01/07/2020
Ano 23 - Número 1.179



 

 

 

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Beatriz Junqueira Pereira



O que não é um jogo de soma zero

(Artigo de Opinião)



Em um post publicado no Instagram algumas semanas atrás, o autor afirmava que ninguém se torna uma das grandes fortunas do mundo sem explorar ou fomentar o “capitalismo selvagem”. No sentido de que para alguém ficar rico, outro, necessariamente, precisa ficar mais pobre. Esta postagem me fez pensar nos fundamentos de uma opinião que sempre vemos em publicações ou ouvimos em discussões. Quero dizer, é comum ouvir pessoas opinarem sobre ideologias contrárias sem ao menos estudar e entender sobre o que se trata.

Para isso, é importante recordar qual é o entendimento do Capitalismo para o Marxismo.

A crítica básica é que os capitalistas exploram os trabalhadores apropriando-se de uma parte de seu trabalho. Segundo ele, as mercadorias são vendidas por um valor que é igual ao tempo de trabalho gasto pelo trabalhador para produzi-las e cada trabalhador deveria receber um salário equivalente ao valor da mercadoria que ele produziu. Entretanto, o proprietário fica com parte desse valor como pagamento de seu capital investido e lucro.

Dentro desta lógica, ocorre uma relação de não equivalência, no sentido de que o trabalhador não recebe proporcionalmente pelo o que trabalha, para que, assim, o proprietário apenas extraia os lucros.

A diferença entre o valor integral do trabalho e o valor recebido por ele é justamente a mais-valia, que é, segundo Marx, a medida da exploração do trabalho assalariado.

Entretanto, é importante pensar qual é o verdadeiro valor de um bem, seja mercadoria ou serviço. Desde os anos 1870, a teoria do valor-trabalho foi derrubada por diversos economistas austríacos. O valor de um bem não é objetivo, não é definido pela quantidade de trabalho gasto em sua fabricação; ele é subjetivo: depende do uso e do grau de importância pessoal (subjetiva) que alguém confere a esse bem. Se um bem não servir a nenhum propósito, se não houver nenhuma pessoa querendo comprá-lo, não tem valor nenhum, apesar de muitas horas gastas para produzi-lo. Ainda é importante entender que é através do lucro que toda a manutenção da própria produção e da geração de riqueza é mantida.

Enfatizo aqui que não se devem minimizar situações de exploração de trabalhadores, o que é absolutamente inaceitável. Apenas é importante esclarecer que as relações em um sistema de liberdade econômica não são um jogo de soma zero, ou seja, para alguém ganhar outro deve perder. Pensamentos assim fazem com que indivíduos odeiem riqueza e nem lutem para produzir os meios.

Todavia, o que poucos tentam entender é o significado do capitalismo em sua essência, que é a criação de riquezas – riquezas que não são apenas dinheiro, mas também valores não palpáveis, como as tecnologias, por exemplo, que criam novas riquezas.

Só no Capitalismo são possíveis a propriedade privada, o livre mercado, a liberdade de empreender, permitindo às pessoas criarem suas próprias oportunidades e, assim, terem uma vida melhor. Prova disso são aquelas que eram pobres e ganharam muito dinheiro por terem “saído da caixa” com ideias incríveis.

Contrariamente, ao “condenar” as fortunas, não se prega justiça social, mas sim o desincentivo à criação de valores, ideias e, mais do que isso, à criação de meios para melhorar a vida de outras pessoas. Assim, evidencia-se o desincentivo às atitudes voluntárias. Neste caso, não me refiro às fortunas que são fruto da corrupção – certamente os valores que criam não beneficiam ninguém além deles mesmos.

Sendo assim, antes de criticar ou defender uma ideia, ESTUDE! Pensamentos baseados em visões pouco fundamentadas, limitam não só a própria liberdade, como também a capacidade de ajudar mais pessoas. O escritor e pensador Alvin Toffler já disse que “os analfabetos do século XXI não são aqueles que não sabem ler e escrever, mas sim aqueles que não são capazes de aprender, desaprender e reaprender”. Portanto, comece aprendendo.


Este artigo foi publicado inicialmente no  Instituto de Formação de Líderes


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Comentários sobre este artigo podem ser  encaminhados à autora no email bibijunqueira2001@gmail.com


Beatriz Junqueira Pereira,
Instagram: "Entre Linhas" @entrelinhas_bybia
Estudante de Direito na PUC Minas
Belo Horizonte, MG


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