
05/11/2005
Número - 449

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
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Artur
da Távola
O CARRAPATO |
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Estou
estarrecido. Na infância e juventude, vivíamos mordidos por carrapato.
Depois, ao servir o Exército (CPOR), nas manobras em Gericinó, já com 19
anos, dormíamos no mato em cabanas e tome carrapato. Nunca ninguém morreu.
Uns os arrancavam pois espetam os ferrões na pele. Erro. A única vez que o
fiz, deixou me no alto da perna marca existente até hoje. Lá dentro, o
ferrão inflama e como corpo estranho fica por lá, arroxeado.
Minha sábia mãe árabe logo me ensinou: quando for para o mato ou campo,
leve amônia. Se o carrapato morder, passe amônia com um algodão, passe,
passe, passe suavemente, e ele vai tonteando, amolecendo e sai sem deixar
o ferrão. (outro dia, estarrecido, li num jornal de alta circulação, que
se tira o carrapato com uma pinça Isso é um absurdo...) Com a velha e
estranha amônia (já viu coisa mais estranha que amônia?) assim sempre
procedi – e o fiz com meus filhos quando pequenos em Itaipava. Até já me
esquecera de em quantos carrapatos dei porre formidáveis de amônia. Em
Sacra Família, em Javari, no CPOR ou na fazenda de Tia Ritinha (em Matias
Barbosa MG), onde um dia, ainda em crianças, ambos, eu espantadíssimo, vi
meu primo Jorge, para mostrar que gente da roça é mais valente que a da
cidade, afundar (a gargalhar de meu pasmo) o pé numa bosta de vaca
fresquinha molenga e cheirosa.
Pois não bastassem Tsunamis, Furacões Vânias, CPIs, Valérios, Delúbios,
Carvalhos, seca na Amazônia e Pantanal, Bush, aftosas, terremotos, a
decepção profunda com setores dominantes do PT, assaltos a granel, Iraque,
gripe aviária (dizem esses impiedosos - que o Lula não quer mais viajar de
avião até que passem os riscos da febre aviária...), agora o até carrapato
começa a matar. Nunca ouvira falar disso, mas por ignorância: houve na
década de trinta um cientista, o esquecido e heróico Dr. José Lemos
Monteiro da Silva, que juntamente com seu auxiliar técnico na luta para
obter uma vacina contra essa horrenda Febre Maculosa (até o nome é
aterrador), morreu dias depois. Ao triturar alguns bichinhos destes, ele e
o auxiliar levaram fatais bicadas. E à época não havia a tetraciclina.
Descobri ainda, em minha andança carrapaticida que há vários tipos dessa
espécie que atinge não apenas cavalos e bois, como pensava, mas cães, e
galinhas. E já foi chamada ao longo do tempo de febre das Montanhas
Rochosas, Febre Negra, Doença Azul, transmitida principalmente por um dos
tipos de carrapato (não sabia haver vários), o estrela, que inocula a
bactéria “Rickettsia rickettsii”. E a doença do carrapato do boi, ainda
leva o doloroso nome de “tristeza bovina”.
Bem.... Há muito sobre carrapatos na internet. É bom pesquisar. Mas lembro
que antigamente quando alguém gostava, deveras, de outrem, dizia-se: Eles
não se desgrudam, parecem carrapato. Pois isso acabou.
Agora é xô filho do capiroto”, Credo Cruz, Virgem Maria, Protegei-me
Senhor, Mangalô três vezes, Vade Retro “Carrapatanás”...
(05 de novembro/2005)
CooJornal
no 449
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
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