Depois de um dia cheio de afazeres, à noite, no aconchego de nossos lares,
sentamo-nos em frente à televisão para ouvir o noticiário daquele dia. Há muito
tempo que prefiro ler um livro ou fazer algum trabalho manual, ao invés de
certificar-me dos acontecimentos do dia.
Há duas semanas que todos estão chocados com o triste desenlace da menina
Isabela, cinco anos de idade, jogada do sexto andar de um prédio residencial.
Comovida, lembrei da vivacidade de minha neta Caroline, da mesma idade.
Tomando conhecimento dos detalhes do funesto acontecimento, arrepiei-me e
refleti sobre o tratamento que alguns pais dão a seus filhos. Muitas vezes,
largam as crianças em parques de diversões sem terem nenhuma cautela, sem ficar
ali, próximo, olhando e participando nos mínimos detalhes para não deixar que a
falta de segurança cause a eles algum acidente. Outras vezes, irritados com suas
travessuras, perdem a cabeça e lhes dão castigos severos, sem lembrar que foram
crianças e também praticaram travessuras, fizeram birras e tantas outras coisas
que aborreceram seus pais, mas que nunca deixaram de receber carinho e amor.
Nada justifica o acontecimento triste que chocou a quantos dele tomaram
conhecimento. Só aquele anjo saberia dizer o que aconteceu naquele apartamento,
talvez, nem soubesse compreender o porquê de tanta violência. Uma vida em botão
foi esmagada pelo ódio, pelo desamor ao próximo. Olhando aquela carinha ingênua
e o sorriso angelical lembrei-me da frase: “Um covarde é incapaz de demonstrar
amor, isso é privilégio dos corajosos”- Gandhi.
(19 de abril/2008)
CooJornal
no 577