17/06/2006
Número - 481

ARQUIVO
ARLETE REIS

 
Arlete Moreira Reis



DIA DOS NAMORADOS
 

 

As lojas se enfeitam com corações e buquês de flores para lembrar aos que têm seus pares, não esquecer de levar uma lembrança para o amado no Dia dos Namorados.

Hoje surprendeu-me o maridão. Ele me disse: - O dia está lindo, céu azul, sol a pino, as gaivotas, gaviões e albatrozes planando baixinho, aproveitando o ar quente e nós privilegiados por essa natureza tão linda, devemos também fazer a nossa parte para que tudo entre os seres seja mais harmonioso, mais lúdico. Vamos lavar a roupa de cama, dar um trato no quarto, deixar o sol inundar o ambiente para que tudo fique cheiroso para o dia dos namorados. Achei muita graça e fiquei lisonjeada com a atitude dele.

Lembrei do nosso tempo de jovem, tudo era tão difícil, flores só ganhei quando dei a luz a filha, coisa que mais ele queria na vida, ter uma filha, e na última gestação, depois de dois meninos, veio a tão esperada menina. Como eu era intransigente, não desculpava nada, tudo eu questionava. Daí, brigávamos feio. Quase um mês sem se falar, dentro da mesma casa, cada um mais turrão que o outro. Amava-nos muito, mas nenhum dos dois dava o braço a torcer. Demorava o dedão do pé esbarrar no dedão do outro....daí fazíamos as pazes.

O tempo nos amadureceu. Os filhos casaram, constituíram suas famílias, aprendemos muito com eles a cada dia, pois, esta geração tem outra mentalidade, não adianta querer que vivam nosso modelo, eles têm seus erros e acertos e sabem sair das dificuldades e resolver os problemas que aparecem sem nós.

Caminhamos para quarenta e cinco anos de convívio conjugal e como está sendo prazeroso de uns dez anos para cá. Ficamos mais amigos, deixamos de implicar com as coisas do outro, rimos juntos de nossas falhas e esquecimentos, tornamo-nos companheiros de verdade.

Quero dizer aos casais que nada vale à pena, a não ser esse entrosamento marido-mulher. A vida é muito curta, quando abrimos os olhos a juventude passou, os filhos cresceram, tomaram seus destinos, ficamos sozinhos precisando muito um do outro. Começamos então a compreender o quanto é importante em nossa vida o companheiro de tantos anos e como éramos infantis, levando tudo muito a sério, querendo que o outro pensasse e agisse como nós. Cada um tem o seu jeito e devemos respeitar a individualidade do parceiro para conquistar uma vida feliz ao lado dele, tendo a capacidade de resolver os problemas sem esquecer que o amor é o mais importante no relacionamento do casal, o resto é o resto.

Não importa se você tem um ano ou cinqüenta de casado, dê um beijo carinhoso no seu par e diga-lhe o quanto ele é importante para você. A vida fica mais gostosa de ser vivida com esses pequenos mimos. Feliz Dia dos Namorados!


 

(17 de junho/2006)
CooJornal no 481


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm