
21/04/2007
Ano 10 -
Número 525

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
Casa de Cultura Artur
da Távola - Portal e Web Radio, 24 horas no ar.
email:
turda@globo.com
Programa "Mestres da Música" Domingo às 12h na Rádio
Roquette Pinto, 94,1 FM.
Programa Esta Bossa Sempre Nossa
Domingo das 9h às 10h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.
Assista
"Quem Tem Medo da Música Clássica?", pela TV Senado
- Sexta-feira, às 24 h.
- Sáb, às 10, 18 e 24 h.
- Dom, às 10, 18 e 24 h.
"Repertório" pela TV Cultura, de São Paulo
- segundas, quarta e sextas-feiras depois da meia noite, perto da uma da manhã.
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Artur
da Távola
BUSCANDO VÁRIAS VIDAS NA PRÓPRIA
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Um dos dramas do ser humano é este: todas as
vidas que a gente tem não cabem em toda a nossa vida.
Quanto mais complexo o ser humano, maior a impossibilidade de conciliar
internamente, e/ou de viver as várias vidas existentes.
Pessoas há que, para dar vazão às vidas que se tumultuam por dentro da
gente, partem para a arte. Nesse sentido, a arte é puro processo de
criação, porque permite a existência das várias vidas que - paralelas -
vivemos internamente.
Escrever, pintar, representar, poetar, musicar, cantar, tocar, fabular são
a vazão que o artista dá a todas as vidas que tem e não cabem em toda a
vida vivida, porque toda a nossa vida vai sendo ocupada, desde cedo, com
deveres e idéias que adotamos (ou nos fizeram adotar) e com os quais, de
alguma forma, cimentamos compromissos, deveres, responsabilidades.
Outras pessoas, porém, em vez da forma projetiva, exorcista, econômica,
encapsulada, simbólica ou representativa, sem a possibilidade da forma
artística citada, jamais partem para viver todas as vidas que têm.
Quem se sente artista, porém, em qualquer campo, ou mesmo cientista,ou
inventor consegue (não sem sacrifício) viver o máximo de vidas possível. E
sem entrar na esquizofrenia, ou nela entrando no ato criativo, consegue
dela sair ao concluir a criação.
Quem tenta viver todas as vidas que tem, pela coragem, pelo
desprendimento, pelo impulso de enfrentar o impossível, estes, mesmo
quando não merecem a adesão ou apoio dos demais (pois necessitam de muita
solidão), ganham-lhes o respeito, ora invejoso ora admirado. É que são
capazes de sofrer para se expor a tudo aquilo que, embora seduzindo,
provoca natural temor no homem médio.
Ter muitas vidas, as tantas que não cabem em toda a nossa vida, é saber-se
pouco diante do muito que se é capaz de sentir, fabular, criar. É
conseguir sair da rigidez ou do empacotamento impostos na infância por
adultos, escola, sociedade, classe social, todos repressores e tornar-se
parte de outros mundos humanos, aos quais deve percorrer com a emoção de
criança em viagem de férias.
É ser amigo de sua diversidade interior e nela encontrar, ao amadurecer, a
própria identidade, alcançável (mesmo com imperfeições) no ápice do
processo de desenvolvimento humano.
(21 de abril/2007)
CooJornal
no 525
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
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