Müller Barone
A CPI que nunca sairá |
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“já
imaginaram o que seria abrir a caixa-preta dos sindicatos? Imaginem a
Polícia Federal na Operação Dedo no Torno.
Não fazem porque faltam presídios no Brasil.”
(Editorial
254)
Meu amigo Marcos, dono do cafezinho onde sempre leio o jornal, me
aparece com o Estadão. Com muita pressa, porque precisava atualizar o
site, dou uma rápida passada de olhos pela primeira página e “pum”,
salta a notícia sobre uma manobra de alguns senadores, entre eles
Paulo Paim (que está no editorial) e Francisco Dornelles, que aprovou
o imposto sindical sem qualquer mudança, por pressão das Centrais
Sindicais, claro, embora eles tenham negado o lobby, que, neste caso,
inclusive porque feito também por deputados federais, não gera
processo por quebra de decoro parlamentar. Esquerda e direita, patrões
e empregados, todos de mãos dadas, desta vez, para assaltar o bolso
alheio. Normal.
Paulo Paim, dando
uma de João Portador de Necessidades Especiais (aprendi, politicamente
correto, nada dessa história de sem braço), alegou que o imposto
sindical é burro, que o certo é “contribuição negocial” (belo nome
para a mesma coisa), que pode até, em assembléia dos trabalhadores,
chegar à alíquota zero (“deixa índio rir primeiro – haa, haa, haa.
Agora conta outra”. Praça da Alegria, anos atrás). Ele só não
falava desta punga ao bolso do trabalhador na época em foi
sindicalista
(Líder sindical, foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas
por duas vezes, e da Central Estadual de Trabalhadores do RS. -
Presidente, Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas, RS,
1981-1984 e 1984-1985; - Presidente, Central Estadual de
Trabalhadores, RS, 1982-1983; Secretário-Geral, CUT Nacional, São
Paulo, SP, 1983-1984, e Vice-Presidente, 1984-1986 -
*).
Francisco
Dornelles segue a regra, atento aos Sindicatos Patronais e Federações
de Indústrias, Bancos, ou seja, do capital que ele representa e nunca
escondeu.
O imposto sindical é uma vergonha
institucionalizada, o pagamento é obrigatório independentemente de ser
o pobre coitado sindicalizado ou não. Segundo a Constituição da tal da
República Federativa do Brasil, ninguém é obrigado a associar-se ou
manter-se como membro de coisa nenhuma.
Isso eles respeitam, mas ela não
determina que o cara que quer distância dos sindicatos fique livre do
confisco (aqui eles também respeitam) que os dirigentes sindicais
adoram fazer para engordar os cofres de uma instituição que nunca será
(que pena) objeto de uma CPI ou de uma investigação da Polícia
Federal.
Alguém tem idéia da grana que corre
dentro dos sindicatos? Já viram algum pelebré que, depois de entrar
para o sindicato, continua sem carro, casa e outras maravilhas do
capitalismo?
Paulinho da Força, Medeiros, Magri, Lula,
Vicentinho, Paulo Paim, Jair Meneghelli, Olívio Dutra e segue a lista
infinita de sindicalista que viraram políticos, duvido que com verbas
do próprio bolso. Democrático o Brasil, não? Da esquerdinha ou da
direitona, os sindicatos vão bem, obrigado. Rei morto, rei posto. Sai
Lula, entra Jair; sai Jair, entra Vicentinho, todos ex-pobretões,
todos ex-sindicalistas, todos numa boa, todos eleitos. O mesmo se deu
com Magri, Medeiros, Paulinho.
Mas é assim que a estrutura funciona. Até
hoje a pluralidade sindical não saiu do discurso. Na Constituinte, até
o PT votou contra, para negociar a Reforma Agrária, ou seja, por nada.
Trabalhadores acabam reféns dos sindicatos e os sindicatos estão
sempre prontos a negociar ardilosamente com os patrões. Na calada da
noite, CUT, CGT, Força Sindical, FIESP, FEBRABAN fazem uma suruba e
tanto, gozam dos trabalhadores. Se não é isso, por que o
salário mínimo é o que é independentemente do partido que está no
poder? Por que não se contentam os sindicatos apenas com a
contribuição daqueles que resolvem se filiar? Por que ninguém requer a
abertura de uma CPI dos sindicatos de ambos os lados do binômio
capital-trabalho? Porque a coisa pegaria valendo e logo veríamos a
Central dos Presidiários do Brasil.
Os trabalhadores deste país deveriam
fazer uma greve geral contra a sanha arrecadadora dos sindicatos. Ok,
eu a Poliana somos gêmeos univitelinos.
Como sempre, eles têm aquele discurso
bonito, fazem de conta que pensam no país e, como sempre, nós ficamos
de fora “desta festa pobre, que
os homens armaram pra me convencer a pagar sem ver toda essa droga,
que já malhada antes de eu nascer.”
(*) fonte:
http://www.senado.gov.br/paulopaim/pages/vida/biografia/biografia.htm
(08 de dezembro/2007)
CooJornal no 558
Muller Barone é advogado e escritor.
Curitiba/PR
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