08/12/2007
Número - 558


Müller Barone
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Müller Barone



A CPI que nunca sairá

  

 “já imaginaram o que seria abrir a caixa-preta dos sindicatos? Imaginem a Polícia Federal na Operação Dedo no Torno. Não fazem porque faltam presídios no Brasil.” (Editorial 254)


Meu amigo Marcos, dono do cafezinho onde sempre leio o jornal, me aparece com o Estadão. Com muita pressa, porque precisava atualizar o site, dou uma rápida passada de olhos pela primeira página e “pum”, salta a notícia sobre uma manobra de alguns senadores, entre eles Paulo Paim (que está no editorial) e Francisco Dornelles, que aprovou o imposto sindical sem qualquer mudança, por pressão das Centrais Sindicais, claro, embora eles tenham negado o lobby, que, neste caso, inclusive porque feito também por deputados federais, não gera processo por quebra de decoro parlamentar. Esquerda e direita, patrões e empregados, todos de mãos dadas, desta vez, para assaltar o bolso alheio. Normal.

Paulo Paim, dando uma de João Portador de Necessidades Especiais (aprendi, politicamente correto, nada dessa história de sem braço), alegou que o imposto sindical é burro, que o certo é “contribuição negocial” (belo nome para a mesma coisa), que pode até, em assembléia dos trabalhadores, chegar à alíquota zero (“deixa índio rir primeiro – haa, haa, haa. Agora conta outra”. Praça da Alegria, anos atrás). Ele só não falava desta punga ao bolso do trabalhador na época em foi sindicalista (Líder sindical, foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas por duas vezes, e da Central Estadual de Trabalhadores do RS. - Presidente, Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas, RS, 1981-1984 e 1984-1985; - Presidente, Central Estadual de Trabalhadores, RS, 1982-1983; Secretário-Geral, CUT Nacional, São Paulo, SP, 1983-1984, e Vice-Presidente, 1984-1986 - *).

Francisco Dornelles segue a regra, atento aos Sindicatos Patronais e Federações de Indústrias, Bancos, ou seja, do capital que ele representa e nunca escondeu.

O imposto sindical é uma vergonha institucionalizada, o pagamento é obrigatório independentemente de ser o pobre coitado sindicalizado ou não. Segundo a Constituição da tal da República Federativa do Brasil, ninguém é obrigado a associar-se ou manter-se como membro de coisa nenhuma. Isso eles respeitam, mas ela não determina que o cara que quer distância dos sindicatos fique livre do confisco (aqui eles também respeitam) que os dirigentes sindicais adoram fazer para engordar os cofres de uma instituição que nunca será (que pena) objeto de uma CPI ou de uma investigação da Polícia Federal.

Alguém tem idéia da grana que corre dentro dos sindicatos? Já viram algum pelebré que, depois de entrar para o sindicato, continua sem carro, casa e outras maravilhas do capitalismo?

Paulinho da Força, Medeiros, Magri, Lula, Vicentinho, Paulo Paim, Jair Meneghelli, Olívio Dutra e segue a lista infinita de sindicalista que viraram políticos, duvido que com verbas do próprio bolso. Democrático o Brasil, não? Da esquerdinha ou da direitona, os sindicatos vão bem, obrigado. Rei morto, rei posto. Sai Lula, entra Jair; sai Jair, entra Vicentinho, todos ex-pobretões, todos ex-sindicalistas, todos numa boa, todos eleitos. O mesmo se deu com Magri, Medeiros, Paulinho.

Mas é assim que a estrutura funciona. Até hoje a pluralidade sindical não saiu do discurso. Na Constituinte, até o PT votou contra, para negociar a Reforma Agrária, ou seja, por nada. Trabalhadores acabam reféns dos sindicatos e os sindicatos estão sempre prontos a negociar ardilosamente com os patrões. Na calada da noite, CUT, CGT, Força Sindical, FIESP, FEBRABAN fazem uma suruba e tanto, gozam dos trabalhadores. Se não é isso, por que o salário mínimo é o que é independentemente do partido que está no poder? Por que não se contentam os sindicatos apenas com a contribuição daqueles que resolvem se filiar? Por que ninguém requer a abertura de uma CPI dos sindicatos de ambos os lados do binômio capital-trabalho? Porque a coisa pegaria valendo e logo veríamos a Central dos Presidiários do Brasil.

Os trabalhadores deste país deveriam fazer uma greve geral contra a sanha arrecadadora dos sindicatos. Ok, eu a Poliana somos gêmeos univitelinos.

Como sempre, eles têm aquele discurso bonito, fazem de conta que pensam no país e, como sempre, nós ficamos de fora “desta festa pobre, que os homens armaram pra me convencer a pagar sem ver toda essa droga, que já malhada antes de eu nascer.”

(*) fonte: http://www.senado.gov.br/paulopaim/pages/vida/biografia/biografia.htm



(08 de dezembro/2007)
CooJornal no 558


Muller Barone é advogado e escritor.
Curitiba/PR
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