22/07/2006
Número - 486

ARQUIVO
ARLETE REIS

 
Arlete Moreira Reis




OS QUATRO ANOS DE CAROLINE

 

Há uma semana, vovó Arlete conta os dias para vê-la. Mora longe, noutro município, e mesmo fazendo esforço, os horários não coincidem. É que Caroline desde um ano e meio vai à Escola e seu horário é das dez da manhã às cinco da tarde, então, fica inviável ir até o Rio para abraçá-la. Assim, o tempo vai passando e Caroline, ontem bebê, já está uma mocinha.

Chegou o grande dia, 6 de julho, aniversário de Caroline, ela completa quatro anos. Deve ter crescido mais um pouco, pensa vovó. Será que ainda chora quando cantado os parabéns? É muito emotiva, quando as velas se acendem e todos começam a cantar, Caroline não quer participar, se retrai e chora se os adultos insistem.

Vovô Humberto não gosta muito de sair de casa, mas desta vez, acompanhou a vovó. A festinha marcada para as quatorze horas será no próprio colégio, junto com os amiguinhos de classe. Vovó Marta, papai e mamãe, já estavam reunidos e ocupados enchendo as bolas coloridas para enfeitar o local onde estava a mesa, bonita mesa, retratando a princesa e seu castelo. Tudo estava pronto aguardando a chegada da aniversariante e sua turminha. Em dado momento, lá vêm eles, uma graça, todos beirando a mesma idade, uniformizados igualmente, mas faltava Caroline. Aonde estará a aniversariante?

Como num passe de mágica, eis que surge uma princesa, Caroline, num radiante vestido longo cor–de-rosa, salpicado de flores, parecia um anjo. Levava a mão à cabeça para segurar a coroa que escorregava pelos cabelos lisos, e fazia questão de mostrar aos avós paternos e a garotada, a sapatilha que calçava, linda, toda bordada, parecia mesmo feita, exclusivamente, para uma princesa.
As crianças riam, gostaram de vê-la vestida de princesa, chegaram perto. O momento mais emocionante foi quando cada um deles, meninos e meninas, ofertaram o seu presentinho à colega aniversariante. Ela, numa grande alegria, abria todos os presentes e ia mencionando cada um: - olha, um quebra-cabeça!, uma bolsinha rosa! Alguns coleguinhas iam até a mesa e, rapidamente, enfiavam o dedinho no bolo, sem que o danificasse.

Chegou o momento dos parabéns. Caroline, emocionada, não quis apagar as velinhas, como nos anos anteriores. De jeito nenhum conseguimos persuadi-la a apagar as velinhas, o que a turma fez com muita festa. O bolo foi servido, juntamente com o guaraná. Caroline não come doce nem bebe refrigerante, mas, depois de algum tempo, deixou a timidez e já sorria, soprava a língua de sogra, cantava, pulava e dançava com os amiguinhos.

Que o menino Jesus abençoe Caroline e sua família, para que todos os anos possam vivenciar essa emoção tão bonita, de vê-la crescer física e emocionalmente, proporcionando a ela essa integração com os coleguinhas e professores, preparando-a para o mundo que a espera.

 

(22 de julho/2006)
CooJornal no 486


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm