17/03/2007
Ano 10 - Número 520

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA

 

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Programa "Mestres da Música" Domingo às 12h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.

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Domingo das 9h às 10h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.

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- Dom, às 10, 18 e 24 h.

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- segundas, quarta e sextas-feiras depois da meia noite, perto da uma da manhã.
 

 

 

Artur da Távola



REFLEXÕES ACERCA DA POLÍTICA

 

Quando nos tornamos maduros, só então descobrimos não ser tão seguros, aptos e acabados como, quando moços, imaginávamos serem os mais velhos. Ao contrário, aumentamos o conhecimento de nossas limitações. E verificamos que eles possuíam as mesmas deficiências e acertos nossos. Há uma tendência de se hiper valorizar o passado. Essa tendência vive a nos assaltar a mente. Em compensação, idealizamos menos a vida, os seres humanos, e ganha-se, aí sim, a madura relatividade no julgamento de coisas e pessoas. Diminuem as opiniões, aumentam as análises. Idosos cheios de opiniões e “verdades” são pessoas que não evoluíram. Ou só evoluíram no interior do tubo de idéias dentro no qual já pensavam. Estes são os verdadeiros conservadores. Em qualquer idade...

Na política dá-se o mesmo, quando nela amadurecemos, descobrimos que pessoas consideradas aptas e competentes, possuem as mesmas deficiências do que nós. O que varia é o campo da competência e da incompetência de cada um.

Quem só conhece política através do noticiário (o verdadeiro conhecimento só vem com a militância) não tem a menor noção de quem são e como são os políticos, salvo os casos extremos de bom e mau caráter. Um político pode ser ótimo parlamentar em Brasília que isso não tem qualquer correspondência com o que dele se sabe em seu Estado. O mesmo se aplica aos malandros e aos desonestos. Eleitoralmente a realidade de Brasília é uma, e a do Estado (domicílio eleitoral da fera), outra. Daí a importância do voto distrital, acompanhado do distrital misto mas isso é assunto para outra crônica.

Um bom político eleitoralmente falando é aquele que não se esquece de se fazer presente em seu local de votação. Salvo quando se torna um nome nacional e o noticiário da mídia a ele constantemente se refere. Quer fazer uma prova? Lembre-se de quinze nomes de Deputados federais de seu Estado.

Na esmagadora maioria dos casos (raríssimas e meritórias exceções) o comportamento do político é comandado por interesses e complexidades do lugar onde faz política. Raros têm uma visão abrangente do País, da situação internacional e um conhecimento da história das idéias políticas e sua aparente evolução.

Já opinião (que é quase sempre superficial), esta, é que não falta. Quanto menos conhecimento, mais opinião, já repararam?




(17 de março/2007)
CooJornal no 520


Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com