21/07/2007
Ano 11 - Número 538

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA


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Programa "Mestres da Música" Domingo às 12h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.

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Domingo das 9h às 10h na Rádio Roquette Pinto, 94,1 FM.

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- Sáb, às 10, 18 e 24 h.
- Dom, às 10, 18 e 24 h.

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- segundas, quarta e sextas-feiras depois da meia noite, perto da uma da manhã.
 

 

 

Artur da Távola




MINHA QUERIDA PROFESSORA


 

Falo com você em nome de todas as professoras e professores de crianças e jovens. Eu sei de seus esforços e dos salários infames. E sei também que meu pedido é desnecessário. Vocês estão cansadas e cansados de saber o que lhes peço abaixo.

Percebo em adolescentes e jovens atuais, dois pontos que parecem haver ficado esquecidos nesta era dos eletrônicos e da tecnologia alucinante: o modo de falar e a simpatia sem bajulação (ou o fim da indiferença com o próximo).
1) Os jovens falam de modo tão rápido, que é impossível entender. Ainda bem que entre si se comunicam. Eles, hoje, emitem sons que correspondem àquelas simplificações das palavras que escrevem ao computador, economizando milhares de letras (“vc”, em vez de você; “qqr”, em vez de qualquer, etc,), e o fazem, ademais, a exercitar uma insuperável velocidade de digitação. Tudo é veloz, gritado ou cacofônico.
2) Os jovens e adolescentes, com raras exceções, perderam a noção de simpatia como um bem desejável no relacionamento humano.

Não pensem que, como toda pessoa idosa (em qualquer época do mundo), estou a dizer que os jovens estão perdidos. Isso se fala há séculos e o mundo continua mundo, atado ao conflito fundamental, o da tentativa de harmonização dos opostos que latejam em todos nós. E assim seguirá.

Em criança, eu quase era reprovado em caligrafia. Verdade! Cresci com uma letra horrorosa até hoje, porém, felizmente, legível, e, mais, fácil de ser entendida. Hoje aula de caligrafia acabou. Sei lá. Quero é falar de califasia. Meus queridos professores e professoras: califasia é a caligrafia da fala... Por favor, ensinem a meninada a falar, a articular as sílabas e descobrir a elegância de uma fala em velocidade normal e respiração harmônica: em suma, uma boa dicção. Acho que hoje se ensina muita coisa importante, mas a ler e a falar, neca.

O espaço acaba, mas se ainda tiverem tempo para ler o final da crônica, por favor, comecem a mostrar-lhes aos poucos que a simpatia com adultos e com gente da sua idade não é uma babaquice, nem diminuição da liberdade de alguém. É um bem a ser preservado, importante e fundamental para as relações humanas.

Muito obrigado.
 
 


(21 de julho/2007)
CooJornal no 538


Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
turda@globo.com
www.arturdatavola.com