
07/07/2007
Ano 11 -
Número 536

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
Casa de Cultura Artur
da Távola - Portal e Web Radio, 24 horas no ar.
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turda@globo.com
Programa "Mestres da Música" Domingo às 12h na Rádio
Roquette Pinto, 94,1 FM.
Programa Esta Bossa Sempre Nossa
Domingo das 9h às 10h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.
Assista
"Quem Tem Medo da Música Clássica?", pela TV Senado
- Sexta-feira, às 24 h.
- Sáb, às 10, 18 e 24 h.
- Dom, às 10, 18 e 24 h.
"Repertório" pela TV Cultura, de São Paulo
- segundas, quarta e sextas-feiras depois da meia noite, perto da uma da manhã.
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Artur
da Távola
AMOR É O ENCONTRO COM A VERDADE DE CADA UM
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Escolher o amor é encontrar e descobrir quem
é para nós. Isto não quer dizer apontar quem pode ser um bom marido, uma
boa esposa, o amante, a namorada. Tem a ver com intuição e eleição. E
independência.
Sim, escolher o amor é exercer a independência. E, em nome desta
independência, serão aceitas todas as dependências naturais, aderentes à
relação. Parece contraditório, contudo não é. Só quem está inteiro na sua
escolha e é total na direção de seu destino aceita as inevitáveis
dependências naturais na vida e no amor. É que, na escolha do amor, está o
encontro com a verdade individual e profunda de cada ser, uma verdade sem
disfarces, que liberta.
Quem chegou ao amor por independência terá aceito a carga de sofrimentos,
sustos, solidão e agressões aí originados. Não considera dependentes
certos atos em prol do ser amado que, em outro contexto, seriam feitos com
sacrifício, ou pareceriam servidão. E, assim livre, consegue ser feliz nas
dependências naturais do amor.
Como o amor, a independência é filha da crise. Escolher caminhos ou
pessoas é sempre crise, é conflito. Implica abrir mão, deixar, renunciar,
abandonar, para operar a (nova) escolha. E o que se deixa, larga ou
abandona, também dói, fere, dá culpa, sobretudo se não nos é indiferente
ou descartável.
Escolher é, pois, viver a crise. Também. O verdadeiro sentido da palavra
crise é dividir, separar. Provém do grego krisis. Krisis é o ato de
escolher, de separar, de julgar. È escolha, julgamento, eleição, divisão.
Ao ter que escolher, somos tomados por uma crise, vale dizer, por uma
divisão. O fato de estar divido, fragmentado pelos vários pólos de cada
escolha é um ato crítico. Crise é, portanto, uma situação completa de
escolha de caminhos ou decisões.
Não há independência sem crise. Logo, não há amor sem crise. E o amor só
se torna feliz, se pode escolher e ser escolhido num misterioso ato
completo de liberdade.
(07 de julho/2007)
CooJornal
no 536
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
turda@globo.com
www.arturdatavola.com
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