Como contei aos leitores, através de um exame de Colonoscopia, conheci o médico
Dr. Ronaldo Surrage e mais tarde, a sua esposa, também médica, Dra. Cláudia
Simões Haine. Naquela oportunidade, conversamos sobre alguns assuntos, dentre
eles o prazer de escrever, daí ter recebido o livro escrito pelo pai do médico,
Sr. Francisco Surrage Sobrinho. Ao ler o livro me emocionei com tantas passagens
ali contadas e senti muita vontade de escrever ao Sr. Francisco, noventa anos
bem vividos, dizendo-lhe o quanto apreciei o seu livro intitulado DOCES
LEMBRANÇAS, enviando-lhe o meu livro de poesias Sentimentos.
Passadas algumas semanas, recebo correspondência vinda de Cachoeiro de
Itapemirim, enviada pelo Sr. Francisco, agradecendo-me pelo envio do livro,
dizendo gostar muito de poesias e solicitando que eu fizesse a crítica de três
poemas escritos por ele. Todas as poesias enviadas são belas, de profunda
sensibilidade, mas há uma que me encantou. Assim, a transmito a vocês:
MULHER ANJO, de Francisco Surrage Sobrinho
A primeira vez que a vi, ela estava num jardim,
Num canteiro florido de jasmim.
Seus cabelos eram dourados como a luz do sol.
Os olhos tinham a cor como a do arrebol,
Sua boca bem feita, seus lábios em tom nacarado
Era um convite para um beijo apaixonado,
Mas, me contive no meu jeito simples e inibido,
Senti que não era oportuno e fiquei arrefecido.
Na outra vez que a encontrei, caminhava na calçada.
Sapatos altos, elegante, cabelos presos por uma laçada.
Pelo som que se ouvia era um andar cadenciado.
Segui-lhe de mais perto, o pensamento concentrado.
Cheguei a ouvir seu arfar e sentir seu perfume.
Passamos por uma rua, sendo calçada com betume.
Aí, perdi a concentração e fiquei atrapalhado,
Terei que ouvir alguém para ficar aparelhado.
Na terceira vez, pensei: é hoje que falarei com ela!
Passeava num campo tendo nos cabelos uma fita amarela.
Eu trabalhava nesta terra preparando a semeada.
Ela aproximou e falou-me um pouco admirada:
Então, você trabalha aqui alimentando a meninada?
Parabéns, sou uma pesquisadora dos homens em sua caminhada.
Antes que eu saísse do assombro fui por ela acariciado.
Ela erguendo do solo, subindo, aí não vi mais nada.
Era um Espírito de Luz que foi da terra retirado.
(16 de setembro/2006)
CooJornal
no 494