
03/05/2008
Ano 11 -
Número 579

ARQUIVO
ARTUR DA TÁVOLA
Casa de Cultura Artur
da Távola - Portal e Web Radio, 24 horas no ar.
email:
turda@globo.com
Programa "Mestres da Música" Domingo às 12h na Rádio
Roquette Pinto, 94,1 FM.
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Artur
da Távola
RESPOSTA À SUA CARTA
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A você que me escreveu na suposição de que sou melhor do que sou porque
escrevo textos com os quais tem afinidade profunda, desejo dizer-lhe o
seguinte:
Não exija muito de mim. Nem me creia melhor do que sou. Conhecer é "desilusionar"
(embora possa ser, também, perdoar). Por enquanto (e talvez para sempre), sou
apenas um garimpeiro do Absoluto. Não me peça para definir. Nem pergunte por
que o escrevo com letra maiúscula. Quer a verdade? É por medo. Já sentiu medo
e esperança ao mesmo tempo? A gente tem mais medo (e mais esperança) daquilo
que não conhece. No fundo, é porque mais se teme a própria fantasia do que a
realidade. Esta, a gente enfrenta, a realidade. Já a fantasia, o imaginário,
enquanto perduram, assustam muito.
A vida é um grande garimpo feito brincadeira pelo homem sério. Garimpamos a
terra em busca da verdade do homem. A da Justiça. Garimpamos o Absoluto em
busca do ouro da Verdade. Desta, só nos foi dado ter intuições, percepções,
lampejos. A Verdade é a Infinitude. Porque a Infinitude é a Perfeição. Já
nossa mente é finita como a vida, logo imperfeita.
A vida não é a Verdade. É mero espaço de tempo inserido entre Ela. Que está
antes e depois. É flash que espocou no meio da Verdade e fulgura por breve
tempo. A Verdade está no antes e no depois da vida. Durante esta, a Verdade
aparece, existe, pode até salvar os homens: mas como o ouro do garimpo, sempre
em pedaços.
O jeito é garimpar. Quem lhe pode garantir que a Verdade não nasça da trama
íntima de nossos erros e os da própria natureza?
Não exija muito de mim.
Não jogue na minha cara as verdades do mundo. Estas eu sei. E o que doem,
embora continuem encantando a minha esperança.
Não cobre do garimpeiro o ouro. Cobre-lhe a procura. A honesta procura. Por
mais que saiba e por melhor que seja, o homem é apenas um garimpeiro e
esperança de poucas respostas.
(03 de maio/2008)
CooJornal
no 579
Artur da Távola
escritor, poeta, radialista
RJ
turda@globo.com
www.arturdatavola.com
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