10/10/2008
Ano 12 - Número 602

ARQUIVO
ARLETE REIS

 

Arlete Moreira Reis


Setembro triste

Setembro mês tão querido, florido, sol quentinho amornando a vida. A primavera inspira aos poetas, inclusive a mim. Setembro triste se foi, chegou outubro, a tristeza continua, teima em ficar. O tempo está adverso, chove bastante, faz muito frio, o céu muito cinzento, parece que estão solidários comigo. A tristeza martiriza. Não adianta disfarçar, fingir que nada aconteceu, que a vida continua e que devemos seguir em frente.

Se eu pudesse voltar no tempo, não teria trabalhado tanto, não teria me incomodado com tantos problemas do dia-a-dia. Não ligaria para as notícias nada agradáveis que nos chegam pelos meios de comunicação. Não, nada mais me aborreceria, eu não ligaria para as picuinhas da vida e não deixaria passar nenhuma oportunidade de estar junto ao meu mano.

A saudade me maltrata, me fere fundo, me faz chorar, me leva a ouvir baixinho os CDs que dele ganhei sobre os Anos Dourados, tempo de nossa juventude. É impossível reter as lágrimas. Nestes momentos não podemos fazer nada a não ser chorar por perdas irreparáveis que fizeram parte de nossas vidas e chegaram ao fim de sua caminhada aqui na terra.

Eu sempre confortei os amigos que perderam seus entes queridos, estendi a mão nos momento dolorosos, mas não consigo esta força para mim. É como mamãe dizia: temos solução para amenizar o sofrimento dos outros, mas quando chega a nossa vez, somos incapazes de dominar o sentimento de dor que nos assola.

O tempo, inimigo dos amantes, é um aliado dos que sofrem pela perda de alguém. Com o passar do tempo os amantes já não se amam tanto, mas os que sofrem com a perda, aos poucos vão compreendendo que tudo na vida nasce, cresce e morre um dia. Assim, as lembranças já não são tão sofridas. O carinho, a ternura dos momentos vividos junto àquele que se foi nos enche de recordações amadas, saudosas, sem as lágrimas e com um leve sorriso labial.

Agradeço aos amigos que me confortaram com suas palavras carinhosas. Peço a Deus que me ajude a resistir à tristeza e que meus olhos revejam somente os momentos alegres que juntos passamos. Numa graça especial, que me faça sonhar com ele na sala do cinema, rindo muito, assistindo ao Gordo e o Magro, Oscarito e Grande Otelo, momentos que ao relembrarmos nos dava muita alegria.



(10 de outubro/2008)
CooJornal no 602


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm

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