
10/03/2007
Ano 10 -
Número 519

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
Casa de Cultura Artur
da Távola - Portal e Web Radio, 24 horas no ar.
email:
turda@globo.com
Programa "Mestres da Música" Domingo às 12h na Rádio
Roquette Pinto, 94,1 FM.
Programa Esta Bossa Sempre Nossa
Domingo das 9h às 10h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.
Assista
"Quem Tem Medo da Música Clássica?", pela TV Senado
- Sexta-feira, às 24 h.
- Sáb, às 10, 18 e 24 h.
- Dom, às 10, 18 e 24 h.
"Repertório" pela TV Cultura, de São Paulo
- segundas, quarta e sextas-feiras depois da meia noite, perto da uma da manhã.
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Artur
da Távola
AMOR É SÓ ALEGRIA E PRAZER?
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Alcançar o amor talvez exija mais renúncia do que alegria pura. Nem sei se
a felicidade pessoal é plenamente compatível com o amor. Mas acho que sim,
no caso de amores verdadeiros. Eles existem. E crescem enquanto parecem
diminuir... Por que ligar felicidade somente ao amor? Viver é feliz embora
haja tanta infelicidade “pela” aí.
Assim como é necessária alguma crueldade para viver, assim como há sempre
alguma agressão embrulhada em qualquer vitória, também a felicidade
precisa de alguma inconseqüência. O amor por si, quando profundo, é
repleto de "trágicos deveres". Por isso, o amor não está ligado
exclusivamente a alegrias ou prazeres. Há outros valores em sua caixa de
surpresas.
O amor é um sentimento também ligado à lucidez, à renúncia, à compreensão
das contradições. O amor é sério demais para almejar apenas a felicidade
permanente. Amar é ser capaz de viver um sentimento que se misture fundo
com a vida, muitas vezes negue-se a si mesmo por momentos ou seja
corriqueiro, mal percebido, sem grandeza, sem efeitos extraordinários,
emoções particulares ou excitantes. Mas exista, resista e insista.
Aqui residem, pois, as complicações do amor. Só se torna visível quando
ameaçado de acabar. Só é verdadeiramente dimensionado quando se supõe nada
mais sentir. Está onde menos se espera. É profundo, vital, doador,
independente de exaltações. Flui imperceptível, aparece ao sumir. Por
isso,pessoas que se separam, mesmo livres uma da outra, sentem o vazio, da
perda, um sentimento de possibilidade perdida. É preciso muito viver,
muito desiludir-se, muito sentir, muito experimentar, muito perder, muito
renunciar, para encontrar o próprio amor, guardado não se sabe em que
dobra da gente, e muitas vezes nunca descoberto.
Morrer sem descobrir o próprio amor infelizmente é freqüente na espécie
humana. E terrível! O que estamos fazendo com o amor que está em nós e
diariamente trocamos por outras e supérfluas emoções prazenteiras, por
felicidade inconseqüente, por alegrias passageiras, por entretenimento em
vez de conhecimento? Sim, o que estamos a fazer? O quê? É melhor
rapidamente você descobrir e transformar a própria vida (e a dos demais)
em um ato de amor. Só assim será feliz: porque amor e felicidade só se
unem na prática do bem, do perdão e da compreensão. O mais é passageiro, e
fugaz, mesmo quando bota a máscara da paixão.
(10 de março/2007)
CooJornal
no 519
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
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