Às vezes perco o sono. Hoje é um desses dias. Não sei se estou ansiosa pela
viagem que farei a Friburgo, ou se é um sinal de que alguma coisa não está indo
bem com a saúde.
Então, vou direto para a cozinha preparar um chá de erva-doce e depois sentar-me
em frente ao computador para escrever mais uma poesia.
Pela manhã o marido me pergunta: – A que horas você acordou? Digo-lhe que fiquei
sem sono e resolvi escrever poesias. Ele me olha, balança a cabeça e diz: - para
quê fazer poesias, isso não lhe dá nenhum retorno e no mundo de hoje poucos
estão interessados nelas.
Ah, meu querido, fazer poesias é maravilhoso. Colocar no papel os sentimentos
que nos vem na alma é divino. Se todos pudessem fazer poesias a humanidade
estaria mais fraterna. Não haveria tanta agressividade entre as pessoas e a vida
passaria mais prazerosa para a maioria.
Fazer e dizer poesia é uma forma de exteriorizar o que sentimos, é dar o grito
poético alertando aos demais para tudo que nos angustia, entristece, que nos
aborrece e preocupa. É também levar aos quatro ventos a alegria que sentimos por
determinado acontecimento, o amor que sentimos pelo nosso consorte, pela
natureza, pelos filhos, pelos netos, pelos amigos, levando sempre ao leitor o
nosso recado, semeando a amizade, o querer bem, o respeito, a concórdia e o
alerta para muitos desrespeitos. É para isso que é feita a poesia.
Fazer poesia é libertar sentimentos, voar com eles nas nuvens, sobrevoar
lembranças, paixões, saudade, tristezas, alegrias e aterrizar no coração
trazendo na bagagem a esperança de viver com a humanidade dias melhores neste
planeta.
(17 de novembro/2007)
CooJornal
no 555