16/06/2007
Ano 11 - Número 533

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA

 

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Artur da Távola




SABORES,SAUDADES E ESPERTEZAS



 

E não é que deu saudade do tempo em que mergulhava o Biscoito Maria, aquele de maisena, na xícara farta do café com leite? Contrariei restrições médicas, fui ao armário, achei o pacote e, com alegria de travessura infantil, afundei dois biscoitos. Desilusão! O sabor era outro, não porque deixei de ser criança, mas a qualidade do produto, era muito inferior ao sabor do velho biscoito Maria.

Fiquei a pensar em antigas delícias que por sua popularidade ou popularização, depois caíram na desqualificação. Já nem falo do Polenguinho que misteriosamente foi diminuindo de tamanho na relação inversa ao preço (qualquer dia desaparece...), nem no antes maravilhoso Catupiry que hoje parece sebo. Em compensação Catupiry virou metonímia e faz sucesso. Tudo hoje “tem” Catupiry, já repararam: empadas, pastéis, coxinhas de frango. É mais caro e tome coleterol. Tampouco aludo aos saquinhos de queijo ralado que sabem a tudo menos a parmesão... Já não falo nas garrafas de guaraná que diminuíram ou nas caixinhas do sorvete "diet" da Kibon que igualmente minguaram. Até produtos Diet alternativos ficam menores, muito mais caros e nada “alternativos”...Lojas alternativas tipo Mundo Verde são muito mais caras que qualquer supermercado.... Espertezas da indústria em País no qual o consumidor ainda não aprendeu a se defender. Cafezinho cheiroso de coador? Este sumiu por ser mais barato que o mal feito “expresso”, tosca imitação do italiano e em geral mal feito e amargo.

Isso sem falar na diminuição do tamanho dos frangos à venda (há quanto tempo você não come uma boa e gorda galinha?). Ainda no Natal de 2006 eu observava a diminuição do tamanho dos perus. Mas o Chester resultou em saborosa travessura tecnológica, sei lá com que anabolizantes....Aves abatidas antes de um tamanho razoável custam o mesmo preço mas economizam ração, aumentando os lucros: galinha virou frango que aos poucos é quase pinto.... E ainda há os preços dos remédios que dispararam e o tamanho dos tubos de tudo quanto é pomada.

Quero, também falar-lhes de antigas delícias que se tornaram insípidas em qualquer bar ou botequim, como pastéis, empadas, quibes fritos e pizzas. Neguinho come para matar a fome, não mais pelo sabor. O mesmo se deu com alguns produtos de lata como salsichas e os outrora deliciosos pêssegos em calda, hoje mirrados e sem graça.

Vejam no que deu um simples mergulho do biscoito da infância no café com leite. Trouxe à memória gustativa dezenas de sabores que o progresso vai maltratando e o diabetes proibindo. Por falar nisso: há quanto tempo você não come uma broa de milho, um autêntico bolo de aipim ou um doce de batata roxa?



(16 de junho/2007)
CooJornal no 533


Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
turda@globo.com
www.arturdatavola.com