21/03/2009
Ano 12 - Número 624

ARQUIVO
ARLETE REIS

 

Arlete Moreira dos Reis


As notícias da Suíça
 

Fiquei espantada com as notícias daquele país maravilhoso onde estive por um mês, hospedada na casa de suíços com quem tive o prazer de trabalhar no Brasil numa multinacional. Já se vão vinte e poucos anos e  nos  correspondemos até hoje. No desempenho de minhas funções sempre tive contato com todos os suíços que aqui no Brasil chegavam e também a oportunidade de conhecê-los um pouco mais.  Inicialmente, são  muito reservados, sempre educados e observadores. Gostam de saber tudo sobre o Brasil e dão muito valor ao trabalho bem executado.

Com o tempo de convivência você descobre que são pessoas boas, que gostam de ajudar e que apreciam muito tudo que é brasileiro, principalmente o jeito moleque do povo se divertir, sempre rindo e fazendo piadas de sua própria desventura. Ficam impressionados com o peão, que apesar de ganhar tão pouco, às sextas-feiras vai para o boteco beber todas e gastar o dinheiro que deveria levar para o sustento da família. Eles não entendem esse comportamento e me perguntaram muitas vezes a respeito.

A  maioria engenheiros, técnicos em energia nuclear, casaram-se com brasileiras e para lá as levaram, tiveram filhos, vêm ao Brasil visitar a família da esposa e vivem bem. Adoram o Brasil, principalmente o Rio de Janeiro e Bahia. Visitar a Amazonas e  o Pantanal é um  presente para eles, pois, ficam fascinados com tanta beleza natural.

Conheci alguns que se erradicaram no Brasil e não mais voltaram para a Suíça, só a passeio. Em tom de brincadeira perguntava para eles  se não tinham saudade de sua terra natal com tantas belezas, sem inflação, com disciplina, tudo muito limpo, e a resposta que eu tinha era que o Brasil é um país maravilhoso, você pode brincar até de madrugada, beber, fazer farra, que está tudo bem. O povo é brincalhão, não leva nada a sério. Na Suíça tudo é controlado, há normas de vizinhança a cumprir, ninguém dá festa para incomodar o vizinho até altas horas da noite, não joga papel no chão, não buzina, não faz barulho para assustar o pedestre que tem prioridade nas vias, é tudo muito certinho e então a vida fica enfadonha. Vejam só!

Quando lá estive, meus amigos suíços foram generosos comigo, me levaram a lugares fantásticos, inclusive nas geleiras eternas, foi  uma viagem inesquecível. Pude observar pelas ruas de Zurique alguns rapazes e moças com as  cabeças raspadas só de um lado, com cabelos pintados de vermelho e azul e também vi a praça destinada aos que se drogam, com a supervisão do governo que oferece a eles as seringas descartáveis para que não se contaminem.

Com a noticia da brasileira que supostamente diz ter sido atacada por neonazistas, no momento fiquei triste, mas, logo depois comecei a observar os ferimentos superficiais dela e fiquei indecisa sobre o que pensar, pois, estas pessoas quando ferem alguém , dão para matar,isso em qualquer parte do mundo, até aqui em S.Paulo, temos  grupo s que abominam gays,nordestinos, negros, etc. São doentes, precisariam de tratamento num manicômio judiciário.

Mais triste fiquei quando li pela Internet que jornais de grande circulação na Suíça, do lado Alemão, dizem que 75% dos  brasileiros,  não estão satisfeitos com estrangeiros que vêem para o Brasil.  Isto é uma grande mentira,  o brasileiro é um povo que acolhe a todos os estrangeiros de braços abertos, facilita a vida deles, são cordiais e muito hospitaleiros.  Não sou eu quem está dizendo, mas os próprios estrangeiros que aqui chegam, sejam norte-americanos, suíços, alemães, franceses, holandeses, angolanos, etc.etc.

Se uma brasileira foi leviana e inventou  essa história, ela deve ser punida pelas autoridades suíças e o Brasil se desculpar pelo  prejulgamento de algumas autoridades.  Se aconteceu realmente o fato, se ficar provado,  deve ser indenizada pelos danos  sofridos.   Tudo deve ser apurado sem paixão, sem meias verdades, levado muito a sério como costuma fazer o povo suíço nestes casos.


(21 de março/2009)
CooJornal no 624


Arlete Moreira dos Reis
advogada, escritora e poetisa 
arletemr@ig.com.br
 

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-020.htm

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