
27/08/2005
Número - 439

- Apenas um mediano
- A ânsia de ser o que não é
- A mulher faceira
- Ipanema, anos 40
- Manifesto ingênuo
- O testamento da velhinha
- Saber ser pai
- Uma lição de política
- Você sabe ouvir?
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Artur
da Távola
MENTIRA E VERDADE |
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Faz exatamente um ano, o ótimo jornalista Maurício Dias, escreveu e lançou
um livro “A Mentira das Urnas” com o subtítulo: “Crônica sobre dinheiro &
fraude nas eleições”. Passados uns nove meses todo esse lixo moral que o
País acompanha com desilusão ou nojo provindo justamente dos setores que
mais ofenderam, atacaram e caluniaram irresponsavelmente, e hoje vivem a
dor dupla do tiro que sai pela culatra. Todo esse lixo moral está mostrado
de modo analítico (e sem ter nada com a conjuntura atual) no livro do
Maurício Dias. Ele vai nas causas oriundas da legislação e de deletárias
práticas brasileiras. Sugiro à Luciana Villasboas, bela, audaz e
competente “comandanta” editorial da Editora Record, relançar o livro.
Fora do fogaréu de nomes e acusações da atualidade ali está uma análise
funda das causas do problema. O que menos vejo ser abordado quando da
atual exibição de cabeças decepadas e a sangrar exibidas três vezes por
semana, para o público ávido de sangue (mas indignado...), é a análise das
causas. Só lhe falta agora, ao Maurício, escrever a complementação com a
causa das causas: o Brasil não evoluir para o parlamentarismo.
Estivéssemos no parlamentarismo e a crise já estaria resolvida. Se você
quer conhecer o problema por dentro, corra a ler o livro “A Mentira das
Urnas” do jornalista Maurício Dias.
O BOTAFOGO - VERDADE
Tricolor dos bons, ex atleta do clube, nada fanático, juro que me deu
vontade de ser botafoguense neste passado fim de semana ao devorar o livro
“BOTAFOGO 101 anos de histórias, mitos e superstições”, do também
jornalista Roberto Porto, com seu bigode pré Olívio Dutra, seu tamanho de
gigante e seu coração de cambaxirra. Que livro bom, sô! É da Editora Revan.
Muito bem escrito, muito bem editado. fartamente ilustrado e mais que
isso, com fotos oportunas, raras, fartas e indispensáveis para puxar o
gatilho da memória afetiva de quem acompanha o futebol do Rio.
Todo jornalista sonha com três coisas: 1) abrir um restaurante; 2) vir a
ser técnico de futebol e 3) escrever um livro sobre seu clube. Robertão
escreveu o dele e o malandro do João Luis Albuquerque há três anos me
promete e adia a biografia de Castilho, o maior goleiro que vi jogar em
minha vida. E vejam que o Botafogo tem grandes exegetas como o Armando
Nogueira, Sandro Moreyra, João Saldanha e mais recentemente o Sérgio
Augusto. É time de intelectuais de esquerda, com núcleos da classe média e
algum povão: um amálgama bem carioca.
O livro do Robertão é uma delícia. Ali se revivem histórias notáveis, uma
grande precisão nas pesquisas e nada de chatices no texto: só registros
verdadeiros e saborosos de ler num estilo direto e invejável. Corra a
conhecer antes que acabe.
(27 de agosto/2005)
CooJornal
no 439
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
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