Há uma semana, vovó Arlete conta os dias para vê-la. Mora longe, noutro
município, e mesmo fazendo esforço, os horários não coincidem. É que Caroline
desde um ano e meio vai à Escola e seu horário é das dez da manhã às cinco da
tarde, então, fica inviável ir até o Rio para abraçá-la. Assim, o tempo vai
passando e Caroline, ontem bebê, já está uma mocinha.
Chegou o grande dia, 6 de julho, aniversário de Caroline, ela completa quatro
anos. Deve ter crescido mais um pouco, pensa vovó. Será que ainda chora quando
cantado os parabéns? É muito emotiva, quando as velas se acendem e todos começam
a cantar, Caroline não quer participar, se retrai e chora se os adultos
insistem.
Vovô Humberto não gosta muito de sair de casa, mas desta vez, acompanhou a vovó.
A festinha marcada para as quatorze horas será no próprio colégio, junto com os
amiguinhos de classe. Vovó Marta, papai e mamãe, já estavam reunidos e ocupados
enchendo as bolas coloridas para enfeitar o local onde estava a mesa, bonita
mesa, retratando a princesa e seu castelo. Tudo estava pronto aguardando a
chegada da aniversariante e sua turminha. Em dado momento, lá vêm eles, uma
graça, todos beirando a mesma idade, uniformizados igualmente, mas faltava
Caroline. Aonde estará a aniversariante?
Como num passe de mágica, eis que surge uma princesa, Caroline, num radiante
vestido longo cor–de-rosa, salpicado de flores, parecia um anjo. Levava a mão à
cabeça para segurar a coroa que escorregava pelos cabelos lisos, e fazia questão
de mostrar aos avós paternos e a garotada, a sapatilha que calçava, linda, toda
bordada, parecia mesmo feita, exclusivamente, para uma princesa.
As crianças riam, gostaram de vê-la vestida de princesa, chegaram perto. O
momento mais emocionante foi quando cada um deles, meninos e meninas, ofertaram
o seu presentinho à colega aniversariante. Ela, numa grande alegria, abria todos
os presentes e ia mencionando cada um: - olha, um quebra-cabeça!, uma bolsinha
rosa! Alguns coleguinhas iam até a mesa e, rapidamente, enfiavam o dedinho no
bolo, sem que o danificasse.
Chegou o momento dos parabéns. Caroline, emocionada, não quis apagar as
velinhas, como nos anos anteriores. De jeito nenhum conseguimos persuadi-la a
apagar as velinhas, o que a turma fez com muita festa. O bolo foi servido,
juntamente com o guaraná. Caroline não come doce nem bebe refrigerante, mas,
depois de algum tempo, deixou a timidez e já sorria, soprava a língua de sogra,
cantava, pulava e dançava com os amiguinhos.
Que o menino Jesus abençoe Caroline e sua família, para que todos os anos possam
vivenciar essa emoção tão bonita, de vê-la crescer física e emocionalmente,
proporcionando a ela essa integração com os coleguinhas e professores,
preparando-a para o mundo que a espera.
(22 de julho/2006)
CooJornal
no 486