
04/03/2006
Número - 466

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
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Artur
da Távola
ESPIRRE NO LENÇO |
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Você já viajou
em ônibus, carro ou avião com um panaca a tossir ou espirrar? Há uns
muquiranas sentados atrás que chegam a molhar a nuca de quem está no banco
da frente com os perdigotos. Há outros que explodem tosses expectorantes e
tenazes. E a gente ao lado. Falta de educação? É pouco. Esses pelintras
são inimigos públicos, pestes ambulantes. No avião, porém, é mais grave.
As companhias de aviação insistem no hábito de não advertir os passageiros
para não espirrarem nem tossir fora do lenço. E como se espirra em avião
fechado!
Vi há anos um filme educativo canadense que mostrava a nuvem de germes e
perdigotos, de metro e meio de diâmetro, lançada no ar a cada espirro. Em
menor tamanho, porém bem mais contaminada, é a nuvem de perdigotos e
germes espargidos pela tosse.E o que dizer daqueles chatos que falam com a
cara em “close up” para nós , cutucam o braço e respingam saliva em nosso
rosto? Ahrrgh, não é? Mas eles existem. E pinguços que tem a mania de
beijar, e baba o seu rosto?
O avião, o automóvel, o ônibus, salas repletas de gente, elevadores, são
sistemas o que ali se esparrama ali circula, infecta ao léu.
Desculpem o mau gosto da comparação, mas o espirro é uma cusparada. Só que
em fragmentos. Tem a mesma malignidade e idêntico (ou talvez pior) teor de
contágio, porque se espalha.
Soar, assoar, cuspir, espirrar (palavra que em castelhano é ainda mais
expressiva: "estornudar"), tossir, precisam ser ações discretas,
cuidadosas sem expor os demais - em lugares fechados - a uma inevitável
contaminação.
E como essa história de gripe aviária está na moda, o cronista, num dia de
maior fragilidade. ficou a pensar no assunto.
ATCHIM!!!!
(04 de março/2006)
CooJornal
no 466
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
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