
05/05/2007
Ano 10 -
Número 527

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
Casa de Cultura Artur
da Távola - Portal e Web Radio, 24 horas no ar.
email:
turda@globo.com
Programa "Mestres da Música" Domingo às 12h na Rádio
Roquette Pinto, 94,1 FM.
Programa Esta Bossa Sempre Nossa
Domingo das 9h às 10h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.
Assista
"Quem Tem Medo da Música Clássica?", pela TV Senado
- Sexta-feira, às 24 h.
- Sáb, às 10, 18 e 24 h.
- Dom, às 10, 18 e 24 h.
"Repertório" pela TV Cultura, de São Paulo
- segundas, quarta e sextas-feiras depois da meia noite, perto da uma da manhã.
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Artur
da Távola
O BELO, A BELEZA E A VERDADE
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Li há tempos, anotei no caderninho, mas
esqueci de colocar o nome do autor ou autora:
“Muitos pensam que contemplam o belo, mas na realidade apenas admiram o
belo em alguns momentos. A arte de admirar o belo é mais do que admiração
superficial. É preciso respirar o belo, sentir o seu sabor mais profundo.
Contemplar o belo é um bálsamo, um verdadeiro prazer de viver.”
Eu concordo mas estou convencido de que o belo não esgota a beleza. Há
sempre algo mais. Daí a importância de ir além do belo como admiração
superficial. É desvendá-lo além de sua aparência hipnotizadora. Está
complicado: vou tentar de novo, trocando a palavra belo pela palavra
bonito.
Por exemplo: o que é bonito e nos provoca o prazer dos sentidos e isso já
é muito importante para o aperfeiçoamento humano. No auge do romantismo do
século dezenove , seus seguidores identificavam o estético como caminho
para o ético. Até concordo. Mas estou convencido de que verdadeira beleza
vai além do que é bonito. E não desemboca no ético: começa nele. E nesse
além, existe algo relacionado com a verdade. Sim, a verdade, em inúmeras
de suas faces. E quando há uma verdade no seio da beleza, metade dela
entendemos e nos emocionamos e a outra metade sentimos existir,
percebemos, porém ela sempre se nos escapa logo após se revelar. Ela mora
além. A gente tem um vislumbre e ele logo desaparece. Aliás creio que
assim também é o sentimento da existência da Divindade. Daí o conceito de
re-velação.
Lembro-me do rosto de Ingrid Bergmann. Bonito? Mais que isso: lindo. Mas a
verdadeira beleza daquela mulher era um mistério semi deslindável que
estava além do lindo. Nesse belo conectamos sem plena explicação uma parte
nossa que se identifica com esse além. A beleza tem uma cara visível porém
está sempre um pouco além do que a sentimos. E a beleza pode existir
também fora do (e alheia ao) que é bonito, É necessária a verdade daquela
beleza.
Desculpem vir com papo cabeça num dia de sábado: É que desde quinta feira
à noite, quando começou a chover pude sentir, assim de repente, a beleza
contida nessa pacificação da natureza trazida pelo outono. Ela expressa
nossa busca de beleza e verdade: o equilíbrio entre o frio e o calor, ou o
azul das telas de Monet. Ou o Concerto para Piano Nº 2 de Brahms. Ou um
gol. Ou a obra do Chico Buarque. Tanta coisa há que está muito além do
bonito e alcança a verdade e a beleza Quanto maior a nossa captação da
beleza oculta no que já é bonito, lindo e prazenteiro, maior também será a
nossa felicidade.
(05 de maio/2007)
CooJornal
no 527
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
www.arturdatavola.com
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