fazendo um chá, tomando um cafezinho quente, se enroscando na poltrona em frente à TV.

Suzete liga para as amigas: - não querem tomar um mingau comigo? Bem quentinho para espantar o frio? As amigas tiraram os casacos e calças do armário e foram ao encontro de Suzete. Lá chegando, encontraram a amiga toda agasalhada preparando um mungunzá para o lanche. Que frio hein! – Pois, é! – Parece que teremos de adiar nossa viagem, o tempo não está bom para sairmos daqui.

Suzete, trouxemos pipoca e também um bom filme para assistirmos pela TV.

A chuva forte caía, o frio entrava pela janela, e as amigas reunidas aqueciam a amizade com o mugunzá e a pipoca.



(22 de abril/2006)
CooJornal no 473


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm