Müller Barone
Palanque de Natal |
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Quem é leitor assíduo do Palanque sabe que o hábito, aqui, na época de
natal, não é fazer comparações entre ricos e pobres, louvando-se da
data que permite isso, não só aos que durante o ano todo o fazem com
sinceridade de propósitos, mas também aos críticos meramente pontuais
e, por conseguinte, oportunistas. Gosto de mostrar o lado bom das
coisas, já que tudo é luz e sombra, algo que sempre repito. Mas, nem
sempre a luz é alegria ou a sombra tristeza. A sombra também é
reveladora, notadamente quando a luz, por seu brilho, ofusca a
verdade. Aqui vai, então, um presente que alguns podem entender como
uma falácia daquelas típicas da esquerda que critica a data, porque
muito diferente daquela do editorial do natal passado. Deu até na
Globo, que, às vezes, tenta dar uma de boazinha, como se ela própria
não tivesse sido uma das maiores fomentadoras de tanta barbaridade: um
estudo da Transparência Brasil, uma organização sem qualquer
vinculação partidária (acessem
http://www.transparencia.org.br/index.html), que se esforça para
denunciar a corrupção no Brasil, assim como a pouca vergonha política,
mostra que a nossa Pátria Amada tem o Poder Legislativo (em todos os
níveis) mais caro do mundo.
Não é o mais caro da América do Sul ou das Américas, é o mais caro do
Planeta Terra. Já quase me atrevo a achar que, nesse quesito, somos os
mais caros do Sistema Solar. Isoladamente, o Senado é a casa
parlamentar mais cara da Terra, com um orçamento anual de (morram de
ódio no natal) R$ 2.680.468.223,00 - ou
sete milhões e cinqüenta e quatro mil salários mínimos.
Cada senador custa para nós, anualmente,
R$ 33.092.200,28 – mais de oitenta e sete mil
salários mínimos. Não se preocupem que os números da
Câmara dos Deputados não ficam para trás: orçamento anual de
R$ 3.387.603.958,00 – quase nove milhões de
salários mínimos. Como na Câmara o Ali Babá tem mais,
digamos, parceiros, o custo, devidamente rateado por cada membro do
bando, fica menor que o da quadrilha do Senado: cada deputado federal
custa, anualmente, R$ 6.603.516,49 –
mais de dezessete mil salários mínimos. É impressão minha ou estamos diante de um absurdo num país onde
existem mais 30 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria?
Pensem nestes números e somem a eles os números dos Poderes
Legislativos Estaduais (R$
4.897.904.436,00)
e Municipais (R$ 1.465.003.593,00),
vomitem o peru e o chester e engulam o sapo. Melhor não espiarem os
números dos outros dois poderes, é quase certo que isto trará muita
dor aos parentes e amigos com suicídios por enforcamento nas árvores
de natal. É o presente do Palanque, guardem com muito amor, pois, como
todos vocês notaram, é um presente caro. Levem-no com vocês para as
urnas nas próximas eleições (se resolverem votar), levem como se fosse
um santinho com o número do candidato (neste caso 99). Mas, por
favor, dêem um presente ao Palanque: se forem votar, principalmente
nos mesmos, esqueçam este editorial, mas não esqueçam que os dados
aqui lançados não contemplam os valores relativos a “mensalões” e
outras rubricas da corrupção, cafezinho, água, luz, telefone, nem
aquele mais de um milhão de reais gastos para comprar notebooks
(ultrapassados) para os deputados federais. Não esqueçam que é do
nosso bolso que a grana sai. Esta edição ficará no ar até o dia 11 de
janeiro de 2008, porque vou tirar umas férias, é tempo bastante para
todos lerem, relerem e pensarem, principalmente porque 2008 será mais
caro, não só pelo aumento natural de tudo, como também por ser ano
bissexto, ou seja, um dia a mais, um dia que valerá, se os custos, por
hipótese utópica, forem os mesmos, R$
16.692.000,00 (custo diário só do Congresso Nacional, num ano de 365
dias). O vídeo também é um presente, foi enviado pelo
Luiz Celso de Matos, que recebeu de alguém. No Especial tem uma
síntese tirada do site da Transparência Brasil, com endereços para o
estudo completo. “Feliz” Natal e “Próspero” Ano Novo, entre aspas para
nós, porque os políticos certamente terão ambos, salvo se formos menos
indignos a partir de hoje. Prezado Papai Noel, segue abaixo uma
foto do que eu quero de presente de Natal.
“Seja Herói, Seja Marginal.”
(29 de dezembro/2007)
CooJornal no 561
Muller Barone é advogado e escritor.
Curitiba/PR
http://www.palanquemarginal.com.br/
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