16/05/2020
Ano 23 - Número 1.173



 

ARQUIVO
BHUVI LIBÂNIO




 

Seja um
"Amigo da Cultura"


 

Venha nos
visitar no Facebook



Bhuvi Libânio



Qual é a letra do seu Amor?


Bhuvi Libanio - CooJornal


Há pelo menos duas palavras que jamais deveriam ser usadas em uma mesma construção linguística: o substantivo Amor e o adjetivo proibido. Juntos, esses termos não fazem sentido.
A natureza do ser humano é o Amor. É de lá que viemos. No coração está a Verdade. Nenhuma forma de Amor pode ser julgada pela mente.

DOS FATOS
Terry e Pat se apaixonaram em 1947, nos Estados Unidos. Mas somente em 2009 revelaram para a família de cada uma: mais do que amigas que dividiam a casa simplesmente por ser caro viver nos EUA, elas dividiam a vida, simplesmente por se amarem.
Com medo de serem rejeitadas por pessoas que lhes eram tão importantes quanto uma à outra, esconderam o relacionamento que começou atrás de um ringue de patins — “sou leitora de livros”, Pat escreveu em um bilhete para Terry, “mas nunca li em lugar algum sobre uma mulher amar outra mulher. Espero que você também se sinta assim.” Elas tinham por volta de 20 anos de idade.
No aniversário de 90 anos de Terry as duas se casaram, depois de uma vida sem poderem pegar na mão uma da outra, beijar, dizer palavras de carinho, se alguém estivesse por perto.
Essa história foi contada em um documentário disponível na plataforma Netflix com o título A Secret Love, que foi traduzido para o português como “Secreto e proibido”. Nesse, que durou mais de sete décadas, as pessoas podem enxergar a maravilha do Amor verdadeiro.
No entanto, a história de Terry e Pat não é a única sobre pessoas que se amam e precisam esconder o sentimento. Há incontáveis casos cujo segredo se faz por diferentes motivos. Hoje, que tal pensar sobre o Amor entre pessoas LGBTQ+?

DA SIGLA


Longe de ser uma ideologia, identidades de gênero e sexualidade são características naturais e individuais dos seres. Os conceitos, ao contrário, foram construídos socialmente. Mulheres podem se amar e, se quiserem, podem se casar.
Geralmente, pessoas sentem-se confusas diante daquilo que é diferente do que elas têm costume de ver, vivenciar, ouvir dizer que é “normal”. Entre homens o Amor pode ir além do fraternal, das conversas sobre futebol, carro, cerveja; eles podem falar sobre sexo, relacionamento, lua de mel — como um casal.
Basta perguntar, se for de sua necessidade conhecer a orientação sexual de alguém. Não há como pressupor. Os parâmetros estabelecidos são incongruentes: roupas, calçados, corte dos cabelos, histórico de relacionamentos românticos ou se a pessoa em questão é mãe ou pai de alguém, nada disso é elemento definidor. Uma pessoa pode não estar hoje exatamente como estava ontem, e isso não é problema.
Tente ir além dos padrões. Nada é tão definitivo que não possa mudar, e ninguém deve ser obrigado a viver com características que não lhe pertencem para manter o conforto de pessoas que não conseguem se libertar dos parâmetros de imagem.
Quem sabe a pessoa ao seu lado não quer se identificar com esse ou aquele conceito? Talvez ela ou ele esteja feliz sem as regras e prefere desconstruir as dicotomias, enquanto compreende que há infinitas possibilidades de ser e não ser.
Mais do que uma determinação sobre com quem teremos relação sexual, a sexualidade e o gênero são modos de viver. Mas lembre-se: a vida é fluida. No final, o que importa mesmo é Amar.

A LEI
Lei 1.262748 de 13 de maio de 2020


Dispõe sobre o Amor entre seres humanos e estabelece seus não parâmetros.

Fazemos saber que fica decretada e automaticamente sancionada a seguinte lei:
DO AMOR ENTRE SERES HUMANOS

Artigo Único
Esta lei estabelece que nada pode ser estabelecido, coibido, prevenido do que vem a partir do Amor.
§ 1º Está assegurado a todas as pessoas, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade, religião, peso, altura, gostos pessoais, hábitos, vícios de linguagem o direito fundamental e inerente à pessoa humana de Amar.
§ 2º Nenhum poder tem poder sobre o poder do Amor.
§ 3º Nem família, seja de sangue seja de convívio, nem sociedade poderá interferir na natureza do Amor.
§ 4º Está garantido o direito amplo e irrestrito de conhecer o verdadeiro Amor a qualquer pessoa, em qualquer ambiente, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade, religião, peso, altura, gostos pessoais, hábitos, vícios de linguagem, para tanto, está também garantido o direito amplo e irrestrito de falar sobre Amor.
§ 5º Fica estabelecido, portanto, que todas as pessoas são livres para expressar, hoje, agora e sempre, o Amor que sentem umas pelas outras.

Rumi disse:
“Somente a alma sabe o que é Amor.
Este momento no tempo e no espaço é uma casca de ovo.
Dentro, um embrião encolhido envolto em gema-crença
sob as asas da graça, até se libertar da mente
para se tornar a música de um verdadeiro pássaro,
de Deus.”


____________________________________________

Comentários sobre este artigo podem ser  encaminhados à autora no email bhuvi.libanio@gmail.com


Bhuvi Libanio é autora do blog The Book of Bhuvi
www.analuizalibanio.com


Direitos Reservados

É proibida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor.