Dizem que os nascidos sob a égide deste signo são pessoas
de temperamento forte, ciumentas, envolventes e de extrema sexualidade.
Há quarenta e cinco anos, conheci numa quadra de vôlei minha cara metade,
nascido em 2 de novembro no Estado de Sergipe, nordestino arretado que adora
forró, músicas sertanejas e Vivaldi
Como a maioria dos meninos nordestinos, gostava de olhar os soldados em marcha,
acompanhando o compasso dos pés deles, tentando imitá-los. Morava pertinho da
família de Lampião e tinha como colega de classe a filha dele, Expedita Ferreira
da Silva. Não deixavam a menina em paz, já que seu pai era “famoso” na cidade,
sendo caçado pelos soldados da volante. A vida era difícil, sertanejo só se
alegrava quando chovia e a seca trazia para a cidade inúmeros retirantes do
sertão, pedindo aos moradores da cidade um pouco de farinha e rapadura. Nomízia,
sua mãe, sempre arranjava um pouco para os pedintes.
Aos dezessete anos foi para Salvador e agregou-se à Marinha Brasileira,
permanecendo lá por dois anos, quando em 1949 veio para o Rio de Janeiro, dando
continuidade à carreira militar. Foram trinta e um anos de dedicação exclusiva
às forças armadas, desempenhando suas funções com grande espírito patriota.
Acostumado à disciplina da caserna, quando veio para a reserva, ficou por demais
decepcionado com tudo que acontecia aqui fora. As pessoas não cumprem o que
prometem, não têm palavra, são ardilosas, sem qualquer respeito ao próximo. Até
hoje, não conseguiu se enturmar com os civis. A maioria abraça a lei de Gerson ,
querendo sempre levar vantagem em tudo, não respeitando os demais.
Em casa, é mecânico, pedreiro, ladrilheiro, bombeiro, pintor, piscineiro,
jardineiro, conserta tudo, está sempre preocupado em aprender algo mais e não
deixa de freqüentar os cursos que são administrados por várias empresas que
desejam com esses cursos, divulgar seus produtos de ponta. É uma tranqüilidade
ter o marido envolvido com os reparos domésticos, além de economizar no
orçamento familiar, tenho a certeza de que o reparo será feito da melhor forma
possível e com muita dedicação.
Completando 75 anos, o abraço e me orgulho desse companheirismo de quarenta e
cinco anos, relembrando as muitas dificuldades que a vida nos impôs e com união
e vontade de vencê-las, superamos todas. Muitos Natais, Ano Novo, aniversários,
passei sozinha com os filhos, as viagens eram longas, três a seis meses. Mas,
aprendemos com as dificuldades, me virava como podia e nunca faltou nada aos
filhos, nem atenção, nem amor, nem disciplina. Hoje, já não cobra tanto dos
filhos, deixando que conduzam suas vidas, porque sabe estarem identificados com
os valores que lhes foram passados por nós. Enfim, está feliz com a vida,
conseguiu educá-los, vê-los formados e para nos distrair e alegrar fomos
presenteados com duas netas, Caroline e Luise, dois botões de rosa que embelezam
nossas vidas.
(04 de novembro/2006)
CooJornal
no 501