Quando jovens não temos muito tempo para pensar na saúde. Uma dor de cabeça de
vez em quando, pois se abusa da cerveja, do drink, das noites mal dormidas,
mas, tudo é festa. Qualquer distúrbio estomacal, temos vários remédios para
curá-lo, a mídia nos enche de informação, é fácil resolver o problema, se não
obtiver resultado, procure o médico, diz o anúncio. Abusamos no consumo de
enlatados, gorduras saturadas, dos pastéis que são fritados no tacho do asiático
da esquina com o mesmo óleo usado pela manhã à noite, acompanhado do caldo de
cana moído sem muita higiene.
O tempo passa, amadurecemos, constituímos família e começamos a mudar os
hábitos. Tememos morrer mais cedo e deixar os filhos desamparados, há uma
preocupação em estar saudável, manter uma vida equilibrada, sonhar em ver os
netos.
Já sou vovó e gostaria de pelo menos, assistir ao aniversário de quinze anos das
netas. Faço as contas, estarei bem idosa, mas, olho para minha sogra com 94
anos, lúcida, ainda rindo das gracinhas dos filhos dos bisnetos e digo: - como
seria bom chegar até lá com saúde, bom humor e esperança em dias melhores. É bom
sonhar e desejo esta meta alcançar.
Procuro um médico ortomolecular. Chego ao consultório na Tijuca. Uma
aconchegante casa de dois pavimentos, ambiente tranqüilo, atendentes gentis,
cafezinho à espera das clientes num canto sobre a mesa. A recepcionista me diz
que posso subir, a médica está à minha espera.
Sou recebida pela Dra. Regina Lúcia de Albuquerque, jovem senhora de semblante
alegre, olhos brilhantes emoldurados por espessas e bonitas sobrancelhas.
Conversamos bastante, pediu-me uma série de exames para que pudesse analisar
minhas deficiências orgânicas e a partir daí iniciarmos o tratamento de
prevenção.
Como a médica não trabalha com Plano de Saúde, e só o exame de sangue solicitado
custava mais de um mil reais, apelei para alguns médicos conveniados que costumo
consultar. Não consegui. Me disseram: - para quê tantos itens num exame de
sangue? Essa médica está pedindo exames demais.
O cardiologista da família, falecido recentemente, já havia me dito que no café
da manhã oferecido aos médicos pelos Planos de Saúde, solicitavam aos mesmos que
evitassem pedir muitos exames, principalmente os exames de maior complexidade.
Pergunto: - sem conhecer as deficiências orgânicas dos pacientes apontadas pelos
exames minuciosos, como os médicos poderão bem medicá-los?
No Brasil a política é tratar e não prevenir as doenças. Como o sistema de saúde
está um caos, nem tratamento o povão encontrará, haja vista o que assistimos
pelos meios de comunicação. Continuamos a ser iludidos pelos Planos de Saúde,
pelo governo e pela mídia. Se não temos o direito de fazer um exame mais
complexo para detectar possíveis doenças e tratá-las, como esperar melhor
qualidade de vida para os da terceira idade, se a maioria não tem condições de
pagar um Plano de Saúde ou um exame de sangue?
(08 de março/2008)
CooJornal
no 571