
17/02/2007
Ano 10 -
Número 516

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
Casa de Cultura Artur
da Távola - Portal e Web Radio, 24 horas no ar.
email:
turda@globo.com
Programa "Mestres da Música" Domingo às 12h na Rádio
Roquette Pinto, 94,1 FM.
Programa Esta Bossa Sempre Nossa
Domingo das 9h às 10h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.
Assista
"Quem Tem Medo da Música Clássica?", pela TV Senado
- Sexta-feira, às 24 h.
- Sáb, às 10, 18 e 24 h.
- Dom, às 10, 18 e 24 h.
"Repertório" pela TV Cultura, de São Paulo
- segundas, quarta e sextas-feiras depois da meia noite, perto da uma da manhã.
|
|
Artur
da Távola
O CARNAVAL DEPOIS DE SINHÔ
|
 |
Por causa de minha
mania de velho repórter a de guardar falas, entrevistas e documentos da
música popular brasileira, há vários anos, gravei em fita uma entrevista
radiofônica do pesquisador de alto mérito, Carlos Didier, autor, com João
Máximo da formidável e definitiva biografia de Noel Rosa. Para o que ele
disse não desaparecesse no éter, anotei na hora e agora sintetizo alguns
fatos do carnaval. Com a fala de Carlos Didier abro a temporada de
carnaval aqui neste canto de página:
“Em 1918 entrou em
cena José Barbosa da Silva, o Sinhô. Elemento da roda, freqüentador dos
candomblés, pianeiro, animador de bailes, foi o compositor que mais
contribuições deu ao gênero nos anos seguintes. Quem São Eles? A
música tem letra irreverente na qual o Sinhô alfinetava Pixinguinha e a
turma de baianos. O refrão é claro: “ A Bahia é boa terra/ Ela lá e eu
aqui/ Iaiá.”
Em 1919 lançaram-se
sambas em profusão. Um deles, a resposta de Pixinguinha e China, seu
irmão, ao Quem são eles? de Sinhô. Quem são eles? Eu já te digo.
A letra é uma caricatura do autor. “Ele é alto, magro, feio e
desdentado.” A interpretação não original mas a dos Oito Batutas é
de 1923. Não é à toa que os Oito Batutas fizeram nome. Sinhô lançou
em 1919 três sambas: Confessa Meu Bem, Deixa Desse Costume e
Só Por Amizade. As três interpretações a cargo de Eduardo das
Neves, cantor de modinhas e lundus, dos primeiros a gravar discos no
Brasil. Eduardo também era íntimo do estilo que surgia. Assim nos garante
Francisco Guimarães, o Vagalume, em Na Roda do Samba: “Ele sempre
foi um catedrático desde os tempos de guarda-freio (era a profissão do
Eduardo), daqueles bambas, daqueles que se garantiam e cujas pernas eram
respeitadas numa batucada.” Vamos reservar nossa melhor atenção aos
elementos musicais, à pulsação rítmica principalmente. Pode-se constatar
que Eduardo das Neves está mesmo à vontade em Confessa Meu Bem, de
Sinhô.
Em 1919, o samba já
estava consagrado como música carnavalesca. Em 1920 os compositores de
fora da roda começaram a se interessar por ele. O primeiro foi Luiz Nunes
Sampaio, o Careca. O saudoso estudioso das origens do samba, o jornalista
Jota Efegê, nos traçou o perfil dele: “Pianista de apurada execução,
sabendo tirar das teclas o ritmo provocante, foi um carnavalesco de quatro
costados. Morador do Catumbi, ligado ao Clube dos Fenianos e ao Clube dos
Zoados, de cujos bailes participava, animando-os com execução ao piano de
convidativos chorinhos e desengonçantes maxixes. Como se observa, o samba
atingiu em cheio o coração de carnavalescos.”
Pois é... assim falou
João Didier, um mestre no assunto.
(17 de fevereiro/2007)
CooJornal
no 516
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
|
|