
30/09/2006
Ano 10 -
Número 496

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
|
|
Artur
da Távola
A INTELIGÊNCIA E O CHORO |
 |
Estou deslumbrado com os Serviços de Inteligência norte-americanos.! Após
alguns anos a destruição do Iraque em nome de retirar um sanguinário
ditador que esconderia armamentos atômicos, em relatório da semana
passada, informaram creio que ao Departamento de Estado, que a invasão do
Iraque gerou efeitos contrários ao inesperado, aumentou o ódio ao ocidente
e o número de organizações terroristas no Oriente, dando-lhes uma causa
justa para defenderem. Estou deslumbrado com tanta “inteligência”.... Aliás
há muitos anos os serviços de inteligência norte-americanos (o novo nome
de espionagem), desde a guerra do Vietnam demonstram a excelência de sua
burrice. Saídos da Segunda Guerra Mundial como heróis da democracia, de lá
para cá, Os Estados Unidos se transformaram no mais detestado país pelo
resto do mundo. Aí entrou o senhor Bush no governo, logo ele, a mais alta
“inteligência” (basta prestar atenção no seu olhar) de quem se tem notícia
na história. Para fazer jus ao título, ele começou por desorganizar o já
precário equilíbrio mundial e despertou reações que redundaram no aumento
do terrorismo. Conseguiu ajudar a enterrar o justo prestígio de uma nação
com tantos aspectos positivos em seu plano interno, grandes universidades,
professores luminares, muita cultura. Tudo acabou em John Wayne.
Agora, a mesma “inteligência” que levou o genocida Bush a mentir para o
mundo sobre os armamentos atômicos (in)existentes no país governado pelo
tirano Saddam, depois de profundas meditações, chega à conclusão que o
efeito da invasão do Iraque foi um tiro que saiu pela culatra.
Aliás, cá pelos Brasis, em matéria de inteligência, a do Partido do atual
governante não fica atrás....
RAZÕES PARA O CHORO
Foi lançado ontem um livro sensacional e de grande utilidade para a
cultura brasileira: Na Cadência do Choro. Ele segue a tradição do Na
Cadência do Samba, escrito por esse grande brasileiro que é o Haroldo
Costa. Este, o do choro, foi escrito em dupla por dois craques, seja como
músicos, seja como escritores: Afonso Machado e Jorge Roberto Martins, o
nosso Jorginho. É um trabalho completo e fartamente ilustrado por
fotografias de época e talvez o primeiro estudo sobre este maravilhoso
gênero musical que o aborde além do habitual saudosismo. Possui um
capítulo só sobre São Pixinguinha (única e justa exceção pessoal), no mais
acompanha toda a evolução do choro (que é notável) até os nossos dias. É
livro da mais alta qualidade, em edição primorosa (merecia uma edição
popular) que honra qualquer biblioteca e indispensável às velhas e novas
gerações de músicos de resistência diante do aluvião de músicas do Bush,
digo do Rock.
Como vêem, temos vários motivos para o choro.
(30 de setembro/2006)
CooJornal
no 496
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
|
|