15/03/2008
Ano 11 - Número 572

ARQUIVO
ARLETE REIS

 
Arlete Moreira Reis



EXAMES PREVENTIVOS

 

Gravei os conselhos do nosso ilustre Vice-presidente da República, Sr. José Alencar, que ao sair do hospital alertava a população para a importância do exame preventivo para detectarmos doenças, dizendo que esses exames periódicos é que têm lhe salvo a vida. Estava muito bem para quem extirpou o sexto tumor maligno, o que demonstra ter sido cercado de cuidados pelos médicos, proporcionando-lhe o mínimo de sofrimento nos procedimentos.

Assistindo pelo noticiário a grande demanda de adultos e crianças à procura dos hospitais pedindo socorro para as dores no corpo, febre, vômito, dor de cabeça, me lembrei do conselho do Vice-presidente, que desconhece a realidade brasileira na área da saúde.

Estamos enfrentando uma grave epidemia de Dengue, embora as autoridades neguem nas entrevistas concedidas aos meios de comunicação. Os bairros com maior índice da doença são Jacarepaguá e Campo Grande. A Dengue está matando nossas crianças, nossos jovens. A população inteira do Rio e Baixada está temerosa, não sabe mais o que fazer para fugir do mosquito transmissor. Ela tem feito a sua parte colocando areia nos vasos de plantas, garrafas de cabeça para baixo, recolhendo pneus, fechando ralos, mas as autoridades estão devendo muito, elas precisam efetivamente cumprir o seu papel e não jogar somente para a população a responsabilidade dessa epidemia que teimam em negar.

A campanha iniciada pelos órgãos municipal e estadual é muito fraca. É preciso encarar com seriedade o grave problema de saúde que se abate sobre a população. O próprio Município não toma os cuidados necessários para manter a cidade limpa, acabar com os matagais às margens de ruas e estradas, os focos de mosquitos nos terrenos baldios, os esgotos correndo a céu aberto em frente às casas dos menos favorecidos e os inúmeros galpões ou fábricas desativadas em péssimo estado de conservação, apresentando vários locais próprios à desova dos mosquitos.

Com hospitais lotados de doentes com os sintomas da doença e várias mortes registradas de crianças e adultos, ainda mandam o doente para casa recomendando voltar se piorar o seu estado. A maioria dos médicos está despreparada para diagnosticar a Dengue. A grande moda é diagnosticar tudo como VIROSE. Qualquer febre, vômito, diarréia, principalmente em crianças, sem pedir um simples exame de sangue, o médico vai logo dizendo que se trata de uma virose. Ao invés disso, porque não fazem o exame de sangue nesses pacientes para constatar se estão com o vírus da Dengue ou não? - Muitas vidas seriam poupadas com esse simples exame. Me comoveu a narrativa de mães que perderam seus filhos para a Dengue. Chegaram ao posto de saúde e médicos ao examinarem as crianças disseram: mãe é uma virose, dá esse remédio, se piorar, volte com elas. As crianças pioraram e voltando ao hospital não havia mais nada a fazer, a Dengue as aniquilou. É muito desumano esse tratamento. O exame preventivo de sangue as salvaria.

Se o nosso Vice-Presidente viesse ao Rio de Janeiro e visitasse os hospitais sairia chocado. O que se vê é o caos instalado na Saúde. Como seria bom se todos os brasileiros pudessem fazer exames periódicos ou pelo menos um simples exame de sangue antes de ser medicado. Garanto que muitas vidas seriam poupadas e os hospitais não estariam abarrotados de enfermos, poderiam ser cuidados em casa e somente alguns casos necessitariam de hospitalização.


(15 de março/2008)
CooJornal no 572


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm