01/01/2006
Número - 457

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA

 

Artur da Távola



BONS DE 2005

Este cronista prefere o bom ao mau. O positivo ao negativo. E é contra lista de melhores do anos etc. Falarei em destaques: coisas, pessoas e entidades repletas de coisas boas deste 2005. Tudo simples e despretensioso. Nada de “melhores”, “os dez mais”, essas baboseiras que o lado pretensioso e autoritário da crítica impõe.

Via Brasil, da Globo News, foi o grande destaque por ser o mais simples, singelo e brasileiro dentre todos os programas da televisão do País. E ainda: As reportagens do Francisco José na TV Globo e Globonews. O desenho do Fudêncio na MTV. O cair da máscara moralista de um setor minoritário, mas dominante do PT. O fato de o Governo Lula por haver seguido os passos de FHC na economia mesmo a dizer e repetir dia sim dia não, a bobagem de que o Brasil começou com ele (Lula). Os comentários futebolísticos e os programas vespertinos diários do Apolinho na Rádio Tupi e do Abhi Rhian na MEC AM. A comemoração de 66 anos ininterruptos de José Duba diariamente até hoje no rádio do Rio de Janeiro Idem a Nena Martinez na Tupi. Os shows do seresteiro Carlos José aos 72 anos. Os programas brasileiríssimos de Adelzon Alves às seis da manhã na Rádio MEC e o de Geraldo do Norte às quatro da manhã na Rádio Nacional. O trabalho das gravadoras Biscoito Fino e Revivendo. O DVD de João Salles sobre o pianista Nelson Freire. A crescente evolução da programação da MPB-FM (90,3), sua merecida liderança de audiência e sua bela festa perto do fim do ano. A resistência e os acertos informativos da CBN a resistir bravamente ao assédio de outro acerto de 2005 que foi a chegada deste movo modelo de programação e sistema de informação da Band-News FM, excelente e prático. A caixa de sapotis que ganhei, vinda diretamente do Ceará. As historietas diárias do Cláudio Vieira em O DIA. Neste jornal, ainda, as sensacionais charges do Aroeira. A volta da novela “A Força de Um Desejo” no Vale A Pena Ver de Novo. E valeu. A qualidade e variedade do Esporte Espetacular, da Globo. As narrações de futebol do Luis Fernando na Globo. Os comentários do Tostão onde quer que tenha, escrito ou falado sobre futebol.

O goleiro Kleber do Fluminense, seu salvador, injustamente desprezado pelo clube que lhe deveria agradecer de joelhos. O Programa Pânico, salvo algumas inomináveis perversidades. Marília Pera (que volta agora em Janeiro no Teatro João Caetano) no show “Carmem Miranda” sob a direção de Maurício Shermann. A programação musical da Sala Cecília Meirelles. Os artistas internacionais de música clássica convidados pela Dell’Arte. O Boletim “Viva Música” de Heloísa Fischer. A reforma da Orquestra Sinfônica Brasileira ( em começos) 2005 foi o ano Nelson Freire. Justiça. A volta de Marcão ao tricolor.

A revelação definitiva de Camila Morgado como grande atriz. Fernanda Montenegro em “Belíssima”. O History Channel estreando-se na Sky com programas notáveis sobre a história do mundo moderno e antiguidade. A série inovação da série Mandrake oito filmes brasileiros de uma hora para televisão; Marcos Palmeira e o diretor José Henrique Fonseca em destaque.


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Prossigo hoje as anotações sobre coisas, pessoas, entidades e acontecimentos bons de 2005. Vai faltar um zilhão de citações. Candidamente, eis algumas: os caquis, frutas do conde e abacaxis, em suas respectivas estações, além daquele melão em forma de bola e é cor de abóbora por dentro. Meus sete netos. A bióloga brasileira Lígia da Veiga Jordão da Universidade de São Paulo, e seu trabalho notável no projeto Genoma, as células tronco, etc. As respectivas melhoras do Jornal da Band com Carlos Nascimento; o do SBT com a Ana Paula Padrão e por causa da saída desta da Globo, também a melhora do Jornal da Noite com a dupla que deu mais certo ainda: Cristiane Pelajo e seu halo feminino e otimista e William Wack e seu halo de credibilidade. Os quatro melhoraram os noticiários, um em cada emissora. Os DVDs do Chico Buarque, Os filmes Vinicius, Coisa mais Bonita, Os Dois Filhos de Francisco. As entrevistas da doce Mônica Waldvogel. As reportagens do experiente Goulart de Andrade.

A capacidade de trabalho de Amaury Jr. As partidas do futebol europeu na televisão em canal aberto. O programa realmente inteligente do Serginho Groissman. A eleição de Hélio Jaguaribe para a ABL. As entrevistas sobre livros e literatura de Edney Silvestre na Globo News. A beleza do parque do Flamengo, crescente a cada ano que passa. Zélia Duncan cantando Doce de Coco de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho. Os setenta anos deste. Simone, Betânia, Mônica Salmasso, Nana Caymmi, Fafá de Belém, Olívia Byington e Alcione a cantar cada vez de modo mais maduro e evoluído. Ter havido um referendum cheio de defeitos de montagem e propaganda mas pelo menos realizou-se uma consulta popular estilo país maduro. A bronca de Fernando Gabeira. ouvida do Oiapoc ao Chuí e símbolo de uma renovação política que virá lentamente. Mas virá. Os programas sobre chorinho de João Carlos Carino (rádio MEC AM) e Henrique Cases (Nacional AM). Os de música instrumental brasileira de Jorge Roberto Martins e de J. Carlos (a voz mais bonita do rádio brasileiro) e a reforma geral da programação e dos estúdios da Rádio Nacional e os programas de MPB do Osmar Frazão, da Astrid Nick ( forró na madrugada) Gerdal dos Santos e Marcelo Guima). Meus filhos e filhas do coração. A rapidez, maturidade, alegria e rapidez mental do narrador de Futebol José Carlos Araújo na Rádio Globo. A volta de Haroldo de Andrade ao rádio, na emissora que leva seu nome. As mangas vendidas nas esquinas. O Ricardo Boechat verdadeira revelação como âncora radiofônico, ágil, alerta e bem humorado na Band News FM. O Alves de Mello nas madrugadas da CBN. O progresso continuado e merecido do Zeca Pagodinho( precisa parar de beber cerveja). Os desempenhos de Lúcio Mauro e Agildo Ribeiro nos humorísticos de TV. O Leblon. A melhora espantosa da programação da TV Cultura de São Paulo. Monarco. Os sambas de Luís Carlos da Vila e Elton Medeiros. Suzana Vieira. Débora Secco a amadurecer. Os botecos “pé sujo” que cozinham comida formidável. A aparição gradativa ao mundo da verdadeira face de um criminoso de guerra chamado George Bush.

Ah meu Deus, tanta beleza, tanto amor solto pelo ar, a curva de Copacabana, tanta gente boa, útil, trabalhadora. Pais amorosos. Profissionais competentes. O surgimento de novos jornais no Rio. As diatribes do Arnaldo Jabor. A liderança intelectual do Cacá Diegues, O labor literário de Rubem Fonseca,e do Affonso Romano de Sant’Anna. A energia de trabalho de Antonio Houaiss acima dos oitenta anos e o desempenho de Arnaldo Niskier como Secretário de Cultura do Estado do Rio. Enfim, a vida em sua infinita variação, milagre de forças cósmicas que resolveram criar e aperfeiçoar um modelo de ser humano e nisso estão há milênios.
 


(01 de janeiro/2006)
CooJornal no 457


Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com