16/07/2019
Ano 22 - Número 1.133



 

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BHUVI LIBÂNIO




 

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Bhuvi Libânio


Quem é você?

 

Bhuvi Libanio - CooJornal


Você já se olhou no espelho hoje? Imagino que sim. Acordou, lavou o rosto e se viu no armário sobre a pia do banheiro. Talvez tenha conferido rugas ou percebido alguns fios brancos a mais. Avaliou a combinação de cores depois de se vestir, se a camisa para dentro é melhor do que para fora ou se a calça não está muito apertada? É possível que tenha escovado os cabelos e experimentado um penteado diferente, ou ainda, que tenha prendido as madeixas, porque não teve tempo de lavar, secar etc. e tal.

Quando se olhou, você se viu, conseguiu se enxergar? Observou-se? Observar é ultrapassar a camada virtual que criamos; é dissolver a fantasiosa identificação que tem por objetivo atender às expectativas criadas por seu ego ou pelo ego do outro, para o único propósito de… Encaixar-se, caber em um espaço social.

A maneira como você se identifica ao se observar é sua identidade. Nem você nem eu somos um número, seja na estatística, seja na secretaria de segurança pública ou no Detran. Cada um de nós é, na verdade, o que está dentro, para além da imagem, para além dos registros.

Tudo é dito por um observador, escreveu o cientista chileno Humberto Maturana.

O ser humano é um sistema complexo vivo, o que significa que não é um mecanismo, um sistema com estrutura definitiva. Mais além, somos dinâmicos e, portanto, em nossas interações, estamos em constante mudança — de comportamento, de estrutura. Consequentemente, é impossível determinar uma conduta adequada, definitiva, para um sistema vivo, em todos os possíveis contextos, porque não podemos prever suas variações.

Dessa maneira, a interação entre seres vivos é um constante aprendizado, uma vez que, deve-se enxergar cada indivíduo em seu meio, em seu tempo e respeitando suas alterações estruturais.

Eis o grande desafio daqueles que, apegados a normas, a crenças socialmente construídas, não se conectam com o que é a vida, esse acontecimento dinâmico. E conectar-se com a vida não é discursar a favor de diversidade, mas sim agir de maneira totalmente desapegada, entendendo que há diversidade dentro da própria diversidade, e a identidade individual de seres não é exatamente aquela que você diz, mas sim aquela que é possível tocar e compreender, uma vez que você ultrapasse a superfície, mergulhando fundo no eu.

Mas se uma pessoa teme conhecer sua própria verdade, por certo não se entregará ao conhecimento da verdade do outro — o mergulho é um ato de coragem — e não será capaz de experimentar o Amor, negará histórias, e construções de existências que lhe cercam, determinando identidades a partir de pré-conceitos, estabelecendo seu próprio conforto dentro de uma estagnação e falta de dinamismo que somente lhe apraz.

Somos históricos, resultado da história de nossos ancestrais. Mas somos a história agora — a vivência individual, com todas suas reedições, revistas e ampliadas. Um observador, portanto, poderá dizer quem cada ser individual é apenas se for realmente observador e conectar-se, compreendendo a unicidade da existência, com todas suas peculiaridades.

Apesar de tudo isso ser importante, sobretudo, porque vivemos em comunidade, o essencial é ser seu próprio observador. Observe-se atentamente e seja capaz de responder: quem é você?

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Comentários sobre este artigo podem ser  encaminhados à autora no email bhuvi.libanio@gmail.com


Bhuvi Libanio é autora do blog The Book of Bhuvi
www.analuizalibanio.com


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