
15/10/2005
Número - 446

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
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Artur
da Távola
AMOR QUE NÃO COBRA |
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O amor quando
maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas silencioso.
Não é menor em extensão. É mais definido colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações. Presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas.Amplia-se com as ausências
significativas.
O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo. Mas vive dos problemas
da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem, o
prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca e do
cheiro do outro - está a compreensão antecipada, a adivinhação, o presente
de valor interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos silenciosos
da percepção, o prazer de conviver, o equilíbrio entre carne e espírito.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte
salva de cada pessoa.Ele vive do que não morreu, mesmo tendo ficado para
depois, vive do que jamais fermentou, criando dimensões novas para
sentimentos antigos, jardins abandonados, cheios de sementes.Até o amor
por Deus, amadurece quando se aprofunda e estende.
O amor, qualquer amor, quando maduro, não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não percebe, recebe.
Não exige, oferece.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
(15 de outubro/2005)
CooJornal
no 446
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
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