01/04/2020
Ano 23 - Número 1.167



 

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BHUVI LIBÂNIO




 

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Bhuvi Libânio



A lenda dos amantes do século XIII


Bhuvi Libanio - CooJornal

Certo sultão, no século XIII, não satisfeito com as centenas de mulheres que mantinha em seu harém, interessou-se pela filha de um comerciante. O pai da garota, por sua vez, interessou-se pelo dinheiro oferecido pelo monarca. Uma negociação que em nada favorecia à mulher foi feita entre os dois homens — um tinha certeza de que poder, dinheiro e imagem podem comprar o que não pode sequer ser mensurado; o outro, não tinha muitas certezas, mas dava ouvidos a todas as pessoas que falavam da importância de ter dinheiro.

Enquanto ela, a mulher que foi confundida com mercadoria, acreditava no amor, porque ouviu a lenda do deus que amou tanto a esposa a ponto de esperar por uma reencarnação dela para se casar de novo depois de ter ficado viúvo.

Mas às mulheres daquela época não era permitido dizer o que pensavam, sobretudo, quando divergiam da opinião do homem.

Por isso, restou-lhe fugir, na calada da noite.

No dia seguinte, quando o sultão e o pai da corajosa fugitiva se reuniram, descobriram que ela não estava lá.

Furioso, o “todo poderoso líder” convocou uma feiticeira. O interesse maior dele era vingar-se da ousadia da mulher que o humilhou perante seu súditos — todos já sabiam que ele fora preterido por uma mulher que escolheu viver uma vida errante com o sábio e místico daquele reino — então encomendou um feitiço que impedisse a realização do amor entre os fugitivos.

Pragas, celibato, guerras, normas sociais, desastres ambientais e outras tragédias, algumas criadas pelo ser humano, outras consequência de uma vida negligente, surgiram ao longo das várias encarnações dos dois amantes do século XIII.

No ano de 2020, quando uma pandemia assolou a humanidade, foi em um sonho, um encontro mágico, que os dois realizaram o Amor:

Os dedos emaranhados com os cabelos dele sentiam a maciez dos fios. Tocaram uma testa na outra, e pela primeira vez em vidas, sentiram a pele um do outro.

— Há muito, muito tempo eu esperava por isso. Mas o que é o tempo, quando somos eternos? — ele sorriu.

— O que é distância para a existência no substrato? — ela sorriu de volta.

O silêncio — esse espaço preenchido por uma música jamais antes ouvida, um aroma jamais antes apreciado e uma luz apenas vista com os olhos da alma — os envolveu; o silêncio, a única realidade que há. Nada no mundo poderia separá-los agora.

Aprenderam que o Amor verdadeiro vai além dos limites da materialidade, não depende do corpo para existir. O Amor verdadeiro é o encontro de almas onde não há dualidade, onde a existência é absoluta. Por isso é eterno.

Foi quando mergulharam no silêncio e ultrapassaram a camada do irreal, construída pelo ser humano, que se sentiram finalmente livres. E realmente, nada no mundo poderia separá-los. Eram amantes na mesma jornada.

O verdadeiro Amor floresce do estado meditativo, é quando o lótus se abre.

Esse foi o despertar dessas almas.


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Bhuvi Libanio é autora do blog The Book of Bhuvi
www.analuizalibanio.com


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